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O Brasil acima de tudo: religião manipulada

 

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A história conta lutas nacionalistas que salvaram situações escravizantes. Os imperialismos são danosos, pois negam solidariedade e investem na opressão. Não é sem razão que combates surgiram, denúncias continuam sendo feitas e rebeldias se armam contra explorações que inundam o mundo para concentrar riquezas. Temos que observar como as ideias são propagandas, sobretudo com o auxílio de religiões cheias de dubiedades. O nacionalismo pode gerar fragmentações e esfarrapar sonhos. Querer símbolos divinos para destroçar males é uma ameaça que circula entre os ensandecidos. Não custa perguntar; como os males são produzidos?

Os debates parecem acender ódios. Conheço pessoas que não se cansam de  postar  para o vazio, dominadas por preconceitos, curtem dores de cabeça nas andança pelo facebook. Há uma perplexidade na polarização que invade o Brasil. Foge,  muitas vezes, qualquer aceno de lucidez. Elegem messias, sacrificam inteligências, expulsam o desejo de criticar. Portanto, é preciso medir o nacionalismo e não deixar de olhar seus perigos.Não esqueçam dos danos do fascismo. Lembrem-se dos discursos de Mussolini e das artimanhas de Castelo Branco. Não desprezem a história, nem se liguem em totalitarismos para se esconder da responsabilidade. Ler Hannah Arendt faz bem aos ritmos da saúde.

Há carências espalhadas como epidemias. Absurdos se tornam crenças. Analisem dizeres de afirmações confusas que buscam vitimizar os desgovernos de Jair. Devemos nos assustar com os dualismos, pois geram maniqueísmos mesquinhos. Na política, é fundamental a crítica, a dúvida, a disposição para desconfiar de quem se julgar senhor do mundo.  Quem se esconde em orações pode contaminar boas intenções, multiplicar reações negativas, fazer da ilusão uma morte anunciada.  Portanto, os escorregões provocam desastres e loucuras.

O que está acima de tudo não se desvencilha da história. Cuidem de desvendar as assombrações do tempo e compreender as larguras da crueldade do mundo. Não se assustem, porque muitas mentiras serão fabricadas. O mundo adoece, quando escolhe ser estreito e cultivar o delírio das minorias. Não caminhem fortalecendo globalizações dissonantes que mantêm desigualdades e apostam no analfabeto político. Há profetas estranhos que pregam a existências de injustiças obscuras. O controle da informação garante poderes e sufoca reflexões. Não abandonem as perguntas, nem se deitem na apatia dos oportunistas de plantão.

Há dores e tormentos na solidão escondida

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As exigências são muitas e elas percorrem o cotidiano. As pessoas perguntam, mas também se escondem. As competições pedem máscaras de todas as cores. A sociedade se torna espaço de uma crescente hipocrisia. Valem disfarces assustadores. Há quem curta estar sempre bem composto, vendendo sorrisos e afastando  qualquer ideia pessimista. O labirintos não tem fim. O mundo não é uniforme.Isso traz necessidade de crítica, diálogos, abraços. No entanto, muitas vezes manipulações se estendem, pois a lógica da grana prospera para quem não se cansa de acumular. Portanto, as transparências se vão e as solidões se dimensionam com profundidade. Com quem falar de uma frustração, de uma fracasso, de uma falta de ânimo? Quem é o outro?

As proibições trazem controvérsias. Aquela figura que está sempre alegre talvez seja rei das lanternas escuras. Joga com os  parceiros e quando se recolhe não consegue se olhar nos espelhos. A imaginação cria narrativas, sacode poeiras, porém não é neutra. Ela usa concepções de mundo que justificam desigualdades. Nem todos todos observam que as lutas atravessam a história. Surgem nostalgias de relações que nunca existiram. O desperdício é visível, o número de suicídios corta expectativas. Há solidões que emudecem e carregam dores incomunicáveis.

Não se trata de querer estimular niilismos. Os dados preenchem revistas afirmando que o desamparo é uma epidemia. Ninguém nega que se montam formas de conversar, redes sociais, celulares, datas festivas. Há quem respire, se ligue no ânimo, deixe de lado o cinismo e analise que a fé é uma forma de poder. Sabe que a incompletude não é uma fantasia tola. Não custa senti-la. O perigo é produzir euforias fabricadas, mergulhar nas fofocas nada renovadoras e reduzir tudo a uma vitrine de negócios. Como apagar sentimentos, se não há como negar a subjetividade e o desejo?

As artimanhas políticas inibem rebeldias. Se alguém mostra insatisfações corre o risco de ser marginalizado. O sucesso atrai.Ele tem preço, puxa para cultivar o vazio. Mas a sociedade sucumbe nesse cotidiano alucinado pelas bolsas de valores e as apostas na loteria. Você  se vê coisificado, aumenta suas propriedades para se firmar como esperto.  As crises persistem, porque o individualismo não cessa de estragar o afeto e atiçar a vaidade. As multidões invadem cenas. Não se engane. Muita gente, complexidades, egocentrismos e sofisticações se multiplicam. As  dores também são amplas e silenciadas em nome de utopias de felicidade. Você se assusta ou veste-se para mudar seu visual?

O peso das utopias revolucionárias

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As frustrações políticas trazem tensões. Busca-se inventar um messias ou se cai em populismos infantilizados.A sociedade vive momento de desequilíbrios dantescos. Não se estimula o diálogo, mas a intriga e a festa irresponsável nas redes sociais. Há perplexidades, pois não se discute o tamanho das mentiras. As palavras pesadas são utilizadas por governistas com administrações fragilizados. Espera-se por um milagre? O esvaziamento intelectual é grande ou fabricada para causar negatividade? Tudo isso desperta memórias. Muita gente se esquece das singularidades do nosso tempo. Acendem utopias, apagam autoritarismos do passado com se houvesse paraísos no juízo final..

Ninguém pode anular a importância das revoluções modernas. Movimentaram novas ideias, agitaram desejo de transformar valores, cortaram preconceitos. Não houve, porém, continuidades que afirmaram definições solidárias. Promessas de socialismo se burocratizaram. Amargamos totalitarismos violentos, enquanto se esperava a liberdade. Quem não se lembra das mortes nas guerras mundiais? Os imperialismo não se foram. Stalin ajudou, de forma clara, a derrotar o nazismo, porém a União Soviética conviveu com opressões epidêmicas. Portanto, sonhos se desfizeram e pessimismos se firmaram.

Hoje, o capitalismo se  amplia. arma-se de sofisticações, conta com anúncios de felicidades  promovidos pelos projetos de  parte da imprensa imprensa. Fala-se  numa reforma mágica, sem mostrar suas ligações  com a concentração da riqueza. A revolução ganhou o território da nostalgia. Na práticas as sociabilidades atuais terminam amassando qualquer mudança solidária. A sociedade das massas delirantes se inquieta nas promoções comerciais. Elegem o reino da mercadoria. O reforço ao individualismo está em todas as esquinas e desfaz articulações sociais. Passividades vestam comportamentos e escolhemos lideranças para nos proteger totalmente desconectadas.Tropeçamos, muitas vezes involuntariamente.

O limite está dado. Nunca a história passou por impasses tão drásticos, apesar da multiplicidade de invenções, das inúmeras descobertas científicas, das rebeldias que tentam furar as portas da desigualdade.Não é sem razão que o número de suicídios aumenta e as terapias alternativas se expandem e ampliam seus jogos de saberes. Mas há estragos que intimidam a coragem, soltam atmosferas nubladas, deprimem. Será que há destinos que nos  condenam a não fugir dos labirintos? A história precisa de navegar talvez, em turbulências, para alcançar outros tempos. o futuro não deixa de acenar com enigmas.Inquieta.

 

Poema da luta e das noites de Scherezade

 

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Não  há uma ternura  que corteje a violência sem vacilar,

ela vive acidentes, perde-se no meio  de acasos, desconsola-se.

Quem conta a história não navega num único oceano,

mas não apaga  a tempestade, nem se espreguiça na calmaria.

O ruído da solidariedade está desenhado em todas as paredes inquietas,

não é som, mas  uma utopia,sem pactos com apatias covardes e lentas.

O história  se  contrapõe ao sossego encenado, acompanha turbulências inesperadas.

Talvez tenha a arquitetura de sentidos de absurdos esquisitos

entregue aos devaneios fugidios das palavras noturnas de Scherezade.

Desmoronamentos de astúcias programadas

 

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A sociedade gosta de ídolos. Quem não quer a salvação? Quando se encontra frágil busca mitos representativos das angústias. Há momento de adoração, de biografia encantadoras ,de sorrisos gratuitos.Moro apareceu como um soldado da moral. Tinha leis poderosas. Prometia inibir um figura que, para muitos, continua perigosa. Fez sua missão com aplausos. Colocou Lula na prisão, tornou-se um festejado senhor da ética. Houve controvérsias, o processo ganhava contestações pelos seus vazios, mas Moro não hesitou. Desenhou espaços especiais. O fanatismo ampliou-se.

As ações de Moro facilitaram a eleição de Jair. Não se deseja negar os desencontros petistas e os possíveis escorregões do acusado ex-presidente. No entanto, os exageros devem se lembrados.A questão política evidenciava intenções nada saudáveis. Moro ocupou colunas sociais, recebeu honras da imprensa, fixou-se numa vitrine imensa.  A história, porém, possui curvas. Há abismos inesperados, situações traiçoeiras, armadilhas articulados. Moro foi na conversa de Jair. Muitos elogios e lá está num ministério. O discurso moralista se atiça e inquieta os políticos. Moro era inabalável? Navegava na vaidade?  Desmontou-se?

Tudo era luz ou existiam sombras? Os prestígios não são eternos, há frustrações, ninguém é absoluto.Moro não era tão herói como se esperava. Jair manobrou, trouxe segredos, exibiu acordos. Moro seria nomeado para o Suprem. Surgem as questões. Morou trocou sua dignidade pelo cargo?  Poluição na honestidade? Os procuradores se sentiram abalados. O poder judiciário não cansa de produzir ambiguidades. Não conhecia as espertezas de Jair? Moro anda na corda bamba. Ofuscou-se ou prepara uma saída? Gagueja, não é aquele cidadão tão cheio de virtudes. Discute-se  até o conteúdo da sua sapiência intelectual.

O jogo da política não cessa. Não há como apagar as contradições , nem descartar que a situação se veste de limites. Há medos, agonias, expectativas. Os adeptos de Jair não se afastam de vez. Há tensões, contrapontos, desmoronamentos. Atiçaram rebeldias e grupos de oposição buscam fortalecer críticas.As indignações se acendem até no famoso Jornal Nacional. Outros ministros não se afirmam. Guedes é histérico. Não se conecta com a solidariedade, só pensa nas reformas de trilhões. As suspeições estão nas páginas dos jornais. Por que as milícias construíram tantas parcerias? Como entender tanta celebração de violências? E o vocabulário tosco do presidente? A história não sossega. A  inquietação  está nos  espelhos de Brasília.

Construir as histórias, inventar as culturas, costurar a dignidade

 

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A memória nos traz o movimento da vida. Pode reforçar nostalgias, desencontrar-se com acontecimentos. Ela é seletiva, não se seduz pela linearidade. Lembra e esquece. Não é simples e ajuda a construir sentimentos. Portanto, não há como pensar  a história sem a companhia da memória. Temos que olhar o fazer, o desmontar,o desconstruir. Apaga o ânimo da vida quem adormece em repetições e nunca acena para futuro. Morre em projetos  cheios de poeria do passado. Tudo isso arquiteta culturas, fundamenta valores, desafia as ousadias.  Como reinventar e não cair nos abismos? Como propagar a crítica e não se sentir inútil?

Quando o passado se mostra, ampliamos a compreensão do presente e  superamos certas incertezas.Há perturbações recentes que apenas reproduzem ressentimentos. Há quem tenha silenciado, mas mantido seus preconceitos e seus ódios. O momento atual revela que existem polarizações que não se foram, idiotizam, desqualificam. As culturas se multiplicaram,  no entanto as permanências avisam que incômodos não se anularam, estão escondidos. O ser humano é indefinível. Não é à toa que o inesperado tome conte das notícias.É difícil prever, atiçar o novo, quando as dualidades seguram seus lugares nos poderes. O vício da fragmentação se estica e as falas tortas empurram para o pântano.

Assumiu-se uma ideologia progressista que não consegue ir adiante. Engana e mascara planejamentos antigos, escravizantes. Não se vive sem utopias. Volta-se sempre para celebrar a democracia. É o reino do pragmatismo, pois a desigualdade se espalha e os conflitos são cotidianos. Como pensar em consensos? Como desarmar as vinganças? As  mortes consagram armadilhas. A suspeição se  apresenta, sem querer pacto com o sossego. Num mundo repleto de tecnologias e indústrias poderosas, as tensões  parecem reviver guerras superadas. Há sociabilidades ameaçadas pela  certezas de que a grana salvará o mundo. Maquiavel ressuscita como auxiliar de governantes atordoados.

Fala-se do medieval, denuncia-se os dissabores da colonizações modernas, massacram-se saberes.Mas como está a vida contemporânea? Há instrumento de pacificação ou registra-se um desfazer de culturas?  E as hostilidades, o culto à violência, as disputas religiosas? Será que a história tem o caminho da salvação? Os mecanismo de manipulação continuam ativos e sofisticados. Muitas imagens, divertimentos alienantes, seriados para esticar a insônia. Não  é lucido nomear épocas de paraísos. As contradições se afirmam, apesar das terapias e dos protestos.Silenciar não deixa de ser um perigo. Há elegias  e recitais em cada esquina e multidões pisando no asfalto incendiário.Não adianta conhece o resumo das idiotices soltas. Eles deprimem,

 

 

A luta anarquista, a desigualdade histórica, o livro de Hans Magnus

 

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O anarquismo não conseguiu as vitórias que imaginava. Possui, ainda, uma visão otimista das possibilidades de superar os impasses sociais. Mas nada garante mudanças. As travessias da história  não fogem da exploração. Muita violência, competições sofisticadas,  dureza nos negócios. O espaço para igualdade diminui, em  alguns aspectos,apesar das manipulações feitas para naturalizar preconceitos e agressividades. A sociedade é cenário de lutas. Não há sossego. O anarquismo defende uma utopia: a igualdade. Outros também quiseram transformar o social, jogar fora o lixo das sociabilidades perversas. O mesquinho anda solto e as convivências tensas persistem. Há quem acredite que enganar é vital. Cogitam a democracia criando um espetáculo sem ponto definido.

Hans Magnus escreveu um livro fundamental: O curto verão da anarquia.  Talvez, um romance ou quem sabe um relato das astúcias que regem o humano. Localiza-se na Espanha, passando pela Guerra Civil e os escorregões dos desequilíbrios dos anos 1930. Hans inova na escrita, traz reflexões insperadas, toca na sensibilidade. É uma obra que atrai e inquieta. Até onde se constrói a possibilidade de desfazer os ressentimentos e sepultar as disputas cotidianas? É preciso ter cuidado. Não basta sonhar para evitar os desmantelos que nos angustiam. Há dramas no conviver e labirintos desocupados com esfinges espertas.  Sobram incertezas em desertos quase infinitos.Hans navega na diversidade, multiplica fontes, dialoga com o leitor. Desmascara, fere, desvenda.

É impossível analisar o anarquismo sem observar o limites das condições humanas. Hans lembra-me Camus. Já leu o Mito de Sífiso?Arquitetar paraísos não é nada estranho. Porém, a história mostra assaltos, desconfortos e crueldades constantes.Eles são inesperadas? Há permanências ou as revoluções sacudirão as sujeiras e reinventarão o sentimentos? O livro nos coloca agonias existenciais. Quem pensa que a história é apenas o desfilar de cronologias e a celebração de acontecimentos? As teorias dançam nas profecias ou simbolizam regras salvadoras?  Quem ilumina as bipolaridades de Narciso ou as rebeldias de Prometeu?Os anarquistas queriam desmontar as injustiças, maldiziam os poderes, enfrentavam oposições até mesmo dos comunistas. Eles nunca se articularam bem. Detestavam-se, na surdina.Discordavam-se nas estratégias de dominação e nas armadilhas da violência.

No livro, a figura mítica de Durruti compõe ruídos avassaladores. Todos sabem que os franquistas  venceram seus opositores com ajuda de Hitler e vacilações de outros grupos que poderiam fortalecer a luta dos anarquistas. A escrita de Hans nos leva a um território povoado de incertezas. A cerimônia da morte de Durruti, anarquista radical, é um anúncio  de que há contradições e que o poder produz descontroles frequentes. Forma-se um complexo imaginário. Não há história sem pedras no meio do caminho, nem os poetas sabem o que fazer com elas. Desenho, sepulturas, horizontes? As pedras são espelhos. Olhem-se nas páginas do livro, na precariedade dos sonhos que subestimam as impossibilidades. O humano é ousadia anônima. Para quê? Para bordar a pedra nos seus delírios inconsistentes.

Jair e as dúvidas:, os descaminhos permanentes, os risos macabros

 

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Muitas imaginações navegaram séculos para  tentar  livrar a sociedade das incompletudes. Não são apenas as localizadas na modernidade. Sempre se lutou contra as desigualdades, mas também não houve mudanças que nos afastasse das lutas sociais em busca se superar as hierarquias de poder. As ampliações do saber trouxeram alternativas. Combateram-se tradições, preconceitos, colonialismos. Ninguém esquece a forças das revoluções, os projetos democráticos, as rebeldias. No entanto, há violências estimuladas, governos estimulando o usos de armas, milícias controlando o capital, refugiando  perdido por território inóspitos.

Não é negativo soltar a imaginação, arquitetar saídas. As relações poderiam estar mais ainda deterioradas. Há ânimos se contraponto há niilismo. Sobram, porém, servilismos, medos de instigar críticas e  desconfiar de práticas messiânicas. No Brasil, as eleições anunciaram que sociedade  passaria por tempos pesados.As polarizações continuam mobilizando grupos e criando grupos agressivos. Joga-se a política com deboche e chocolates. As lideranças se mostram atordoados.Tudo parece um grande festival de palavras e de planos  mesquinhos. Nada que ultrapasse as desigualdades. Apenas, simulações de verdades e destruições de argumentos visando apagar passados.

Multiplicou-se um ressentimento estratégico. Por aqui, o inimigo era o PT, com suas reformas. O investimento, para sabotá-lo, foi imenso com a ajuda da imprensa e muitos intelectuais. Na hora de votar em Jair, alguns se sentiram constrangidos, mas não deixaram de olhar, segundo os profetas do apocalipse, para ameaças maiores. Havia  mudanças sociais que incomodavam privilégios, então tudo era  feito para não correr riscos. Fermentavam outras visões de mundo. Apostou-se no medonho, apagaram-se luzes, impediram debates e fecharam as portas da imaginação. Nada de quebrar poderes e valores cheios de opressões.

Jair conseguiu o inesperado. Articulou-se. Montou uma equipe  estranha. Não seduziu, somente, as elites, Tornou-se o mito. Mais espaços para polarizações, ataques aos educadores, gurus nada simpáticos, confusões nas redes sociais. O governo segue provocando perplexidades internacionais. Muitos  elogiam suas medidas, gostam dos ensaios cômicos dos ministros. Não se ligam no abismo. Celebram. As dúvidas são imensas. Há quem preveja os esfacelamentos das instituições e a morte da aventuras de Jair. Há tensões, porém muitas sombras dificultam que imaginação sobreviva.Os risos esquisitos não se foram, são disparados por metralhadoras assassinas.

Sua afetividade está doente?

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A vida corre. Não dá ficar na janela contando as flores  ou estimulando a imaginação. Há pressa. O ritmo da grana puxa e excita. Muitos não conseguem se desligar da agitação dos mercados. Não há tempo para poesia, diz alguém. Portanto, se produz um solidão em cada corpo de forma paralisante. Olhar o outro tornou-se  um execício raro, pois a sociabilidades está marcada pelas regras da mais-valia. Se a quantidade toma conta da sociedade, quase nada sobra para a afetividade. Brinca-se de amigo secreto.As carências são materiais, mesmo que a depressão se estenda e escravize os desejo.  Os olhos se fecham para as famosas dores da alma.

Quando os apertos emocionais se agudizam ,transformações são pensadas. As reações se estruturam buscando  refazer afetos. As nostalgias mostram tempos que  lembram paraísos. Muitos esquecem que as degradações são constantes e Jair não contém todos os males do mundo. Localizar as exclusões dentro de uma dimensão histórica é fundamental. Há brechas, porém  elas exigem leituras para além da mesmice do cotidiano. O ressentimento se espalha. Como recuperar o afeto se ele foi desprezado  de forma sistemática?  Se antes a competição predominava, como ela se apresenta, hoje, num mundo de violências contínuas e transparentes?  Há ganhos para  ultrapassar os limites?

Pede-se perdão pelos pecados, no entanto se busca lideranças paternais. O peso da infantilização é  visível. Surge a oportunidade para um messianismo tosco mais eficiente.Estão aí Moro, Damares, a família Bolsonaro. Criam-se fanatismos  junto com deboches renovados. Em quem acreditar? O que vai ser destruído? A política não é uma sequência de desenganos? Quem votou com a fúria de detonar o PT procura sua razões outra vez e analisar até a cor da sua raiva. Questões afetivas voltam a encenar  empurrões para abismos nunca vistos. Pior do que a crise é a confusão provocada e a falta de lucidez para abrir a porta.

Os anarquistas sempre ressaltaram a igualdade, quebraram hierarquias, se engalhavam com as questões do poder. No capitalismo, é preciso que haja exploração e desconfiança. É um outro lado como uma sedução avassaladora, envolvida por imagens. A afetividade só existe, se toco nos  outros e consigo caminhar na mesma estrada. A sociedade contemporânea  se sente atraída  pelos vazio das vitrines.As coisas representam as pessoas. O avesso se firma. Com a permanência da exclusão não há como se desfazer dos  pântanos profundos. O conforto fácil nada garante para se largar numa aventura coletiva. Não basta gritar. O sufoco exige  outros valores, leituras que provoquem a sensibilidade. Excluir e não escutar se significam  o fim  das cores e a vitória da monotonia.

 

 

As utopias se arruínam ou se reinventam?

 

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A busca do progresso fermentou projetos  que prometiam felicidades eternizadas. Apostava, de forma articulada,  que a sociedade fugiria das desigualdades. Acreditava-se numa grande revolução tecnológica. Houve euforias. Mas a ideologia do progresso pareceu frágil. Um festival de ilusões passou a desfilar e as explorações continuaram acontecendo. As falsificações mantinham divulgações nada saudáveis. A sociedade  negava suas doenças mais agudas. As bombas atômicas alertaram para o peso de violência de uma crueldade assustadora. O stalinismo trouxe pânicos. Muitos marxistas ficaram perplexos com os crimes, as intolerância, a sede de poder. Muitos liberais acenaram para fim das utopias e cantaram o êxito da agilidade capitalista.Será que há lugar para mudanças bruscas, reformulação dos valores, paraísos de igualdades sublimes?

Dúvidas refizeram teorias, minaram partidos políticos, intimidaram rebeldes. Faltam olhares para o passado e muitas profecias que encenam um futuro.As tecnologias ajudam o crescimento das riquezas concentradas. Não significam o reino do mal. Seria um erro destruir conquistas científicas, porém é preciso cuidados. O progresso manteve  desgovernos. Arquitetou enganos num meio de um sociedade repleta de fundamentalismo. Foge-se para o delírio das drogas, o desamparo se amplia, o velório dos sonhos ganha espaço junto com apocalipses radicais.  Portanto, estamos na berlinda, atravessados síndromes  mortais. Não subestime o que parece mínimo. As ousadias surpreendem a  quem se entregava ao fogo dos infernos.

Navegamos num barco de ruínas, sem mares parceiros, com estragos perversos e sereias que se foram para outros lugares. Não há, contudo,a morte da fantasia. Elas continuam. Certas utopias se enfraqueceram. Voltam preconceitos, armadilhas danosas, governantes idiotizados pelo poder. Não analisar o passado e um escorregão que distorce alternativas A crise não  é uma cria da contemporaneidade. Visitaram as guerras religiosas na Europa? Lembram-se dos colonialismos modernos? O militarismo romano não dizimou culturas? O iluminismo sacudiu pensamentos, o romantismo tocou na sensibilidade, os anarquistas celebraram a força da autonomia. Houve agonias e respostas. Não cessaram as ambiguidades , nem os trapézios astuciosos.

As reinvenções não desapareceram. Não há história sem buscas, mesmo que as intrigas inibam convivências amistosas e o terrorismo invada cotidianos. Permanências e mudanças devem  ser avaliadas. A história  não é uma travessia linear. Quem não se dá conta dos labirintos? Pinochet abalou a política que defendia o socialismo e lutava pela divisão das conquistas materiais. Não esqueçam de Freud, Picasso, Chaplin, Mia Couto… Se as crises inquietam e destronam otimismos, a capacidade de transcendê-las não desapareceu. O astral se encontra sobrevivendo, penosamente, e pulando abismos. Há ruínas.Elas não se firmam como absolutas. Há insatisfações e desejos. O desafio é suportar as contradições e compreender  o saber da solidariedade que não se desfaz. Há ilhas e necessidade de ocupá-las, desde que a intolerância sucumba.