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O perfume da gasolina e os dualismos

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Estamos habituados com o dualismo. Afirmamos verdades ou mentiras, somos do bem ou mal. A história tem registrado religiões que vivem divulgando pecados e salvações, céus e infernos. Os dogmas assumem lugares até na construção do conhecimento acadêmico. Não é possível exercer dúvidas e ampliar críticas? O controle social é sutil. Os computadores espionam seus prazeres, seu consumo. seu desespero. A existência de um concepção dualista de mundo ajuda a convencer os ingênuos e consolidar ditaduras. Não acredite no relativismo absoluto, inacessível e totalitário. Fuja de esquemas simplistas e não renegue a complexidade.

As diferenças culturais não são ficções tolas. Estão girando. Somos animais, porém convivemos com heterogeneidades, muitas vezes, radicais e opressoras. A sensibilidade se desenha mesmo no desgoverno.Isso não nos ausenta das controvérsias. Discordamos, escutando, criando argumentos e alternativas. O sim ou o não resolve alguma coisa? Compreender o outro é uma arte. É claro que o ocidente não é o oriente, nem a França é o Brasil. No entanto, há pontos em comum, escritas que se tocam, sentimentos que viajam pelos corpos estimulando desejos. Entre o bem e o mal se formam valores. Não fiquemos nos extremos, atiçando violências, simulando raivas.

Nas confusões e desgovernos observamos turbulências, aparentemente, fatais. Desenganos com vestes onipotentes se impõem e os culpados são crucificados antes dos julgamentos. A manipulação não é estranha aos políticos que dizem ser donos das verdades. Nas oposições, correm disfarces, a pureza se suja com desmantelos e farsas. Quem mora na beira do abismo percebe que o perigo é real e ameaçador. O importante é abrir a porta da desconfiança. Será que Temer é um enviado dos demônios? Ele consegue segurar as barras com suas palavras tortas? Sobram inconsequências e a sociedade sofre sem se livrar das fantasias. As notícias garantem a ansiedade.

Vamos adiante. Todos são tomados pelas mesmas dores? Como fixar medidas num sociedade marcada pela disputa? As regras e ambições circulam em qualquer grupo. Os limites desenham éticas ou as estraga. Estamos longe das harmonias. Talvez, elas sejam mínimas. Ninguém garante uma verdade para todos, pois os pensamentos se misturam com os interesses. Dividir e somar? Subtrair e multiplicar? Quando se rasga a solidariedade os sentimentos pulam, aceleram suas contradições Prometeu reagiu, mas os deuses não cederam. Resta a polêmica. Os caminhos curvos esgotam paciências. A gasolina queima e possui o perfume do apocalipse.

O capitalismo e as distopias: desenganos

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A sociedade do consumo atravessa crises constantes e radicais. Não existe momento de estabilidade. As fervuras atiçam rebeldias, mas as mudanças não são consolidadas. Há um péssimo imenso, apesar dos protestos. A questão é definir o caminho e agir. Mas as estratégias não tem funcionado e os governos reprimem e intimidam. Daí, surgem perspectivas sombrias. A luta se sente ameaçada, pois o capitalismo busca alternativas de convencimento e controla a mídia. A minoria privilegiada assume corrupções e lança seus mecanismos de opressão. Os refugiados correm o mundo como animais soltos no desespero.

Se o século de XIX construiu sonhos, atualmente temos pesadelos. Consagram-se valores que o narcisismo amplia. Quem desenha paraísos toma sustos. A crítica de Marx possui ecos, atinge grupos, destrói mitos. Muitas experiências socialistas foram, porém, tomadas pelo autoritarismo. Surgem os que detonam a divisão de riquezas e exaltam o liberalismo. Há apoios ao capitalismo, mesmo daqueles que são explorados. Portanto, as ambiguidades confundem, criam justificativas para manter mordomias, desfazem as tentativas de lançar saberes coletivos.

A globalização estreita costumes, inventa sensibilidades. É perigosa, pois quer a massificação e não tem planejamento que salve a maioria. É um engano cair nos encantos das tecnologias. Elas treinam servos, pessoas que ganham objetos com ansiedade desmedida. Acumulam-se mitos. A reflexão não consegue arrancar máscaras. Não deixa de haver ingênuos e festivos. As rebeldias denunciam, mostram os buracos, mas as armas calam, fecham cercos, punem greves. concentram poderes. O amanhã se perde nas manchetes dos jornais.

As distopias mostram que há ruínas. Não existem espaços para se refazer valores, neutralizar a ferocidade dos agentes predatórios. A razão instrumental ameaça com suas garras. Não há neutralidade. Ganha dinheiro que tem dinheiro. As crenças são invadidas pelos negócios e o mercado parece um deus gigantesco. Infelizmente, os labirintos se multiplicam e os fantasmas do passado metem medo. O progresso é propriedade privada.  Mas a história pede passagem, o sagrado é ferido pelo profano e não cartilhas que ensinem a superar desmandos.

Nietzsche: os valores apodrecem

 

O mundo globalizado não consegue se livrar das crises constantes e profundas. Não há alternativas para cessar a corrupção e a violência. Elas aparecem e tumultuam. Se a perplexidade se amplia, há também esquecimentos importantes. Nietzsche, no século XIX, fez críticas ao mundo ocidental. Mostrou o apodrecimento dos valores e a falta de transformação para um mundo que restaurasse a coragem e apagasse a hipocrisia. Firmou sua posição, criou adversários, agiu como um profeta. Os valores são históricos e devem ser repensados. O jogo é complexo, pois a ambição está até nos discursos religiosos.

Nietzsche tem sido, atualmente, exaltado por muitos autores. Releram suas reflexões. A grande maioria, no entanto, fascina-se com o capitalismo. Pede espetáculos e se apaixona por mercadorias. Prever mudanças superficiais faz parte de discursos mercadológicos. Há terrorismos, assassinatos gratuitos, diplomacias mesquinhas. Já se abandonou a solidariedade e a liberdade não toca como ideal. Portanto, a globalização ampliou o cinismo, desmontou éticas, exaltou o conforto e o luxo. Um olhar rápido não confere com as propagandas coloridas. A miséria é grande e os refugiados sofrem em territórios hostis.

A retomada de conservadorismo e, ao mesmo, a busca de rever comportamentos criam expectativas. A confusão é geral. As drogas ganham espaço no mercado e as milícias ditam normas. A Igreja Católica perde força, uma parte dos evangélicos reforçam a concentração de riqueza, Há desesperos nas ruas, tensões, medo. Aquelas ideias de decadências possibilitam o fim da utopias. As rebeldias não deixam de existir, mas a repressão funciona com sutileza e o comércio da armas internacional é um feiticeiro.

Desenhar estratégias revolucionárias tornou-se uma ansiedade quase vazia. Os acordos políticos dormem na concentração de poder. A riqueza é de uma minoria. Não houve uma transvalorização. A sociedade é apática quando se trata de fugir do individualismo. A coragem é uma mercadoria rara, o poder de convencimento garante o domínio da aparência. A memória é frágil, o agora constrange os mais lúcidos. A verdade, talvez, exista. O paraíso , ainda, é cogitado, porém a imaginação se abastece de objetos. Será que um campo ruínas invisíveis cerca o mundo?

 

A escrita é a casa e o muro é o limite?

 

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Talvez, não morasse fora de mim. Sinto que o corpo olha o mundo de muitas maneiras. Não há nada definitivo. O calendário da morte e do paraíso não nos pertence. Gosto de nomear e acredito que as palavras possuem magias. Mesmo que a tecnologia enlouqueça, não vejo o fim da palavra. O mundo não está cansado dos seus significados. Ele os acumula. Não esqueça que vivemos num capitalismo sem freios. O que me estremece é que a lógica dominante sufoca com sua hierarquia de poder. Falta fôlego quando corpo se despede e a terra é ferida.

O muro não está só no Pink Flloyd. Ninguém passa por dentro do muro, mas as palavras sobem e o atravessam . Ele é um limite. Não jogue no lixo, o ato de transgredir. Observe os textos de Hannah Arendt e não deixe de lado a declaração de amor que cada palavra traz. Dizer que ela é uma cientista política é muito pouco. Ela via que a solidão podia se tornar totalitária e invadir nossa casa. Os tiranos são solitários. Estão dentro de um eu feroz, se apegam aos fascismos, riscam o outro com brutalidade.

Não renegue seu instante de falar, porém construa invenções, não fique estático ouvindo o apito do guarda. Escreva nas paredes, no chão da praia, no guardanapo de um bar, no gozo do anjo desconhecido. Lembre-se de Picasso. As geometrias possuem uma estética, às vezes, surpreendente. Pergunte: a arte viveria sem a surpresa? Portanto, sacuda os números e dance um tango de Piazzola como se naufragasse nos mares avermelhados  The Beatles não morreram. O que mora na imaginação não está ausente da vida. Cante Yesterday e provoque o bandido da luz azul. Ele está atrás das nuvens brancas.

Não interessa o que exite. Camus questionou, Sartre agitou, Simone desafiou. abalaram as tradições e o mesquinho,A história não é a linha reta, nem  se restringe a mudez de um pesadelo sem nome. Não se fatigue. Pinte com a palavra, ame com a palavra, viaje com a palavra, adormeça com a palavra, fuja com a palavra. Quanto mais escritas povoarem o mundo mais afetos multiplicarão seu desejo. A fragmentação é uma leitura do mundo. As conquistas de Zeus eram humanas, os deuses contemporâneos adoram indulgências. O muro é o limite quando a palavra se esconde. Ele pode, no entanto, proteger a casa desabitada,

O afeto: celebrações fabricadas e ilusórias

 

 

A solidão absoluta é uma mentira. Todos temos momentos de isolamentos. O que era a vida na época que Atenas desfrutava dos ensinamentos de Platão? O que é hoje o cotidiano marcado pelas máquinas e anseios? A história não escolhe caminhos , pode vacilar e cair em abismos. Não há destinos. A vida corre entre alegrias, desprezos, abandonos. Portanto, não consagremos datas para exprimir afetos, sem desconfianças. É bom comemorar, porém observar as sinuosidades do consumo faz parte da sabedoria.A geometria do universo está fora do cognoscível, por isso as agonias nos fazem mínimos.

A troca de presentes não é novidade. Quem conta aventuras se lembra de Ulisses. Nada como uma dádiva, uma abraço, um acolhimento. Depois que o capitalismo assumiu a dominação houve mudanças expressivas. As mercadorias se multiplicaram, os lucros se acenderam, o movimento do comércio extrapolou. Cria-se uma calendário para forçar comportamentos. Tudo é feito com estratégia bem montada. É preciso anunciar, produzir imagens, soltar o verbo inventando prazeres. As ruas se enchem de carros, os restaurantes reservam lugares, os ruídos se ampliam, porém as apatias não morrem, nem a fragilidade desaparece.

Não como negar que muitos relaxam. Outros amanhecem com ressacas, se sentem cínicos e se descobrem no meios de farsas. Não há expectativas homogêneas e os prazeres respondem perguntas dos vazios de cada um. O mundo não tem uma único ritmo,a sociedade arquiteta relações festivas, mas há esquisitices e mesquinharias. Querer que as relações sejam todas sinceras é um tormento. Estamos numa sociedade de refúgios, de políticas enganosas, de valores trêmulos. As dúvidas estão no meio do corpo e não adianta sepultá-las. Há pessoas que pessoas que torcem pelo fracassos, trancam os lábios, pintam-se com a palidez da melancolia.

Os humanos são espertos. Não consolidam a felicidade, sentem que há estranhamentos, mas se armam com astúcias e escondem-se em labirintos. Ninguém vive solidões infinitas. A história possui seus eternos retornos. Há exílios doloridos, depressões orgânicas, drogas radicalizadas. Não pense que a batalha do bem contra o mal é o resumo da tudo. Tudo se desenha em tempos e lugares. As hesitações perturbam, mas alertam. Quem se banha de luzes pode também penetrar na escuridão. Relacionar-se é um pertencimento. Sem ele, mergulhamos em contabilidades. O calendário não deve se congelado, nem opressivo. Respirar é um dever, para não acumular repetições. Adão e Eva nunca se amaram. Acreditavam no pecado original e num Deus que não viam.

A sala de aula: lugar do encontro?

 

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Sou professor faz um bom tempo. Hoje, a maior parte dos alunos e alunas possui idade de serem filhos e filhas. Já cruzei muitas travessias, observei gerações, debati valores, passei por ótimas experiências, morei em instabilidades. Há as dificuldades. As pessoas se perguntam, o mundo ferve, a sociedade de consumo é turbulência. Portanto, vale a inquietude que nem sempre traz o sorriso. Mas valorizo o encontro. A troca é uma aprendizagem. Os silêncios clamam por ruídos. As surpresas ensinam e balançam o conservadorismo. As rebeldias ferem a melancolia, atiçam a invenção.

Tudo está muito tenso e os boatos circulam. Profecias anunciam o fim do humano. Cientistas estudam o pós-orgânico. Aquela história iluminista está escorregando. A razão produziu muitas armadilhas. Há refugiados, miséria, armas nucleares,  cinismos  insinuantes. Não está fácil analisar a sociedade, recuperar as utopias, buscar o afeto. Tudo isso toca na pedagogia. Há quem opte pelo fascismo das autoridades supremas ou quem se recuse a encarar as mudanças. A educação suspira, pede reflexão e solidariedade. As culpas desfilam em dissonâncias fatais. Muitos esquecem de que Mussolini e Franco fizeram pactos com a Igreja Católica. Há sustos antigos e mascarados.

Programei, no semestre atual, um curso sobre cultura. Procurei deixar de lado os padrões cronológicos. Criei um ambiente de diálogos onde o tempo pudesse dançar com leveza, mas sem desprezar as questões contemporâneas. É importante observar o presente e não jogar fora a memória. A  história não tem um planejamento. Ela atravessa abismos, pula mares, fica brincando com nossas perplexidades. Não há fórmulas. Congelar as verdades é um erro fatal. Torcer para que nada dê certo é acordar a depressão, celebrar o vazio, centrar-se na mesquinharia. Seria um exagero acreditar que a egolatria não existe. A multiplicidade assusta, contudo está na vida, se amplia

Viver é contar. Contar é viver. A sala de aula é uma espaço aberto e complexo. Muitos se envolvem, curtem, descobrem. Outros se vão no primeiro dia ou pouco ligam para o que pode sacudir sua apatia.  Parece que conhecem as origens da terra.Tudo é possível. A energia negativa também visita a sala da aula. Não há uma ritual fixo, nem um  objetivo firmado. Porém, sempre aprendo com a convivência. Os sorrisos trazem alegria. Quem  não curte, carrega o peso do individualismo. Não esqueço de ser grato. O que seria do professor sem os encontros? A vida tem muitas portas e as chaves existem. Quem se mostra indiferente não consegue se abraçar com a história. A busca é um livro aberto ou a incerteza de que nada vale.

O sonho está na rua

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Fechar a porta pode ter vários significados. Quem quer ir embora procura outra moradia e aventura se despedir da melancolia. Mas há alternativas diferentes. O sonho está na rua e não conheço seus esconderijos. Ele não é tão visível. As esquinas são perigosas, pois revelam que há dobras e encruzilhadas. O sonho foge, lança perfumes, conquista os anjos. A porta fechada é uma segurança? Não acho. Prender alguma coisa é uma temeridade. Quem voa  se encontra na vida. Solte os pés do chão e se aconchegue no tapete. Os duendes esperam  pelo milagre das nuvens.

Quando o paraíso aparece em alguma história o azul escurece. A história não é só uma exclamação avulsa. Nada está definido.O amanhã segura memórias do ontem. Não julguemos com sentenças objetivas. Não há uma única possibilidade. As armadilhas existem nas ruas ou mesmo num escorregão inesperado. Há sempre o que fazer, porém há um mendigo que passa o dia no mesmo lugar, mudo e olhando para si mesmo. Será que espera um arcanjo que perdeu o caminho das estrelas ?

Não sei para onde as palavras me conduzem. Meu texto não se mostra pronto. Ele sai em busca de alguma verdade ou de algum diálogo. Escrever é dar forma a um sonho ou se meter em alguma maldição. Portanto, não despreze o imprevisível. A vida tem começo, anda, se levanta, dorme, chora, se distancia e sente dificuldade de firma-se em algum lugar. Os exílios vestem nossos corpos, desmancham os olhares mais sedentos. Parece, às vezes, que a linha da rede está envolvida por fios inacessíveis.

Desconsidere  o absurdo. Cruze as páginas dos livros de Camus. Ele não está aflito, apenas chama a atenção para o acaso. O sonho cabe no pesadelo. A morte distrai a vida, o medo assombra as fadas. Tudo é possível. Quem não observa que o fantasma colorido da ficção persegue os que se restringem a desenhar números? Não se recuse a buscar a imaginação que inaugurou o mundo. As mentiras, nem sempre, são amigas da culpa. Deixe que os deuses  acreditarem na onipotência. O sonho é frágil, dispensa eternidade, deseja o sossego de instantes.

 

A paixão se mete pela vida

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As coisas estão embaralhadas. Não há clareza, tudo caminha para uma escuridão avassaladora. O sentimento, porém, não morre. Mesmo com todas as enganações da sociedade de consumo podemos observar certos encantamentos. Não há vida sem ilusão. Acredite que Kant era uma sonhador e Nietzsche procurava uma princesa. A loucura gosta da fantasia.A cultura sacode tudo no ar. As invenções humanas surpreendem seus próprios inventores. Por isso, uma ameaça de caos nos cerca brincando no esconderijo, curtindo ruídos tecnológicos.

A paixão tem muitos trapézios. O perigo é jogá-la na rede das mercadoras. As vitrines são feitas para atordoar. Compra ou não compra? Será que, um dia, tudo não terá preço? O mundo globalizado requer paixões estranha? Já pensou no último modelo do celular? E naquela curso sobre os filmes de Gláuber Rocha? A industrialização agitou sociedades antes rurais e acomodadas. Nem sempre a inquietude traz alegria, O desejo pode fechar o riso e se não for atendido. Você não sabe se o destino cortou seu coração ou você está em crise com a moda dos shoppings.

Não se preocupe. Nem toda paixão está no reino das ruas comerciais. Que tal olhar a beleza das obras de Picasso ou ouvir Elis Regina cantando? E ficar seduzido pelo charme de outra, pelo ritmo de um corpo, por uma lua firme? Mas nada como a paixão que se transforma em amor. É uma aventura sedutora  se envolver com certas fragilidades. A paixão ferve ou esfria acidentalmente. Faça uma consulta a sua psicanalista sobre os males de quem se apressa. O amor é paciente e cuidadoso. Navega como uma onda preguiçosa, conversando com a sereias.

Bauman alerta para o individualismo, para um mundo que receita o efêmero. As sexualidades se moldam às carências de uma época, Imagine os afetos vividos no começo do século XX? Houve mudanças radicais? As palavras ganharam outros significado. As lembranças de Rosa Luxemburgo se misturam om a política. As lembranças de Lou Salomé com a convivência intelectual. Nada de especial, pois lutavam por causas diferentes. Numa sociedade massificada, as complexidade são muitas. Quem é Mandona/ Quem é Marina Lima? Quem é Faustão? Onde mora o feminino? Café ou cerveja? Cocaína ou bolo de noiva? O autor ou o texto?

As paixões possuem químicas ardorosas. Não existe paixão silenciosa. Quando faltam corpos tensos, surgem poemas que falam de flores. Há, atualmente, síndromes que mostram labirintos da alma angustiada. Não é à toa que as drogas ganham espaço. A cultura promove máquinas, cantam virtualidades, estragam ousadias sinceras. Portanto, a paixão de Adão e Eva é, apenas, uma história distraída. E a paixão que não se transforma em amor? Os cristais também se quebram e existem  partidas que nos levam para o nunca mais. Não peço que concorde comigo. São escritos, porém os desenhos das letras apaixonam.

Marx não desmoronou

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Há pensadores que sobrevivem e não são abndonados. Marx é um deles. Consegue manter suas críticas válidas e ser admirado por militantes. As frustrações das revoluções socialistas não o apagaram da  história. É claro que as políticas existem e provocam agressividades. A sociedade está sufocada, procura caminhos, encontra-se cercada por modas intelectuais imensas. O consumo é extenso, ataca todas as áreas. Há perturbações, delírios e intolerâncias. Marx se mantém. Suas críticas merecem leituras e mostram as explorações do capitalismo.

Muitos buscam sofisticá-las e as entregam às meditações acadêmicas. Marx é lido como saída metodológica para salvar entraves teóricos e garantir posições nas discussões acaloradas. Mas há quem reduza Marx aos escritos de Stalin ou ao pragmatismo de Lênin. É uma forma de ativá-lo junto às massas ou mesmo simplificá-lo. Não faltam opções. As editoras gostam de lançar livros escandalosos, desvendar segredos. Marx não foge dos mercados. Para que negar a concorrência e as opiniões fanáticas? A homogeneidade é uma falácia.

Não podemos nos afastar das contradições contemporâneas. O mundo gira de todas as formas. Há intelectuais que fazem sucesso com suas palestras milagrosas. Observem como Karnal ocupa espaço nas redes sociais e atinge um público bem expressivo. Marx não faz parte da sociedade do espetáculo. Veio muito antes de Sarte, Deleuze, Foucault e tantos outros que povoam as mentes contemporâneas. Riscar a sua importância é um erro incrível. Acho indispensável mergulhar na suas obras para compreender a industrialização e o desmantelo da desigualdade.

Se haverá outras revoluções, não sei. Houve comportamentos totalitários entre os que se colocavam como  marxistas. Quem não vê vinganças, ataques, dissidências? As teorias surgem, arrastam controvérsias. Marx formulou uma crítica radical ao capitalismo. Considerou, porém filósofos iluministas, não desprezou os economistas clássicos. No entanto, demoliu os alguns encantos de uma sociedade estruturada no monopólio, na centralização econômicas. Para muitos, ele é insuportável, uma ameaça. Causa arrepios, tempestades.

O tempos passa, a inquietação permanece. Freud também abalou as tradições construindo outras interpretações. Não faltam exemplos do santos e dos malditos. Não há silêncio, mas ruídos estridentes. Política e religião sacodem ânimos e se misturam. Marx não poupou seus adversários com argumentos fortes. Seus escritos são valiosos e rebeldes. Nada como uma leitura sobre o fetiche da mercadoria! O passado não abandona a história e as ambiguidades não se desmancham. Basta olhar a China, a Venezuela, Cuba, Coreia do Norte e as reflexões que envolvem o mundo globalizado. É preciso ouvir as sinfonias. Não deixe o circo pegar fogo, imagine sua aventura e sua coragem. Perigoso é adormecer no messianismo.

O maio do sonho: 1968

 

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Reclamamos das disputas infernais. O mundo não tem sossego. Não aprendeu com tantos séculos de cultura. A burocracia toma conta da vida privada. Uma prisão, cheia de labirintos construídos, com muito sadismo, alimenta solicitações opressoras. Os prédios verticalizam a moradia, ora são abandonados, ora são demolidos. Tudo se passa numa velocidade estúpida. Não dá para olhar o calendário e firmar planos. As surpresas enchem a sociedade de incertezas e as manchetes de jornais trazem assassinatos, misérias, guerras. Há teorias reformistas, intelectuais arrogantes, sábios esquisitos.

Pensou-se que a tecnologia poderia aliviar dores agudas e promover o encantamentos. As revoluções anunciaram novidades, derrubadas de preconceitos, solidariedades extensas. Mas o século XXI vive desacertos incríveis. Há maravilhas arquitetônicas, junto com desastres ecológicos. O futuro é uma esfinge atormentada. Não faltam utopias. A coragem para consolidá-las é causa de frustrações. O comunismo se confunde com violências políticas e o Manifesto de Marx e Engels parece que não é lido. Há fanatismos soltos e pantanosos, deuses, em templos, cultuados como senhores do universo.

Maio de 1968, uma rebelião se mirou em sonhos. Paris ficou tensa, pois se queria transformar a monotonia, colocar as poesias na rua. O objetivo era redefinir a convivência, evitar os totalitarismos, imaginar e efetivar um poder longe dos consumos capitalista. Era vez dos jovens puxaram os movimentos, seduzir o resto da população, arrancar o pesadelo de governos incapazes e centralizadores. O mundo se abalou. Muitas cidades também se impacientaram. Era preciso uma estéticas que apagasse as aberrações das avenidas apáticas. A fumaça é uma tatuagem se desenha nos nossos corpos de forma doentia.

A repressão respondeu. Os estudantes espalharam seus sonhos, uma grande greve parou a França. Não esqueça que a década de 1960 ferveu, demoliu tradições nada saudáveis. Os Estados Unidos perderam uma guerra para o Vietnã. No Brasil, porém, a ditadura punia e censurava. O mundo das mercadoria fascinava os concentradores de riqueza. Quem espera por uma primavera cheia de beija-flores vermelhas namorando com flores coloridas nem sempre consegue soltar o sorriso. Os limites seguem envolvendo nossas incompletudes. Dizia-se, em maio de 1968, que era proibido proibir. Desejo difícil, porém não custa buscar a invenção e andar pelas calçadas multiplicando as identidades,