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A aldeia global gira a solidão

 

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A sociedade gosta das novidades. Não aprofunda a razão da inquietação constante. Não observa a superficialidade do mundo das mercadorias. Passeia pela rua com medo da violência e se refugia na lojas para se distrair e sonhar com o consumo. O cotidiano é melancólico, porque há muitas permanência e poucas ousadias. As novidade não evitam os medos. Existem as religiões que negociam o sagrado de forma infame. Querem poder, emissoras de rádio, cargos políticos. É o transtorno e a lucidez se embriaga, lembrando-se das festas de Baco.

O mundo repleto de comunicações brinca com a subjetividade. massifica até a dor para facilitar a venda  e divulgação de produtores salvadores. Portanto. a solidão se disfarça, pois é preciso ter pressa. Continuamos cartesianos, depois de muitos séculos. A história não responde as nossas perguntas, nem queremos aprofundar questões. A vida se reparte e o trabalho alienado ganha adeptos. A grana está no pedaço e as loteia, prometem milhões. Não há como derrubar um messianismo que emociona as pessoas.

A aldeia global não dispensa moda. Não faltam espelhos, nem objetos estranhos. O importante é celebrar a possibilidade do futuro. Não se percebe as diferenças, tudo se transforma num discurso poderoso. A felicidade é também uma mercadoria. Ela é valiosa, se estende pela cultura. Cada um faz sua ilusão e se entrega. Deixa a crítica e tropeça. O momento vale sacrifícios, desde que amanhã a vida flutue. Os meios de comunicação garantem notícias escolhidas para consagrar certos tipos de aventuras. Quem não segue uma fofoca surta?

As bombas são sofisticadas, os celulares cheio de aplicativos, as paixões se aliam com as fugas. É difícil definir porque se inventou o pecado original. A história não abandonou a sua complexidade. Temos teorias. Foucault, Freud, Marx, Buda, Lacan buscam explicações. Muitos intelectuais  curtem as vitrines, fundam academias. vislumbram saídas. Há altares para o profano e fantasias racionalizadas. A aldeia global gira. Lá fora alguém me chama para dividir a solidão. É o eclipse tomando conta da noite.

O jogo ensaiado das alianças políticas

 

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A escalação de um time de futebol revela disputas e ascensão de ídolos. Promove debates ferrenhos e troca de insultos. Criam-se facções, torcidas organizadas. São as paixões e as agonias do cotidiano se misturando. Uma confusão já conhecida. Mas observe as eleições no Brasil. Elas estão repletas de instabilidades. Parecem um grande negócio que movimenta milhões sem considerações éticas.Tudo ganha manchetes, ofertas de cargos e Maquiavel é lembrado com rápidas leituras. Ninguém sabe se os apoios vingarão. A tensão cresce e a população desacredita.

Ciro sente isolamentos. Não consegue convencer, apesar de seus estudos e análises. Reclamam do seu temperamento, esquecem suas promessas de mudar o Brasil com reformas bastante badaladas. O Centrão negocia até a alma. As concepções políticas morrem de susto. As eleições retratam a lógica capitalista. Isolam quem aposta na dignidade e soltam reflexões nada saudáveis de fascistas em busca de consagração. Existirão uma abstenção enorme e uma apatia nacional ? Um futuro que deixa o Brasil numa encruzilhada. Não é novidade, mas amargura colonial.

A candidatura de Lula continua trilhando tribunais. Ele tem popularidade, porém há dúvidas sobre sua libertação dos julgamentos. O PT não definiu suas alianças. Sofre pressões, faz passeatas, grita contra as denúncias da imprensa. Situação pantanosa, com esperanças na vitrine cheia de opiniões desiguais. E o PSB? Quem deseja fazer pacto com as suas vacilações? Reinam certos silêncios que fragilizam seus líderes. O dia das eleições se aproxima, contudo a falta de planejamento é visível. Quem sabe se existe uma literatura sobre bons costumes? A soberania é do cinismo que  se alastra como uma epidemia. Escraviza com disfarces desmontáveis.

Quem pensa em transformar a vida social? Os partidos menores retomam ideias , relembram os males do capitalismo, são encurralados pela força da grana. Marina é uma esfinge.O PSBD, com manobras antigas, gosta das teorias de FHC. Tudo se monta num fio estreito em busca de equilíbrio. Mas o jogo é intenso e descarta regras claras. Os manias do passado não se foram. Mendonça, Paulo Câmara, Temer, Renan, Jair, Rodrigo não cedem posições e negam qualquer negatividade nas suas ideologias. Há um cansaço geral, cores desbotadas ilustrando as imagens flutuantes. Quem ousa exaltar a autonomia? Ainda comentam que o futebol é a raiz do ópio brasileiro.

Nas metáforas de Kafka: o humano de muitas formas

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Quem se prende no homogêneo esgota a imaginação. O sossego é sempre passageiro. A vida contemporânea pede inquietação. Há mistura de formas, o invisível atiça a subjetividade e os dias ganham uma velocidade inesperada. Nem todos percebem. Daí, a história possuir atmosfera de acaso, mas não assombrar os apáticos. Há quem se debruce sobre o passado como algo morto. Não quer a nostalgia, porém resmunga com as intromissões da tecnologia. A literatura ajuda a desfazer o comum. Ela puxa a imaginação, inventa palavras, exalta a heterogeneidade, sacode a memória.

Há escritores que surpreendem, nos deixam extáticos. Quem nunca leu Kafka perde muito das emboscadas da vida. Não estou caindo no negativo, celebrando o pessimismo. Desejo fugir do lugar comum. Leia A metamorfose e pense. Kafka transcendeu seu tempo. Os homens não são sonhos terminados. As metáforas criam significados, vestem roupas fora da moda. De repente, sou um isento.Tenho que abrir outras portas, visualizar pesadelos que pareciam findos, escutar lágrimas e apelos nunca vistos. Sinal fechado? Juízo final?

A vida muda não, necessariamente, nas dimensões corporais. A imaginação nos leva para abismos. Sentimos angústias, nudez dos desamparos, ouvindo ruídos de carros ou conversando com o amigo na esquina. O controle dos atos não é fácil. Desperdiçamos tempos acreditando numa paixão, entramos em avenidas inóspitas, sem observar o que realmente acontece. Kafka não hesitou. Desmitificou, mostrou o humano absorvido em peripécias, desfazendo-se de horrores inutilmente. O mar das incertezas pode inundar seu quarto,  estimular voos.

A morte, talvez, seja o último medo. Não sei, nem a A metamorfose me responde. Uma história são muitas histórias. Não há covardia que silencie o movimento do humano. Ele é teimoso. lança-se em onipotências, não dispensa afetos. A literatura traz espelhos. Se não quiser vê-los, cairá na banalidade. Portanto, corra o risco. O pior é congelar a ansiedade e procurar traçar fronteiras. Elas não existem. Aprenda com Kafka que tudo não é tudo e que nada não e nada. Estique-se fora das previsões. As baratas sobrevivem sem divindades, na danação dos esgotos.

Os objetos dialogam com a vida

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Inventamos muita coisa. A luta para cobrir a lacuna é imensa. A cultura é movimento. Vai e volta, gosta de desafios. Ocorrem violências, mas também  seduções que encantam, mudanças que mostram inteligências e ousadias. Não há como fechar previsões. Os objetos nos cercam, convivem com nossa aflições, tornam-se companheiros do cotidiano. Criam-se relações afetivas. O carro ajuda a diminuir distâncias, o celular é lugar de conversas, as bicicletas promovem passeios da moda. No entanto, as armas preparam emboscadas, as bombas favorecem genocídios, a grana puxa corrupções. A complexidade  fabrica perguntas e o fim é apenas o começo.

A vida segue, tenho que sentir o impulso dos outros, discordar, amar, envergonhar-se. Os sentimentos desenham inquietos personagens e pouco sabemos das profecias dos deuses. No entanto, a solidão traz questões. As multidões andam em busca de sucesso, querem esquecer as amarguras, trabalham juntando projetos. Nem sempre há alguém para estender a mão e temos que dialogar com estranhos. Forjamos intimidades com quartos, travesseiros, televisões, ruas desertas. O mundo é vasto. Ler suas perplexidade é sinal de esperteza e de ânimo. A cultura avisa que as tecnologias pedem espaços para se formar a aldeia global.

Para além das afetividades corporais, imaginamos situações. Abrimos janelas fechadas, sacudimos fora velharias, apostamos em futuros. Não é fácil. Leia Paul Auster. Ele descreve os acasos, as transformações inesperadas, o poder os objetos. Portanto, a autonomia não é insuspeitável. Convivemos com dúvidas, somos parceiros de sortes, construímos pontes onde existem abismos. O computador nos fornece conhecimentos e fofocas. As redes abalam amizades, antes, perfeitas. Como, porém, deixar de lado a capacidade de inventar e sumir dos problemas mais urgentes? Como ser estrangeiro para aliviar a monotonia?

Não consagremos as solidões, nem desprezemos os objetos. A história nos lembra de passados, lendas, mitos. É impossível decifrar tudo que nos cerca. As luzes acedem e se apagam. É melhor se desfazer de certezas seculares para não montar decepções. Não compare. O barco de madeira não é submarinos atômico. O chapéu de palha não é um capacete de astronauta. Os palácios estão minguando e a arquitetura desempenha funções utilitárias. Não se surpreenda. Tudo representa alguma coisa, os simbolismo nos atiçam e a história nos chama. Concorde ou balance o não. O circo e o pão dormem para curar ressacas recentes.

A política é trem de carga com peso extra?

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Nunca vi tanta facilidade para mudar de lado. Será que o pragmatismo é o pai de todos os males? Não tenho resposta pronta. Sei que a sociedade capitalista é o reino das compras e das armadilhas. Os políticos gostam dessa manobras. Querem privilégio. Há rara exceções. Temer conversa com Cunha. Renan diz apoiar Lula. O PSDB vive dias de agonias. Gilmar solta e dá risadas. Moro não perde a petulância. Por detrás, muitos conchavos. É claro que a desconfiança não resiste. Temos que ficar cheios de nós. O  caos é o forma de ser de uma sociedade colonizada.

O assunto causa sensações na mídia. Há fanatismo entre os jornalistas. A Globo possui um lugar de destaque. Brinca de construir opiniões. Conta sobre interesses, provocar e derrubar quem ameaçar a situação. O jogo não para. As regras se definem de acordo com os atritos. Não é proibido mentir, vale fantasias. Tudo para manter o mercado vivo. A gasolina aumenta, os preços desafiam, o governo se sente com salvador da crise. Os cinismo é marca de remédio ou existe desde as origens do mundo?

Paulo Cãmara busca saídas. O PT de Pernambuco é mestre em fazer cenários. Eduardo se tornou um exemplo, porém há quem suspeite de tanta generosidade. Vejo a ética fugindo. O poder atrai e deixa muita gente perplexa. Será que Marina é mesmo a grande saída? E Ciro tem coragem para enfrentar suas raízes populistas? Como se dará o desfecho da prisão de Lula? Não faltam incertezas e mundo grita confundindo sua aflição com raivas momentâneas. Nada como observar a melancolia de quem perdeu o trem. Ele trilhou a quarta via. Existe?

A política sofre quebras constantes. Isso é um caminho que segue. Quando terminará, ninguém pode prever. Quem é amigo de quem? O jogo é internacional, porque os interesses econômicos pedem passagem. A sociedade despreza o coletivo, busca sanear suas vaidades, acusa o PT de haver criado ilusões. A velho política assume roupas novas. O sentimento de culpa faz parceria com os que se julgam abandonados. Talvez, na farmácia da esquina , existe algum psicotrópico milagroso. Não se agarre ao apocalipse. a Copa do Mundo acabou e a história continua. Acredite

Colonizar é o feitiço de cada dia

 

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Dizem que tudo tem sua época. Não sei. Vejo muitas repetições na história. Muda-se a roupa, mas o corpo continua o mesmo. Houve colonizações gigantescas. A Espanha assassinou muita gente. Portugal não perdeu tempo na escravização e divulgação do catolicismo mais conservador. E os imperialismos mais agressivos? Nem se esqueça da União Soviética, da Bélgica, dos Estados Unidos. Não existiu paz, harmonia. Os confrontos são frequentes e a vaidade se amplia. Mesmo com transformações jurídicas, reformulações sociais, a história não se despediu dos conflitos. As escritas brincam com verdade e mentiras.

A colonização não é apenas a ocupação física. Ele se faz presente. Há pessoas que assimilam culturas diferentes e propagam o discurso da servidão voluntária. Miram-se nos exemplos dos poderosos. Tornam-se pequenos, mesquinhos, subordinados. Os exemplos são muitos, vejam os fascínios de alguns pelas Revoluções Burguesas ou mesmo adoração por ídolos políticos. Há quem curta genocídios, querem imitar figuras deploráveis. Coisa de adolescente? Nada, circulam pela sociedade figuras que gostam de vitrines e acham formas de aparecer. Alguns se parecem inocentes, generosos, horrorizados com a Globo, porém no seu cotidiano suprimem liberdade.

É importante analisar com se fabricam ídolos. Não se descuide. Uns se fazem de vítimas, perseguidos. a psicopatia possui lugares surpreendentes. Escondem-se e conseguem admiradores. O fetiche não é miragem. a contemporaneidade cultiva os seus. A academia não moradia de pesamentos puros. As ambiguidades persistem. Segue-se o discurso de autores rebeldes, contudo a pedagogia é do tempo de Adão e Eva. Portanto, Narciso arquiteta sua emboscadas e desfila sua embriaguez nos discursos mais luminosos. Basta observa a Copa do Mundo.

A história é complexa. Sempre será? Os donos da verdades alimentam odes. Acreditam que a tecnologia  desmontará os tropeços. O futuro é outro tempo ou está nos seguindo? No vasto mundo, as habitações estranham-se, as milícias atuam, as hipocrisias não se aquietam  Há previsões. Talvez, a genética se reinvente radicalmente. Quem sabe se os deuses não renunciarão aos seus domínios? Há segredos. As esfinges se acomodam, criam labirintos. Os que imitam os outros, apostam na fuga da responsabilidade. O caminho quebra horizontes, mas tento defini-lo. Os colonizadores são mestres em simular generosidades. A terra gira e a bola rola.

Quais são as medidas da intolerância e da máscara?

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A sociabilidade sofre ameaças quando as raivas se expandem e multiplicam inimigos. As tensões são irritantes. Ataca-se como uma diversão. As redes sociais garantem anonimatos. Um esconderijo perfeito para quem gosta da agressividade ou se encontra tonto com suas escolhas. Fez greves no passado, acusou o liberalismo, prometeu manter-se socialista e , depois, desiste das utopias e torna-se uma pessoa agitada para detonar quem cogitar  em solidariedade. As emoções são traiçoeiras. Traçando memórias, vemos que novos sujeitos na Historia, envolvidos com políticos nada saudáveis, tentam banalizar as relações poder. Neonazismos frutificam ódios.

Não há sociedade sem ambiguidades. As dissonâncias são muitas. Os perigos são covardias teóricas ou especialistas se aliando aos grande senhores, para lucrar e se congelar com a grana oferecida mostram espertezas? Cada um caminha, sacode poeira, estica suas reflexões. A diversidade é concreta. No entanto, o vaivém é danoso. Nada mais execrável do que o oportunismo. Os arrependimentos momentâneos trazem abalos na confiança. Há figuras que estão no governo vendendo ações para o obscuro. Fixem-se nas manchetes, leiam as análises, acompanhem as astúcias das elites. Segurança zero, esperteza poluída, dez. Quem governa é o crime organizado? Há fingimentos?

Surgem justificativas. Os títulos são colocados como conquista indiscutível. Juristas, ministros, promotores, juízes, doutores, todos e todas incorporando soluções e vaidades. As intolerâncias ganham espaços nas conversas, incomodam dignidades, riscam éticas, invadem parentescos. Há muitos preconceitos sociais. Para isso, existem as máscaras e a aparente falta de lucidez. A sociabilidade treme. Há suspeitas, fotos fabricadas, trincheiras ressuscitadas. Os partidos pensam nas repercussões e mudam suas alianças. Quem aposta em quem? As casas lotéricas podiam imaginar jogos para os azares e sortes dos debates.

Parece brincadeira, mas as amizades somem, os palavrões ofendem, o desfile de ressentimentos é exuberante. A ponte cai, ninguém segura ninguém. Se a mesquinhez prospera, a sociedade se cobre de urgências. O que vale é o individual? Contemplamos os abismos, olhamos os outros, esperamos o acidente ou o milagre. As ameaças são constantes. O simbolismo das reflexões mostram que a intolerância é agressiva. Ela nega sabedorias, quer minimizar egoísmos, busca narcisismos. Algo delirante, repleto de perplexidade. É preciso não se descuidar. As leituras do mundo nos salvam de fatalidades. Ser ingênuo é uma tortura que não se deve assanhar.

A solidão não silencia, transcende

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Há dias de recolhimento. A cidade parece um deserto. Poucos ruídos, gente com sono, sossegos passageiros. O sentimento de solidão se institui e dialoga com passados. Surgem lembranças. Observo que o tempo não poupa imagens. Não há sequência definidas, nem planejamentos conscientes. Tudo dialoga sem testemunhar milagres. Faz bem, mas mostra como o movimento da vida se compreende com acasos soltos. Difícil dizer a força da saudade na existência da solidão. No entanto, os afetos se consolidam quando as turbulências escondem-se do coração e poema ama todas as palavrar com um amor anônimo e coletivo.

A solidão não é muda, possui geometrias curvas. Seu alfabeto não é comum. Sua escrita desenha palavras que fogem dos dicionários. O amor ganha outros significados. Sentem-se distâncias e proximidades. O corpo amolece, as visões dos olhos pintam fantasias. Vejo quadros de Picasso, poemas de Neruda, filmes de Antonioni e busco a ternura do abraço mágico. A solidão se estica quando as fantasias transcendem a materialidade da vida. Não adianta ficar preso nos ponteiros do relógio. É proibido  proibir, como diriam em maio de 1968, e anular o desejo, crucificar os mitos, dançar a melodia do apocalipse.

Os isolamentos criam ansiedades. Posso me desfazer de dores envelhecidas, animar paixões que nunca se firmaram e descer para a profundidade do medo. Tudo se amplia ou consigo visualizar o mínimo. A solidão não quer companhias lentas. Prefere o grito que ninguém ouve, porém navega no mais íntimo segredo. Inventa, pois não suporta fixar datas. A solidão é contadora de histórias. Amiga de Chapeuzinho Vermelho, ela conhece as fadas que ressuscitaram os anjos perdidos no paraíso, não risca pinturas que desenham o firmamento. Quem não sabe recomeçar a aventura? Quem não se banha de sombras e luzes sem  desprezar a salvação? Os deuses se acordam com o canto azul dos pássaros.

Não se resuma aos tons atordoados da solidão. Esqueça a mesmice e as fronteiras. Verdades e mentiras atravessam pontes de mãos dadas. Não ligue para o ponto final. A vida supera-se quando a interioridade descobre sua forma. sabe que ela muda e você muda. As identidades se foram para um mundo que não tem a lei da gravidade. Concentre-se num tango de Piazzolla. A solidão se envolve com a musicalidade. Escuta, pois acredita que ” a beleza salvará o mundo”. Por que jogar fora as utopias, se o sonho estremece o que parecia morto? Há um trapézio abandonado no circo que Chaplin idealizou. Não zombe, nem acredite que tudo se abre, como uma porta envelhecida.

 

Lula: as grades também falam

 

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Madeira de lei não deveria dá vez a cupins. Ela deveria mostrar serenidade, não derrubar equilíbrios. Mas a história não possui parâmetros fixos. O Brasil não é o país mais cheio de malandragem do mundo. Suporta cenas surrealistas e pantanosas. Passa por uma fase terrível, de desenganos múltiplos e cinismos sofisticados. Domingo foi um dia  fantástico, pelas suas acrobacias especiais. O transtorno desafiou qualquer profecia. Talvez, amanhã não seja outro dia. Será que Moro desistirá da sua viagem de férias? Como se encontram os procuradores? A confusão transformou sensibilidades e  agonias. E as instituições representam a solidez?

Terminei meu bacharelado em Direito. Não exerci a carreira. Preferi algo que me empolgasse. Sou professor faz tempo, 46 anos. Sempre fiquei perplexo com certas decisões jurídicas. Não me cabe interpretá-las. Há suspenses constantes com claras vestimentas políticas. As eleições prometem atiçar dúvidas. Quem merece confiança? Surgem figuras esquisitas. Defende-se o agressivo. O tempero é a intolerância, o aparecimento de discussões nas redes sociais. Não faltam desacatos, saudades do passado, vontade de sacudir o inimigo no abismo, religiões pragmáticas.

Lula tem sido um foco especial. Está na prisão. As manchetes anunciam análises de juristas famosos sobre a tragicomédia do domingo. Muitas discórdias, tipificações, porém não se nega que há negócios sem transparências Lula quer ser presidente. É uma ameaça para alguns. Malgrado seus pecados, ainda, entusiasma as multidões, discursa como poucos. Os conservadores tremem como nos velhos tempos da guerra fria. A mídia se solta e arruma o espetáculo. Lula já ocupou o poder, não é inexperiente e esquenta o debate. A dimensão das leis que o punem são colocadas em questão. A tensão é permanente, os compromissos se dispersam, fantasmas assustam.

A sociedade se abastece de símbolos. Notam-se mudanças. Há grupos que salvam as heranças fascistas, outros tentam fingir que amam a liberdade. As desigualdades não se foram, contudo muitas utopias estão adormecidas. A sociedade se balança, o pão e circo existem e a tecnologia colabora para colorir as verdades fabricadas. Lula já viveu seus pactos políticos, suas tergiversações, ganha nas pesquisas, porém assanha raivas  e frustrações. Diante de tantas celeumas, o sossego desapareceu. As grades isolam, no entanto não silenciam. Os despertares têm seus ruídos e a sociedade suas dissonâncias. A história dança seu rock pesado, tritura emoções, na mira do juízo final.

A Copa do Mundo: a arena das armadilhas

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Os eventos internacionais sacodem interesses. Muita grana circula, as multinacionais se agitam e há delírios inesperados. Na Rússia, tudo vem sendo vivido de forma tensa. os ataques machistas são terríveis. Os preconceitos raciais ganham espaço, apesar dos europeus se apresentarem com jogadores descendentes de suas antigas colônias. Não se pode admitir que as surpresas tomaram conta do espetáculo. As festas do capitalismo atiçam consumos, gosta de trazer coloridos e tecnologias. Os deslumbramentos ocupam vídeos e manchetes. O copo de cerveja esquenta o coração e disfarça as decepções. Tudo desfila como um ritual marcado em laboratório

A Copa movimenta e questiona tradições. Não nego que procuro acompanhá-la. Sempre, fui um apaixonado pelo futebol, sei que a barra é pesada. Mas o Santa Cruz está no meu coração e aprecio a arte dos bons estetas da bola. A sociedade divide-se com intolerâncias. Há uma agressividade que polui todos os ares. Ninguém quer diálogo. As notícias avisando que as relações se quebram. O divertimento se transforma em antagonismo. Ele revela, também, as agonias afetivas se revelam .A globalização misturou culturas e fortaleceu impasses, implantou velocidades destruidoras. Identidades foram desmontadas e paradigmas sacrificadas. Será o pós-moderno?

Nem tudo é manobra dos demônios.Há quem não se deixe enganar. O Brasil não concretizou o hexa e as polêmicas se acendem. Muitos se negaram a torcer pela seleção. Ficaram na espera do fracasso, para fragilizar o governo de Temer. Uma forma de mostrar insatisfação política que contamina as relações. Mais uma vez as dissidências se fortaleceram e os políticos continuam nas suas manipulações. Se adianta  sepultar as esperanças futebolísticas, para intimidar o governo há quem tenha razão. Tonturas da vida.Porém,  surgem as intrigas e as suas vítimas, As redes sociais fervem e desacomodam desejos esquizofrênicos. Bolsonaro está confuso com o vermelho da Bélgica.

Numa sociedade movida pela competição, não há como evitar os desconfortos. É difícil afirmar fraternidades. As desconfianças não desistem de provocar, reproduzir insatisfações, nublar. É uma grande fantasia ressuscitar utopias e redefinir comportamentos. Os desenganos perturbam, pedem teorias, paciências, estratégias. A lógica do conflito permanece. Não custa denunciá-la, sentir que a depressão não existe sem razão. O equilíbrio nunca será absoluto. Muitos não observam as inquietações subjetivas, as carências, os desamores.Isso facilita a expansão das intolerâncias. Torna o paraíso uma lenda frágil. Será que ele se encontra na Europa coloniizadora?