Política e capitalismo: suspeições, artimanhas, redenções

A situação não está apenas confusa. Ela se espalha, transforma a badalada globalização numa sucessão de artimanhas e inseguranças. Sempre desconfiei da ideia de progresso. Observar evolução, numa sociedade cheia  de cartórios, é algo que não convence. Ninguém nega as conquistas tecnológicas surpreendentes.Mas a ciência está  misturada com interesses, não se foca nos benefícios, não é neutra, faz parte dos esquemas de poder.. Não faltam conflitos com violências que atemorizam todos. Há  ilusões de salvação religiosas e disputas por riquezas. Muitos já planejam, querem uma dominação antecipada, amam as profecias e os privilégios do divino. A imaginação é solta e indiscreta.

Insisto que as incompletudes produzem insatisfações frequentes. A felicidade é mercadoria explorada por bancos, construtoras, governos, igrejas, intelectuais… Quem não gostaria de viver num mundo cheio de harmonia? O que existe é uma diversidade cultural imensa, diferenças cruciais e nenhum esforço consequente para ampliar a sabedoria. A solidão marca presença e as drogas buscam aliviar os tormentos. As enganações são muitas. Os rostos se disfarçam, nem ligam para os espelhos , nem olham para os outros. Descansam nos travesseiros de espuma. Pensam nos negócios.

Mudanças acontecem. A questão é que a sofisticação do roubo é praticamente a novidade maior. As manchetes dos jornais se repetem. Citam milhões, anunciam inquéritos, mostram que as indústrias de armas ganham fortunas e que somos inocentes, pensando que possuímos astúcias. Fermenta-se a competição. A política não se volta para o coletivo. Não seria melhor escolher outros nomes? Qual mesmo a distância entre o público e o privado? O sucesso massacra o afeto e pragmatismo se apropria das pedagogias. Ensina o caminho do êxito? A hora exata de tomar o dorflex?

Não sei quem acha que o capitalismo pode renovar a sociedade e redefinir a desigualdade. Não é um debate incomum. Existem consultores que procuram empresários com planos que retomam lendas de paraísos. No entanto, as cidades continuam maltratadas e as expectativas concentradas nas próximas eleições. Os risos valem uma moeda falsa de hipocrisia. Parece que o importante é acumular acusações, desorganizar, intimidar. Fica difícil navegar pelo oceano da verdade, onde a palavra sagrada é gestão. O tempo se vai, não garante que o passado envelheceu, mas que a complexidade nos oprime.Abrir a janela, ver sol reforçando as cores, respirar, ainda traz um ânimo. A força do efêmero atrapalha as reflexões.

As máquinas inventam e desafiam. Construímos a culturas e nos deslumbramos com a sagacidade dos mitos. Hoje, nos entretemos com os divertimentos cotidianos. As culturas multiplicam as oportunidades, distraem, articulam amizades pouco consistentes. Ando pelas ruas, reconhecendo pessoas, armando conversas, sentindo as possibilidades. Confesso que desconheço minha cartografia, esqueço, para sossegar um pouco, que culpas e ordens movem a história. Talvez, o Santa Cruz tenha ganho e sobre uma alegria. Que fazer com as paixões? Elas não se foram e exigem cuidado? Os afetos rodam pelo mundo?

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