Pokémon: o encontro das solidões apressadas

O circo não se foi. Não é aquele de antes, quando os palhaços tinham mil brincadeiras e os risos corriam soltos. Quem se lembra dos malabaristas, das bailarinas, dos trapezistas audaciosos? Era um divertimento amplo que deixava a plateia mobilizada. Não se trata, aqui, de nostalgia consolidada.  Temos de olhar o que passou, os prazeres de ontem, para não cairmos na loucura das artificialidades atuais. A opção pelo capitalismo é feita por muitos de forma persistente. Há quem mude, quem abandone as utopias, escrevam nos jornais pedido perdão pelos erros. Cada um faz sua escolha, porém é difícil negar o mercado dos bens arrogantes. Não há como querer que o capitalismo celebre a justiça. O jogo sempre se constituirá de complexidades assustadoras.

A história tem um traçado nada racional ou objetivo. Inventa e desinventa. Curtir saudades se insere no cotidiano. Os amores não se vão de vez. Há vestígios na memória, há tropeços nos caminhos, há discordâncias nos sentimentos. Será o pecado original exclusivo dos ingênuas? Quem acredita nos sermões dos pastores que vendem salvações? A sociedade não se livra das dúvidas. Elas as movimenta, pode até transformá-las em modas intelectuais. O supérfluo está na cultura, ganha adeptos, seduz, cria confusão e desigualdade. É sempre uma tristeza saber que as verdades são frágeis e ainda buscamos encontrar os paraísos. As redes sociais inquietam e dialogam com os retratos de vida, não desprezam os instantes mais profundos das melancolias.

A solidão nos acolhe com solidão. Nem sempre, aquieta ou revela segredos. Num mundo das tecnologias insistentes e autoritárias, surpresas acontecem e delírios procuram anular a solidão. Surgem escapatórias sofisticadas. Pokémon  não é antipático, possui mistérios, atiça curiosidades. A solidão , muitas vezes, incomoda. É preciso encontrar fugas, reverter o foco, agarra-se em distrações poderosas. Não importa o risco, o tamanho da ressaca, os escorregões nos becos e nas avenidas. Conhece alguma sociedade sem solidão ou instrumentos para aniquilá-la? As formas ganham outros desenhos. Não estamos na época de Copérnico , nem de Platão, porém prossegue a caça, a incompletude. os cinismos, as ousadia… As indefinições se colam nas existências.

As permanências são ativas. Já leram Medéia, tragédia grega escrita por Eurípedes? Tente compará-la com as novelas das TVs contemporânas? As violências circulam, os preconceitos se firmam, as corrupções não se perdem, os juízes vacilam. O olhar para o espelhos nunca é um desperdício. Pokémon não fascina todas pessoas. Existem críticas raivosas. Mas muitos querem se largar, se encher de aventuras, mesmo que elas reproduzam o vazio. As Olimpíadas são seculares. Provocam deslumbramentos, aquietam ânimos, configura uma paz fantasiosa. Na época, em que acontecem grandiosidades globalizadas não esqueçam que outros movimentos se desenham. Os tempos são soberanos; pintam-se com todas as cores.

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