Políticas, navegações, histórias

 

Não se acostume com as verdades. Elas têm vida curta. Hoje, há discursos especializados que postulam garantir certezas.É bom observar que as mudanças são imprevisíveis. Os saberes pretendem, muitas vezes, substituir as crenças religiosas. Causam confusões, aproveitam-se de ingenuidades, cobram fidelidades. Não existem clarezas definitivas. A dúvida é companheira da história. Não significa que estamos despreparados para tudo. Quem esquece que as escolhas navegam pela vida e não podemos anulá-las?

A história  compõe-se com as diferenças. Mesmo quando registramos o valor da democracia é preciso lembrar que há teorias que divergem. Se todos mergulhassem em buscas iguais, como seria possível inventar a cultura caindo num mundo de geografias parecidas? Temos proximidades, conversamos, dividimos linguagens, porém nos surpreendemos, construímos antipatias, fugimos de situações. A vida possui um território aberto para o inesperado. Por que não conhecê-lo? Por que não olhar nos espelhos e refazer suas formas? Na política, as navegações também modificam sentidos. Há turbulência repentinas ou seguranças ornamentadas.

As trajetória traçam suas linhas, o espanto se concretiza, mas os capítulos desenham escritas sinuosos. Como a história não tem uma única cor, os indivíduos nunca estão sossegados. Não faltam argumentos para justificar que a história deva ser uniforme.  Aprisionar os sentimentos não é saída. O diálogo ajuda quebrar desmantelos antigos e a não desprezar a imaginação. As eleições estão chegando. As opiniões circulam, como também os fanatismos se radicalizam. Não é tempo de calmaria. Nada com refletir e não adormecer nas promessas.A política ganhou pragmatismos e complexidades. Estamos convivendo com as comunicações apressadas: pouca crítica e muita novidade na superfície.

Tudo isso provoca choque entre as épocas e entre as concepções de mundo.Muitas imagens e sons nos cercam e nos comprimem. As sortes estão lançadas. Há quem aposte numa gestão socializada, outros gostam de curtir as estratégias e assanhar as dissonâncias. Há quem movimente-se como espectadores deslumbrados e outros cultivam uma apatia melancólica. A política exige discussão, não deve ser feita sem contrapontos contínuos. Há opiniões soltas, outras secretas, guardadas na gaveta. Vamos lá.  O poeta já dizia que existe uma pedra no meio do caminho. Ela tem peso. tamanho, forma. Como transportá-la  envolvê-la com nossos desejos??

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