Por onde anda o futebol idolatrado e assanhado?

O futebol domina corações. É um jogo de impressionantes malabarismos. Não dá para apagar suas paixões. Quem gosta, curte e vai longe nas suas argumentações em defesa dos seus ídolos. Não sou fanático, mas gosto do Santa Cruz desde pequeno, Fico emocionado com as vitórias, vivo muitas inquietudes com os descuidos, acompanho as aventuras dos bons tempos e também das fases tenebrosas. Acho o futebol uma grande dança, traz certos deslumbramentos, diverte. Era um frequentador assíduo das partidas do tricolor. Depois dos vinte anos, fui afastando-me dos estádios, sem perder o olhar para o que acontecia. Nunca desprezei as acrobacias dos dribles, as emoções das disputas, os escândalos dos dirigentes, os conflitos nas plateias.

Não é brincadeira. Leio as páginas esportivas com atenção. Não me ausento das polêmicas. O futebol está na minha vida cotidiana. Não deixo de me aproximar das suas travessias. Seu lugar é amplo. Atrai multidões e  atritos intelectuais. Há quem o veja como cenário de alienações assustadoras. Durante uma época, ouvi muita gente afirmar que era preciso amenizar a influência do futebol, para que o povo ganhasse consciência crítica e optasse pelas mudanças políticas radicais. Desperta controvérsias que não cessaram. O divertimento vira problema.

A seleção brasileira é um foco de atenção privilegiada. Tive a sorte de desfrutar de um tempo encantador. Garrincha, Pelé, Didi, Zito, Pepe, Coutinho, e tantos outros, mexiam com as expetativas. Não esqueço também de Ramon, Fernando Santana, Detinho, Nunes que jogaram no Santa Cruz. Seria difícil nomear cada um com merecimento e equilíbrio. Portanto, não me arrependo da minha presença em espetáculos, com públicos vibrantes e torcidas misturadas, sem as confusões comuns na fase atual. Prossigo minha jornada esportiva, sem aquele entusiasmo de outrora, porém, ainda, apaixonado pelo talento de alguns.

Muitas mudanças se deram, porque o futebol não está isolado. Convive com o vaivém da cultura.Não escapa das manipulações da sociedade de consumo. Virou uma mercadoria preciosa. As transações ultrapassam limites, antigamente, pensados. A globalização ajuda a agrupar interesses, esconde o conteúdo de negociações que muitos apontam como manobras para lavagem de dinheiro. São especulações. Há denúncias, pressões das multinacionais na compra dos patrocínios, redes de televisão faturando alto com suas promoções. O território não é dominado por ingênuos amadores. Ele entrelaça-se com as idas e vindas do capitalismo, alarga pretensões, multiplica famas.

A seleção brasileira encontra-se num momento nada saudável. Os jogadores se envolvem com o fascínio da grana. Os badalados recebem fortunas. Participam do altar dos bem sucedidos e nem sabem como encaminhar tanta louvação. Neymar é garoto propaganda de muitas marcas, Adriano não se despedaça com seus problemas, Ronaldinho vive instabilidades comentadas pela imprensa. A seleção não consegue mais exercer aquele poder de sedução de antes. O descontentamento é geral. A sociedade se queixa e as vaias se sucedem. Não é, apenas, o futebol que aponta que o individualismo e a celebração de lucros exorbitantes quebram a solidariedade e ilude. Há muito que lastimar. O abismo traz frustrações. A desconfiança mina a cultura e o entusiasmo.

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