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Pisando nas armadilhas minadas

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Faz tempo que a violência se tornou manchete principal. Falo da violência física. Há também escravidão, preconceitos, cinismo. As críticas existem e ninguém gosta de se sentir ameaçados. Os ruídos se espalham, assumem redes sociais. No entanto, não exagere. Há quem argumente e coloque a violência como um mal necessário. Ninguém é ingênuo quando percorre a história. Houve muitas guerras, militarismo. As  utopias trouxeram alentos, revoluções, possibilidades. Mas e as bombas, as armas sofisticadas, os discursos das lideranças? Quem aposta num mundo sossegado? A desigualdade atemoriza e a grana atrai. Há tensão constante.

Portanto, temos medo. As assombrações nos visitam. Somos animais predatórios e assimilamos traços obscuros. Muitos desamparos. elogios aos milicianos, mortes anônimas. A violência é parteira de uma história repleta de incêndios e neuroses. É claro que se usam fabricações de vitrines brilhantes. Não faltam ilusões. O capitalismo sabe se assessorar, possui especialistas, compra saberes, monopoliza a comunicação. Não é à toa que aparecem os adeptos, vendo a felicidade em cada esquina. Perplexidades para alguns que promovem a racionalidade iluminista, esquecendo o ódio ensinado até nas escolas, as antipatias que geram intrigas.

A contaminação do descontrole se globaliza. Os donos do poder não poupam ideias, se fazem de vítimas, convocam doutrinas religiosas. A mistura dificulta a luta contra os desmanches da ética. O perigo é controle cotidiano feito de for,a sistemática. A imprensa fermentou a queda de Dilma, agora tira o tapete de  Jair. A quem ela serve? No meio da tantas perversidades, a lucidez consegue permanências. O desespero vai e volta, porém os gritos não deixam que a hipocrisia se consolide de vez.  Mata-se como num jogo de computador. Delírio.

Moramos cercados de armadilhas. Vacilamos quando a rua se enche de carros e apitos. Como se distrair? Como sentir a solidariedade? Com acolher quem se lança na loucura? A história ensina. É uma mestra, com muitas lacunas. É preciso construir a autonomia, duvidar das promessas religiosas, observar as  mentiras assassinas. Se o diálogo se resume ao teclado de celular, a doença aumenta, os psicotrópicos disparam, a lama invade qualquer espaço. O poder tem cultos articulados e se infiltram até nos espelhos dos banheiros. Cuide-se e cuidado com o individualismo. A inocência não se vende em mercados. Os sustos interrompem o sossego e intimidam.

Você conhece sua história?

 

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A velocidade manipula notícias, destrocando verdades e  inventando fantasias. A confusão se globaliza. Já se espalha como uma brincadeira que assombra redes sociais. Faz parte do cotidiano. A política, então, se desmonta. Quem quer mesmo mudar, refazer a solidariedade, denunciar os  grupos mafiosos? Há suspeitas imensas e cinismo elaborados com sofisticação. A  quantidade de informações mostra a superficialidade. Ela atinge a reflexão, inquieta. E a sua vida, a suas memórias, as possibilidades de voo? Cada um dentro da sua história se esconde  de forma nada lúcida. O outro passa a ser o alvo.

Não custa ir adiante, voltar ao passado, se lembrar das conversas longas. Compare com a  rapidez do zap. Não há cuidado. Vale a propaganda, a exaltação ao charme, a dubiedade sempre presente. A história se mistura com a memória que interessa aos dominantes. Foca-se no comportamento  embriagado.  Retoma-se trivialidades. Você termina se desconhecendo, não entende certos isolamentos,se acha estranho. Não é à toa, portanto, que a sociedade se sinta no meio de tantas controvérsias. A  Venezuela é artigo do dia, a grana pública serve a minorias, a  China amplia seus poderes, as milícias ditam normas agressivas.

Você se  olha no espelho. Sente a pressa. Como imaginar o futuro ou ousar? A repetição consegue prevalecer, embora use cores plastificadas. A   chama do poder arde, as academias buscam decifrar desenganos, sem  observar que  as máscaras  garantem sucessos  surpreendentes. Não é que as utopias  se apagaram  de vez, que estamos num meio de niilismo absoluto. Existem sonhos, porém a coisificação elege o mercado, o outro é empurrado. Tornou-se comum o deboche. Não pense que as transformações técnicas garantem a superação dos impasses.

O tempo para contar sua história é curto. Você se perde nas mensagens fugazes e  posta  suas fotos para uma plateia. De repente, nem você sabe  se as  lembranças da infância  ajudam  a  construir seu afeto. O negócio puxa, artificializa.   Como  avaliar  seus alicerces? O salário é instável, o vizinho mal humorado.Tudo fica transtornado, num cotidiano que se firma nos desencontros sociais. A  sua história se perde. Seus esquecimentos se vestem de neuroses. As  terapias enchem as farmácias de clientes atordoados. Há quem nem se envolva com o mundo, cultive o descompromisso. Para quê?  A tempestade é parceira  do juízo final.

O contágio familiar

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As polêmicas correm soltas e apreciam moradias nas redes sociais. Notícias rápidas, escândalos, intrigas. Não faltam mentiras, invejas, exageros políticos, laranjas artificiais. A família de Jair é veloz, Deveria possuir uma agência de publicidades. Está deslumbrada ou brinca com a própria sorte? Tenho dificuldades de responder. Não nego que há fantoches políticos. Seria ingenuidade defender verdades totalmente pálidas. Os atordoados gostam de perturbar, porém escorregam traçando contrapontos nada saudáveis. Lembre-se das derrotas de Hitler, dos excessos de Pinochet, do discurso ufanista de Franco. A   atmosfera  é sombria, cheia de perfumes vencidos.

Lamento que as utopias passem por crises radicais. Isso traz melancolia, apaga luzes, incentiva o pragmatismo. Não é sem razão que o deboche assume lugares e destrói reflexões. Se afirmam que Jair é um mito, é porque as confusões nos valores crescem e existem pessoas querendo proteções extras. Nunca esqueço Freud. Há quem curta se mostrar inocente, mas se esconde em profecias tenebrosas, arquitetam pesadelos. Os atos falhos não deixam de invadir as conversas. Conheço quem condena aquilo que adora só para firmar posições e exibir sabedorias.Sobram hipocrisias.

Jair fortalece moralismos. É dono de artimanhas perversas. Consagra crenças, exalta a família, celebra a pátria. Há grandes disfarces ou distúrbios frequentes. No entanto, ele é o governante, deveria dar exemplos, consolidar coerências, fugir de qualquer corrupção. Frustra seus fans. Tudo está mesmo num abismo sem fim.  Ele conta com assessorias afetivas e festeja-se. Não sei no que aposta. Saiu cedo das forças armadas. Exerce o poder com a ajuda de generais. Mourão faz uma sombra divertida ou prepara surpresas?  As perguntas circulam no meio dos boatos.

A perplexidade é imensa. Cria asas e pousa na imprensa internacional. Jair tem adeptos fanáticos. É um fundamentalista, seguidor de princípios conservadores. Quer soltar a economia e  auxiliar a concentração de riqueza, porém não deixa de se queixar da educação e ameaçar os artistas. É ambíguo ao extremo. Não há esperança de que  mude o Brasil e limpe a sujeira. Estamos vivendo impasses perigosos. A população se rebela no carnaval, grita, canta, ironiza. As insatisfações se ampliam. Jair se segura, simula ser dono de pureza inatacável. Não é um anjo que se acolhe em solidariedades. Manipula sem desprezar seus afetos familiares.  A corda é bamba. Cuide-se.

Quem se frustra na sociedade delirante?

 

 

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A velocidade da comunicação atinge quem fica imaginando que o mundo está lúcido. Há muitos jogos e buscas de sensacionalismos. É difícil verificar quem se abraça com a verdade. As palavras mudam de sentido e a balança da justiça desconhece o equilíbrio. As  redes sociais deliram com a possibilidade da esculhambação. talvez, seja deselegante usar certos termos. Porém, existem regras ou o exibicionismo é uma epidemia? O carnaval traz novidades, rebeldias, ironias que circulam com rapidez. Nunca foi uma festa de comportamentos controlados. No entanto, soltaram-se todas as medidas e os choques se ampliam. A noite sente falta das estrelas.

Poucos analisam a sociedade com paciência. Mesmo no cotidiano do trabalho, há agressividades ou deboches contínuos. A tensão está nos mínimos detalhes. O clima de suspeição veste as pessoas. A lógica da competição não dá folga. O negócio derruba valores, desmonta solidariedades, justifica desmandos. O governo brasileiro virou perplexidade ou loucura? Quem não vê os absurdos que desfilam nos jornais? Sempre há delírios, porém as desconfianças acendem as luzes que revelam um conservadorismo cruel. Brinca-se de ser mal, com a ajuda das milícias. Cai a credibilidade da política e da representação institucional. Atolam-se os pés no pântano da dúvida.

Notam-se disputas por milhões para simular caminhos salvadores. O buraco cresce. O canto da renovação é pura farsa.Não mudou o desejo de sacudir a poeira, de rever o passado, lutar por práticas longe do mesquinho. Falo das artimanhas do Congresso Nacional. Moro se desgasta, procura alianças. afirma ambiguidades. Era a grande figura dos que se colocavam contra corrupção e se abusavam com  o passado petista. É claro que houve escorregões, obscuridades. No entanto, a história não é apenas espelho de messias ensandecido. Um dia, a casa treme, a lama se infiltra,o discurso se esvai com tolices imensas.

Negar que as melancolias assustem e tomem espaço, fugir da crítica é um suicídio. Ouvi pessoas defendendo as torturas, totalmente adoecidas, dói. A sensibilidade adormeceu, para muitos, e fundou-se um moralismo com modelo nas gracinhas de Trump. Não se sabe o tamanho das perdas quando o fanatismo se mistura com crenças e mercados nebulosos. Há inquietações. O futuro merece escutar profecias. Chegam pessimismos, criam-se autoritarismos, vendem-se honras, antes, indiscutíveis. A democracia agitou, atiçou utopias, prometeu ofuscar a desigualdade. O capitalismo não se foi, dita normas excludentes. A exploração não se apaga e tranca a porta da sala iluminada.

O mundo do exílio e da folia

 

 

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A festa é sempre uma pausa Pode aliviar lembranças pesadas e sacudir o coração para visitar a alegria. A celebração da multidão em busca do paraíso causa arrepios. Tudo passa rápido, mas a embriaguez não escapa da ressaca e  a  rebeldia surge com humor inusitado. O mundo gira, o salário chora, mas não há como se desfazer das máscaras. Não é difícil desenhar um sorriso sem negar que outros dias travarão sonhos. A complexidade da vida cabe nas latitudes do corpo. É uma travessia que segue pelas estradas. Não a imagine sem curvas. Assim a festa aparece porém seus arranhões escondem certas marcas inesquecíveis. Não é ingênua, se escancara.

Não adianta simular. As multidões se soltam, esquecem que na esquina há fantasmas. Enquanto o ritmo balança, a solidão não se congela. É preciso que as ilusões se misturem e que o exílio seja metáfora colorida. Deixe os enganos desabrocharem, pois as verdades fecham caminhos e apagam futuros. As festas não se vão para que o cansaço não se torne absoluto. O desemparo persiste no meio do som, mas traz alguma traço de algo que voa e desaparece. Portanto, as estranhezas são íntimas, o outro merece cuidado, embora os inimigos surjam no final de sonho que se abala com os ataques dos desprezos. Sobram questões mesmo no meio da folia.

Muitos se aproveitam das festas para fugir do poder. Agarram-se nos camarotes para ver a massa no seu delírio fugaz. A  cultura é produção de significados. Se as ruas se enchem de suor e cerveja, há quem prefira sabores estrangeiros e  se agradem com espaços escuros. Uns se arriscam, outros querem proteção. Tudo é uma aventura com limites acrobáticos. Não faltam surpresas, as brincadeiras disfarçam violências e os preconceitos e as ironias se  mostram nas nas cores. Tudo tem um preço. É a celebração da desigualdade com vestimentas de delírios. Luxo e lixo sem fronteiras e com acasos.

Se o ponto final anuncia que o  desmantelo é o mesmo e o desamor não se foi do mundo, não precisa bordar um pano como se arquiteta um labirinto. Impaciente-se, mas não se anule.Os seres humanos não conseguem segurar as utopias e trazê-las para o mundo cotidiano. Na sociedade do consumo, o efêmero possui moradia fixa. Não se desespere. A festa está envolvida por calendários. Não vai para o inferno, apenas tira férias e espalha epidemias. Os refúgios suavizam as saudades. Um dia, seu exílio adormece. Quem canta seus males espanta sem observar o eterno retorno que cerca a história.

O pântano da dor desmancha

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Ninguém conhece uma história sem sofrimentos. A linearidade é apenas uma ficção tola, pois o coração não bate sempre no mesmo ritmo. Podemos imaginar paraísos, mas não há como negar  os desencontros e os limites. Somos animais sociais, existem cooperações, solidariedades. Insisto,porém, que a lógica capitalista é destrutiva. Ela estimula a  vaidade e o desdém pelo outro. Isso transtorna e mistura os valores. O mundo atravessa por estradas cheias de pedras. Há desenganos ferozes, risos de hienas mascaradas, disputas que multiplicam o mesquinho. Valem:   discurso do sucesso, o excesso na competição, as palavras de um zap traiçoeiro.

Não se alcançou o que os iluministas profetizam. O mundo vive guerras, desenvolve ruínas, monta espetáculos perversos. Quem  não observa as  provocações, o  desprezo, o  deboche? Tudo no  espaço dos sentimentos mais íntimos. As  idades afetivas estão obscuras. Os filhos de Jair balançam maldades e   gostam de levar vantagem. Não possuem  o andar da dignidade. Não se trata de  jogos  políticos, de ambições por cargos. Eles   exercitam o desfazer, a falta de sensibilidade. Parece estranho, porém os noticiários não negam as chamadas pegadinhas  da família Bolsonaro. Elogios a ditadores e agressividades festivas compõem um quadro sem  luz para quem  proclama a honra das famílias. O que significa?

As surpresas mostram os limites da sociabilidade. Muitos não percebem que há  práticas que arruínam. Se o ódio se expande as  epidemias do medonho não cessam. Desmontar sentimentos, conseguir adeptos, atiçar vulcões. Fica a marca do vazio. Alguém não se toca com as  lágrimas, alguém se acha senhor das ações. Desconhece o inesperado, porque desconhece as idas e  as vindas da história . O que se pretende estimulando o ressentimento, desqualificando os outros no anonimato das redes sociais? Freud tinha razões para afirmar o inconsciente e a agressividade. Quantas relações  há guardadas e prontas para explodir o individualismo?

Se o limite nos acompanha, temos que não sucumbir diante das suas amarguras. O absoluto aparece nos sonhos, porém as dores não se vão das histórias e os afetos atraem contrapontos. Negar a ambiguidade é trazer o mito como espelho indiscutível do humano. Ele é uma narrativa dos escorregões e  das possibilidades. Consagrar armadilhas para afundar os outros é ampliar  os abismos e desmanchar futuros. Os sentimentos denunciam comportamentos. A  saciedade governada pelo  incentivo à desigualdade não escapa de mergulhar no pântano. Não há vacina para quem se banha com as atmosferas perversas. Amanhã será outro dia de qual calendário?

Kafka: as palavras desenham o vazio

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Reclamo das ambiguidades e dos cinismos que cortam o cotidiano. Não faltam denúncias. As tensões existem em todos os lugares.Mesmo com a folia trazendo delírios continuam os desfazeres. Será que a história nunca anulará a desigualdade? Penso que as utopias assanham nostalgias que nunca se concretizaram. Mas as ilusões entram nos desejos. Kafka pediu para que seus escritos fossem queimados. Não foram. Permanecem atuais. Lendo O Castelo, observo as tramas absurdas. As palavras vão e voltam. As pessoas sofrem pesadelos, se cobrem com desgraças, decifram enigmas agressivos, se cobram como  pecadoras desmontadas. não se decifram.

Não é o caos, porém há inutilidades frequentes. O poder fascina, nem os saberes conseguiram arruinar as ambições. Criaram-se expectativas, consagraram lideranças, inventaram leis ditas democráticas. As guerras não se foram, o petróleo atrai disputas e  as acusações fermentam intrigas. Apontam saídas e expandem violências. Sempre as grande riquezas subordinam, congelam rebeldes, entram na onda de discursos falsamente generosos. Os traços das armadilhas firmam escândalos transformados em espetáculos televisivos. Nada transcende.

Kafka envolve, sacode os cinismos da burocracia com uma sutileza singular. As relações humanas ainda conservam travessuras simbólicas opressoras. Procuram-se respostas. N’O Castelo, os fantasmas mudam de espaço, no entanto não abandonam o medo ou mergulham nas aflições. Kafka possui fôlego, não vacila. Arquiteta labirintos. O absurdo traz narrativas. As palavras tentam justificar a sociabilidade que explora exaustivamente. A sociedade não busca se reinventar? As aventuras do século passado inquietam as contradições de hoje? Um grande círculo fecha as portas e deixa as dúvidas torturarem.

Quem capta o movimento da história não foge de muitas mesmices. Kundera que o diga. As acelerações tecnológicas não anulam os paradoxos. Para que serve a energia atômica? Quem se abastece com as reformas? As religiões salvam ou se infiltram em jogos condenáveis? A escrita de  Kafka não se esgota na beleza e na densidade. Não desarrume a memória, imaginando as sagacidades renovadas. Quem se fixa no presentismo intimida e censura. Assassina-se a reflexão  para que as dominações preservem as minorias. Visite Kafka e não se engane com os espelhos dos negócios. Desconfie das acrobacias fabricadas nas vitrines.

O trabalho: a exploração desmonta a vida

 

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O trabalho ajuda a animar a vida. Envolve-se com a cultura. Nada como inventar o cotidiano, desfazer impasses, conversar com as descobertas. Restam dúvidas. O mundo não é o território do absoluto e as ilusões da carnaval trazem alegrias fugazes.Não adianta construir paraísos em lugares que armadilhas são criadas. O trabalho está, hoje, submisso às manobras do capital. Não está fácil imaginar sonhos, pois se acirram as disputas e as instituições financeiras ajustam suas manobras. Preste atenção. Mais uma se prepara, com a chamada reforma da previdência.

A sociedade mudou. Seu ritmo busca outras regulações. O trabalho está ligado a circulação da grana, a luta pela sobrevivência. Desconfie. O mercado é um cenário nada neutro. Quem controla o poder? Quem elogia as medidas tomadas pelo governo? As enganações são muitas e os banqueiros vibram. Observe como anda o Chile. Pense nas possibilidades futuras. A tecnologia transformou as necessidades. As máquinas resolvem impasses antigos. Mas e a qualidade de vida? Com quem dialoga sobre as suas aflições? Qual é valor da vida?

O mito da felicidade é perigoso. Alimenta anúncios, inquieta expectativas, apagar dificuldades. Quem controla os meios de produção dita as normas. Não é à toa que a sociedade passa por conflitos. A  globalização não desfez diferenças. Assegurou a força das grande corporações, aumentou o número de refugiados, fortaleceu o monopólio. O capitalismo se rearruma. No Brasil, as experiências políticas recentes envolvem debates e consolida ressentimentos. A complexidade assalta as tomadas de decisões e a profissionalização crescente da política é algo cercado de jogos predatórios. Já se fala em acordos no Congresso, promessas de cargos e milhões…

A sociedade se movimenta, a história não se congela. Não custa visualizar a memória, visitar o passado. O trabalho já enfrentou escravidões. Elas nem se foram de vez. Mascaram-se .O negócio é feito para a satisfação das minorias. Se a exploração marca a ordem social, nada será construído com generosidade. Houve eleições, vitórias, escolhas. Tudo virou um espetáculo que as imagens comandam. Há quem não se toque e nem acredite em conchavos. Estimulam vinganças, se desligam da dignidade. Quem domina não quer perder centavos, Coloca cores onde a palidez escondida mostra tempos perdidos e desamparos profundos.

Não despreze o fetiche da mercadoria

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Há muita sedução. Não somos distantes dos encantamentos.Eles ganham formas históricas, voam, se projetam no infinito. Seria cruel cultivar apenas aridez. As lamentações nos atacam, mas também partem. A vida se desloca com rapidez quando a sociedade se enche de ilusões. No mundo atual, não faltam novidades e deslumbramentos. Muitas tecnologias, mensagens rápidas, impulsos atravessados por celebrações contínuas. O capitalismo se move, precisa de acumular e não deixa que o superficial morra. Poucos conseguem compreender que as manipulações envolvem e derrubam reflexões.

Muitas mercadorias, trocas agilizadas, exploração das redes socais, modas cativantes. O fetiche insiste em se aprimorar. Seus espaços são amplos. Invade os jornais, corrompe saberes, enaltece o vazio. Há teoria para argumentar e multiplicar as necessidades. Portanto, fugir do fetiche é uma façanha. Ele possui disfarces complexos, faz festas consagrarem marcas e ditos. Somos senhores de quê? A propaganda se infiltra no desejo e sacode o que parecia sepultado. A memória balança diante de nostalgias fabricadas. Globaliza-se a insensatez.

Se no futuro haverá mudanças não se pode adivinhar. O fetiche é poderoso, a grana tem magia, as armadilhas não cessam. Armados de tantas enganações, vemos os afetos se transformarem em coisas. O Eros entre no colapso cotidiano. As ousadias do último modelo do celular inquieta o cartão de crédito. Somos vitrines ambulantes, estimulamos os simulacros, nem nos lembramos das desigualdades, do lixo que corrói as avenidas, das intrigas dos vizinhos arrogante. Marx não errou quando alertou para os feitiços. Eles acompanham a história.

O reino do capital não assumirá apatias ou recessos que o prejudique. Seus desenhos fixam valores que se assanham nas mercadorias. É esperto.Qual a cor mais esfuziante? Conhece o restaurante da esquina? Compareceu ao lançamento do novo automóvel da Fiat? Não faltam apelos. Há quem resista, se esconda lendo um bom romance de Auster. Outros não perdem as ondas. Se a inutilidade se propaga é uma questão de escolha. A sociedade preenche-se se vestindo com as mercadorias de destaque. O ter é forte, possui conteúdos, consolidam disputas. Todos querem ganhar. Daí, a complexidade que assusta e recomenda uma terapia profunda. Não se recuse, porém, a olhar a sua imagem.

A memória não se aquieta

 

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Fico pensando nas coisas que aparecem e depois se vão. Há teorias efêmeras, outras fazem sucesso e se fixam como decifradores das histórias. Portanto, a moda acompanha as trajetórias. Nem sempre é a qualidade que dita os rumos. Tudo tem uma complexidade que só aumenta. Muitas culturas se confrontando, muitas tradições sendo ameaçadas pela globalização. O debate sobre a memória assume um lugar especial. Quem lê, sabe que a memória está presente em quase todas as páginas. Na academia, é assunto polêmico, mas, curtido. Surgem as perguntas, as travessias intelectuais, as rivalidades. Quem vou citar: Rancière, Foucault, Castoriadis, Freud?

Na vida, as lembranças nos colocam nostalgias incríveis. Uma conversa traz tempos que pareciam perdidos. Uma aventura de idas e vindas assustadoras e lúdicas. O passado é muito misturado. Há relações escondidas e um inconsciente misterioso. De repente, as cores se desbotam e uma carnaval ,de paixão antiga, se desmancha. A memória brinca, seleciona, distrai. Esquecer tudo é impossível. Há relações nada animadores que se mantêm. Sou avisado sobre escorregões que levei. E os amores que se esgotaram? E as tristezas que não se foram?

O eu se inquieta. Muitas acrobacias atiçam cada sentimento da vida. Os objetos são tocados, mostram vestígios. Ficam marcas, pois os afetos não são simples. Aquela camisa vermelha, aquela romance de Mia Couto, aquela menina travessa. Conceituar a memória não resolve. Quem escreve assume perigo quando formula saídas para definir situações. Há quem confunda, há quem estique sua fantasia, há quem apenas festeje as intrigas mais famosas. Não existem certezas absolutas, porém sem memória a história se arruína. Qual a estrada? Qual a encruzilhada? Qual o corpo? Qual a fascinação? Quem delira? E o perfume que se instalou no lenço azul?

Escuto quem se lança nas recordações. Sei que há  terras para desenhar labirintos. Observo que a lucidez também é um jogo. As regras estão no mundo.Posso simplificar: a memória é uma dança que envolve o esquecer e o lembrar. Quando ela se veste para viver o drama de uma tango?Deixar as perguntas flutuarem movimenta os projetos. Será que eles se impõem? Cultivar o vazio é renunciar as andanças necessárias para inventar o mundo. As palavras ajudam a multiplicar os significados. Por que se afogar nas aflições?O ponto final incomoda. Mas o cais está iluminado, há barcos quebrados, velas rasgadas, ruídos vibrantes A memória é uma navegação abraçada ao passado?