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Neymar, Brasil, Noruega: misturas e vazios

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A agonia do mundo nunca é absoluta. A grande onda de informações invadem as conversas e causam imensos ruídos. Muitos deixam de lados os sofrimentos e começam a se preocupar com a vida das diversões. Abandona-se a petulância dos juízes e discute-se sobre a saúde de Neymar. Lula ficou na reserva e a política dorme na sombra de uma árvore. Para que perder tempo com corrupção? Vamos para medicina. Neymar é lembrado como um ídolo inquestionável, cidadão de posses e amores invejáveis..

Não faltam, então, polêmicas acirradas, Quanto custa tudo isso? Já há fofocas nada pacíficas. Neymar está no limbo. Pensou que se tornaria uma estrela mundial, mas as coisas mudam. Os franceses do PSG estão ouriçados. O planos milionários se multiplicaram em frustrações. A história não brinca e as incertezas se inquietam. Não adianta chorar pelos refugiados, pois o lúdico concentra atenção. O futebol é arena de especulações científicas.

O Brasil se derrete ou se congela. A multinacionais não esquecem suas ambições. Trump descarrega suas neuroses. O imperador do mundo quer bagunçar a economia. Gosta de armas e quer plateia. Não se vive sem pecados. Assim, os desastres ecológicos não se dispersam. A Noruega traz a poluição para nosso território. Não é um exemplo. Cuida das suas contas, promove um discurso de harmonia, porém deseja riquezas. O cinismo também se fortalece na política internacional.

O que se espalha é a desconfiança. A sociedade do cansaço perdeu rumo. Aposta nos espetáculos vazios, consegue iludir. Ninguém nega que há uma idiotização epidêmica. Se há fingimentos maldosos, os valores se despedaçam. Você sabe o que é generosidade? Deus criou o mundo para fazer acrobacias? Quem subverte a ordem? Portanto, o deserto do desengano se instala e faz contraponto ao arsenal de mercadorias. Tudo se esconde em caixas coloridas, onde cabem fardas e metralhadoras

Castoriadis trouxe uma expressão notável: a encruzilhada do labirinto. Temos poucos êxitos quando cruzamos as ideias em busca de desfazer os outros. Somos inimigos de quem? Somos dono do quê? Estamos tontos. Não cessam as construções de esfinges. Perdemos a autonomia quando as encruzilhas crescem e avisam que as saídas são pantanosas. As reflexões empalidecem e a especulação se amplia. Agora o assunto é o casamentos das estrelas, Bruna e Neymar. Quem ousa, quem se encanta? Parece que pensar virou um pesadelo. A ingenuidade dita o vazio.

A palavra golpe e o poder

 

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A política continua buscando cenários repressivos. Deveria ser criado o ministério da insegurança. Todos se habilitam a encontrar planos salvadores, mas terminam justificando cargos e tramando injustiças. Raul conversa com Michel que conversa com Segóvia que faz discurso afirmando a força da polícia federal.  Discursos medíocres de pessoas que cumprem trajetórias nada simpáticas. Mudam de partidos, querem ganhar espaço, custe o que custar.  Quem sabe se as indústrias de armadilhas aproveitam para globalizar fantasmas fascistas? Não se explora as agonias dos inocentes?

O desmantelamento da sociedade é profundo. O mundo se enche de drogas, de guerras, de pragmatismos, de lavagem de dinheiro. Saramago tinha razão. Vivemos como animais perigosos e vingativos. Por que prometer solidariedade? Prevalece a competição, a destruição do outro. Pune-se por uma copo d’água, compra-se voto, inventa-se julgamento.Numa crise monumental, chora-se por auxílio-moradia. Há um golpe em cada esquina, porém o cinismo supera qualquer crítica. Apesar das muitas falcatruas, ninguém quer sujar a camisa com tintas amarelas.

O Rio de Janeiro não é a capital de violência. Ela se espalha, forma cidades miseráveis, ruas esburacadas. O país padece,. Acompanhe a visita de Mendonça ao estado de Pernambuco. Financiamentos foram  feitos, demissões consumadas, um curral eleitoral se expande agressivamente. Como não ter receio se os debates são censurados e democracia assiste a um velório sem fim? As palavras tentam marcar presença para denunciar, porém o temor persiste e a mídia se revela dúbia. Aumenta-se a venda de lexotan.

Analisar a história não deve ser um jogo lúdico que favorece a grupos predatórios. A disputa não foge, ele usa recursos sutis e consegue manter ilusões. Há quem defenda a volta da ditadura e fique perplexo com a inteligência de um tal Jair. A lógica é poderosa e encanta os mais ambiciosos. Huck  diz que renuncia às suas pretensões, recebe ordens da Globo ou comunicou-se com Aécio. Alguma coisa circula. Será um novo golpe? Não vamos ressuscitar psicopatias ou síndromes antigas. Temos tempo para refazer a vida e não temer a morte.

Não despreze as histórias

 

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A palavra história não cessa de aparecer e de motivar polêmicas. Ela tem um lugar na academia, mas corre solta nas conversas cotidianas. Todos possuem uma história para contar. As mentiras e as verdades se misturam de forma radical. Há quem se choque e outros se divertem. O drama e a comédia atraem, deixam os contadores entusiasmados. Quem conta alarga as experiências, costura tempos, viaja. A emoção traz intimidade e comunhões. As plateias se formam e se confundem. A homogeneidade se fragmenta, pois a luta é sempre traiçoeira.

Mas a história na academia veste outras fantasias. Há regras, metodologias, vaidades. As fontes são destacadas. Os jornais são lidos para se olhar o passado e os acervos preservados para que memória fixe espaços. As disputas pelas verdades provocam intrigam. Os foulcautianos desprezam marxistas, os freudianos se queixam das mistificações religiosas e a desconstrução abala os donos de seculares tradições. Seria um erro consagrar uma única história.

Não dá para viver sacudindo no lixo as aventuras. Difícil é legitimá-las. Quais são as nossas necessidades básicas? Quem inventou as leis mais eficazes? Não existe uma forma de garantir as certezas. O acaso dança suas valsas e perturba os inseguros. Criam-se as ambiguidades. O bem e o mal atravessa caminhos, pois as sociedades cultivam dualismos. O mundo é múltiplos, mas nem todos contemplam as mesmas coisas. Há luzes e sombras.

Hoje, a confusão aumenta. No capitalismo, a desigualdade se espraia, expande a exploração. Mesmo as academias o canto da produção seduz. Vale competir, destruir os inimigos com reflexões e manobras burocráticas. O poder não sobrevive sem o saber. É preciso argumentos, ressuscitar Locke, elogiar Maquiavel, salvar as orações e desconfiar de Nietzsche. O capitalismo agita um moda global. O conhecimento é uma mercadoria valiosa, Alia-se com a paz e a guerra. O desafio se infiltra na ousadia, o virtual ataca quem vacila.

O historiador está, portanto, na beira do abismo. Quer se profissionalizar em busca de bons lugares e respeito social. A complexidade não sossega e desmorona teorias que pareciam indispensáveis. Os positivistas adoecem, Lacan reinventou a psicanálise, a sensibilidade pede passagem para questionar a razão instrumental. Depois que o conceito de inconsciente tocou o humano, muitas mudanças aconteceram. Os tempos se entrelaçaram. Ficaram pedras volumosas na porta do labirintos

Quem constrói o muro da felicidade?

 

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O mundo mostra-se inquieto, mas nem sei qual é o tamanho do mundo. A complexidade se arrasta pela vida, desde que Adão conheceu Eva e resolveu desobedecer. Não há como escapar da rebeldia. Aqueles que são passivos e tolerantes também possuem suas crises. Nada está quieto ou escondido para sempre. Temos muitos desejos e uma incomensurável incompletude. Portanto, não faltam tormentas e os caminhos ficam curvos, o medo assombra, a respiração é fundamental.

A felicidade ronda a vida É um espelho, muitas vezes, embriagado. Como a eternidade é um mito, não custa deixar que os sonhos avancem e nos abracem. No entanto, a construção da felicidade é a utopia maior. Pisamos em planícies, sentimos brisas agradáveis, mas nos atordoamos com os limites. Não há como se afastar dos limites. É claro que aparecem descansos, planejamos saídas. Os romances contam histórias que nunca se acabam. Não podemos desprezar as ficções.

A felicidade brinca com a infinitude. Ela não existe, é apenas uma imagem que  lembra uma música de Piazzolla, quando viajamos nas fantasias. Tudo possui uma fragilidade. A vida não permite uma só cor, nem gosta de linhas. Flutua, escapa de pântanos, conhece mares estranhos. O espaço da fragmentação não se ausenta. Reagimos, inventamos, contudo os escorregões acontecem. O ponto final fica na escrita. Um território dos desertos é também simbólico e estreito.

O ser humano casou-se com o mistério. Sacudiu a imaginação, criou deuses. Será que a cultura conseguirá ultrapassar as perguntas dos mistérios? Não sei. Sinto, logo existo. Vejo permanências e desmantelos. Aquelas reflexões da Maquiavel não me seduzem. Elas estão nos governos dominantes. É um sinal de que o abismo não se foi, que a ameça do temor é estratégia de quem assume o poder. Se a felicidade encantasse o mundo, não teríamos tantos genocídios! O mundo se enche de predadores. A cumplicidade se perde, pois a competição traz a nudez da crueldade.

Um dia, talvez, a certeza desenhe seu lugar e evite que as dúvidas sufoquem o cotidiano. Não temos destino, porém, histórias. Há quem se cerque de teoremas profundos e reforcem o drama. Quem busca explicar, se angustia com a rota das causas e consequências. Napoleão desejou a Europa; Hitler propagou a esquizofrenia; Trump se enxerga no espelho de Narciso; Temer se diverte com suas feições de Drácula. Não espere o outro carnaval. O mundo é aquilo que o incomoda.

A melancolia do zero

A MELANCOLIA DO ZERO

Pegue o passaporte da viagem e escolha o desenho da fantasia.
Não se entregue ao psicodélico, nem a droga que matou Hendrix.
Não tome uma carona para Woodstook e relembre maio de 1968,
esqueça um pouco da folia e ressuscite as utopias possíveis.
Sinta que canhões assustavam crianças no Vietnam e permanecem na
Síria.
Há muita gente na beira do abismo e refugiados são expulsos de Paris.
Arraste o significado do tempo, assista a um concerto do Pink Floyd.
Siga o som que derruba os muros e atemoriza os acadêmicos do Sucupira.
A viagem é instável como uma História sem fim e uma repressão ensaiada.
As linguagens são múltiplas como os sonhos de bebedeira anônima.
Segure o passaporte com as duas mãos, lembre-se de Stalin e Franco,
aposte que o presente se vinga do passado e grite sem medo.
Pare na sombra de uma árvore que não tem perfume,
e não se desgaste com as memórias da primeira comunhão.
Feche os olhos que a música é a arte da vida e ritma o medo.
Dance com os deuses embriagados pelas invenções tardias,
conte sua história rápido antes que se vá de si mesmo.
O eterno retorno é brincadeira das astúcias de Nietzsche
protegidas pelas cinzas coloridas de um vulcão de Pompéia.
Recorde os mitos de origem, contemple uma porta
entreaberta no labirinto que forma o paraíso.
Não entre, o pecado original é delação premiada,
a culpa é curva, a serpente é branca e a maçã tem a poeira
amarga de um inferno que sacaneou a vida.
Suspeite que o poema é uma fuga e História , a melancolia do zero.

No meio da festa, os desgovernos e as apostas

 

 

Não pense que a política tem descanso. Numa sociedade, sem perspectivas tudo se inventa. Os vampiros andam soltos nas fantasias e ninguém consegue entender o que quer. A política tornou-se campo de apostas e cinismo explícitos. Nada tão radical em tempos que se precisa de lucidez e dignidade. Há prisões e juízes que não geram confiança. Vive-se de golpes. Justificam-se auxílios e o carnaval significa uma vitrine para esconder violência. Há filosofias herdadas das entrevistas programadas para assustar. É preciso cuidado.

Todos querem ser presidentes. Não se incomodam com projetos. Lembra o tempo de Collor. Lula se agonia com as pressões da justiça. Huck mostra que a Globo sugere poderes. Fernando Henrique aparece com conselheiro. Marina ressurge com declarações vindas de algum velório. As misturas alucinam. Quem  acredita em alguma verdade? A mídia desfila boatos, não se assume como espaço crítico. O esquema é a ampliação do mercado, fazer jogos divertidos, fragmentar.

Quem imagina que os carnavais são delírios momentâneos não ilude. A festa virou um espetáculo que satisfaz ao capitalismo e alivia certa dores. Depois, as questões se aprofundam. O Rio cai no pântano, Temer refaz a palidez, a violência não foge, o tráfico ganha força com o chamado crime organizado. Muita sofisticação, pronunciamentos solenes e memória de 64 atiçados. Os militares se perdem na repressão. Não sabem como lidar com as astúcias do PCC e largam-se em aventuras nada solidária.

Lamentam-se a descrença em deuses, a nudez promocional, a miséria continuada. O mundo gira, mas a cultura repete escorregões. A situação é caótica. A Europa grita com medos refugiados. Os Estado Unidos vendem armas e provocam chacinas nas escolas. O silêncio tenta apagar a história. As atrocidades não são recentes. Elas trazem a marca das vinganças e a raivas dos ambiciosos. Os homens são predadores, inventam teorias, acumulam genocídios. Muitas utopias sucumbiram, porém fechar a porta é negar o direito de respirar. Ninguém, quer morrer sufocado.

Afetos mortos

     Desatravesse as curvas de um passado distante.

Não negue que o tempo tem definição pronta

e olhe o outro no espelho da vida que atiça.

O mundo se enche de acumulações vazias,

de mentiras que castigam inocentes e vadios.

Não aposte no futuro desencontrado

e conte o avesso  dos preconceitos medonhos.

Desmanche a história que se abraça com a culpa.

 

Neymar e Chico: as vitrines traiçoeiras

A sociedade curte uma diversidade incrível de fantasias. Ela gosta de ídolos, inventa deuses, adora imagens. Diverte-se. A vida é dura, mas não custa procurar saídas e não morrer na desilusão. O capitalismo não descansa. Estamos vivendo períodos de intensas tensões e brincadeiras. A globalização não garantiu segurança. Existem muitas fronteiras armadas e uma farmácia em cada esquina. Cuidado para não entrar numa boca de fumo. Lá moram figuras espertas e alguns policiais conhecem as cartografias do lugar. O comércio está ágil, a comunicação é veloz. Os tempos estão nublados, pois a desconfiança ocupa territórios amplos.

No Brasil, só há ordem e progresso na bandeira. Ninguém se entende. Não esqueça que a lavagem de dinheiro ganhou um espaço monumental no universo das notas. Veja quanto custou Neymar? O futebol fez amizade com máfias bem administradas. Há grana que dá para encher qualquer palácio. Aparecem figuras que negociam com especializações sutis. Quem pode adivinhar o sentido das suas manipulações? A imprensa delira. As notícias correm o mundo, chegam nos desertos, dobram nos barracos das favelas, se deitam nas areias da praia. A França jogou fora memórias iluministas. Deixou Descartes tristonho, toma Revotril.

Não se aflija. O mundo se movimenta, ninguém se estabiliza e o amanhã talvez seja tenebroso ou mesmo maravilhoso para quem cultiva a mediocridade. Bolsonaro tem admiradores. Temer gasta seu estoque de Viagra e há doutores que julgam as delações premiadas a salvação do Brasil. Celebram a figura do Moro, criam altares, desconhecem a crítica. O fanatismo não cessa. Vivemos num messianismo que alcança distâncias imensas. Ele tem cores políticas misturadas, traz novas curvas de convivências, vibram com as mentiras. Quem  é culpado: Lula, Chico, Cunha, Maia, Neves? É um jogo de apostas  e raivas no coração.

Chico está sendo fulminado. Há quem o detone sem medo de enganos. Virou um machista desenganado ou um petralha que se encanta com Paris. Pouca atenção é dada às suas obras. Sumiram? É uma época de lavar tudo. Não é à toa que surgem negociatas, que a política investe na falcatrua. Quem se mostra descontente sofre torpedos. A lógica capitalista se insere até no afeto. Concentrações de riquezas, de invejas, de vaidades poluem o mundo. Neymar estreia com festa, torna-se um herói, representa a majestade. Cada um escolhe sua fortuna, sua alegria, seu analgésico. A loja de máscaras lucra, vende comprimidos de cinismo. Não nego: Neymar é craque e Chico, o poeta. Não tenho nada contra eles. São, profundamente, diferentes, mas inventores de magias Você quer ser mágico?

No meio do mundo: as verdades e as mentiras

Há insistência na busca de verdade, desde o início da história.Existem os contrapontos. Não há uma verdade absoluta, embora muitos cantem o eterno. As suspeitas não desaparecem. As concepções de mundo se transformam de forma veloz, sobretudo no tempo que vivemos. Há dúvidas e subterrâneos  inundados por fantasias. A quantidade de meios de informações cria guerra invisíveis que tumultuam iludem. A política fala de uma democracia que não se firma nunca. A fragmentação se constrói e assusta. Como evitar os pesadelos iluminados pelo sul?

Um mundo homogêneo não tem tamanho. Há sempre conflitos e desacertos. As crenças religiosas se abraçam com  salvacionismos. No entanto, não esqueçamos das mercadorias. A força do capitalismo é avassaladora. Como pensar  em mudar a lógica da acumulação? Há pertencimentos estranhos, bandidagem sofisticadas. Não são novidades. As manipulações constantes fermentam desconfianças. As redes sociais agilizam emboscadas e boatas. As ciências vendem fórmulas e os assaltos aos cofres públicos desmontam planejamentos.

Nota-se a dissonância. O fascismo reaparece incentivando o corporativismo. Sobra espaço para violência e falta controle, ordem, regras que possam ser discutidas.  Não entre no trem que não respeita as fronteiras, porque os desenhos do apocalipse transcendem fronteiras diplomáticas. Portanto, as perguntas dizem do medo e não ouvem respostas. Diante da multiplicidade da cultura a globalização é frustante e não celebra a paz. As discordâncias crescem e empurram os fantasmas da instabilidade.

Não se trata, aqui, de forjar cenas bélicas com palavras vazias. A história prometeu revoluções, os socialismos queriam igualdade e a ciência alimentar o fim dos preconceitos. Infelizmente, os profetas, às vezes, acertam. Leiam o que Marx escreveu sobre o capitalismo, o que Darwin elaborou sobre a evolução das espécies, as teses de Freud sobre o desejo e sonho. Aquela racionalidade encantadora se perde com os golpe cotidiano que pouco explicam. Será possível esconder o animal que persegue e se vinga? Sera que Nietzsche conhecia a loucura?

O mundo dividido esperneia, grita, busca soluções. Muita gente sem moradia, andando pelas ruas, fugindo dos desertos, preparando terrorismo. Difícil é apontar o equilíbrio tão elogiado pelos gregos. Talvez, um dia, as palavras possam assumir outros significados e verdade e mentira não provoquem assédios ao poder. O que está na vitrine é a incerteza, o massacre das informações, as astúcias dos cínicos. Porém, o silêncio incomoda. As reflexões inquietam. As rachaduras do mundo já estavam abertas no paraíso. Adão e Eva não se enganaram. Escreveram a história.

O descanso de Deus e a corrupção disparada

 

O assunto se repete com muitos escândalos. Todos jornais se armam de notícias de delação. Os procuradores buscam novidades, colocam intrigas, mexem com as leis. Nada novo com a corrupção e seu percurso na história. Não sei se existe uma natureza humana. Isso é discutível. Mas não há períodos sem desacertos. Hoje, vivemos um mundo de multidões. Pessoas se espalham por territórios imensos, querem qualidade de vida. A luta é grande e os ensinamentos de Maquiavel ressuscitam. A política traz pactos e sinistros. A perplexidade não tem sossego e nós esperamos o pior ou as mudanças ocorreram depois das inquietações?

Nem todos são corruptos, porém o crescimento da capitalismo facilitou manipulações e desigualdades. Há hierarquias bem articuladas e especialistas em promover emboscadas. No Brasil, as explosões de vingança metem medo. Fala-se num modo petista de governar que destravou tudo. O sistema se azeitou e disparou a fuga de milhões. Não vejo um único culpado. O sistema funciona com alianças. Está também nas grandes potências. Observe os Estados Unidos, nem todos são ingênuos. A concentração de riqueza derruba maiorias, cria tempestades e misérias. Intelectuais nublados não sabem que ônibus pegar.

Há uma guerra no campo das informações. Elas são rápidas, vestem-se de urgências. Mentiras bem elaboradas assnham debates. A sociedade dividida parte para intolerância. A agressividade ganha espaço, os enganos ferem, muitos se sentem excluídos. Quem são os culpados? Moro é mesmo o símbolo da justiça? Como Lula se organizou no meio de tantas tramas? O que quer Temer com sua turma? Muitas perguntas surgem e as alternativas não deixam de formular inquietudes. Os demônios e os cínicos se expandem como figuras comuns. Há os apavorados com o rompimento de direitos e deveres.

Quem cogita o fim do mundo talvez desconheça a memória. Esquece do fascismo , das guerras mundiais, da época de Vargas, dos governos militares, da máfias políticas. Os exemplos não se esgotam. A corrupção animava grupos, não era propriedade de um único senhor. Houve uma sofisticação. Golpes se renovam e estratégias tecnológicas ultrapassam hábitos tradicionais. Estamos num mundo confuso, com referências esfarrapadas. As acusações não cessam, pois a insegurança e o desamparo oprimem. Os pesadelos aumentam, porém os lugares do sonho lutam contra a escassez. Há fôlego, não custa combater a apatia. A complexidade exige olhar atento. Até Deus descansou no sétimo dia.