Quais as medidas e os limites das transformações ?

       

A Organização Mundial de Saúde revela precupações. Quer um combate mais efetivo a AIDs. Denuncia que muitas coisas deixam de ser feitas, devido aos preconceitos contra os homossexuais. Não são poucos. Há atitudes políticas e religiosas que retomam perseguições seculares. Enquanto isso, o consumo de drogas corre solto e não se consegue desfazer o fluxo de um comércio clandestino, mas milionário e envolvente. Não se sente um foco, nas administrações públicas em questões que, quase todos, julgam fundamentais. As pesquisas mostram insatisfações com a educação, a saúde, a segurança. Os números acenam para o crescimento das desigualdades. As cidades se enchem de construções, porém não resolvem o básico. Preferem aparecer, com grandes espetáculos musicais, revivendo o mote do circo sem pão.

As fronteiras entre o público e o privado são flexíveis. A família, instituição da intimidade e dos segredos, passa por transformações profundas. Há quem afirme que a dispersão  dos sentimentos acabou com seus valores básicos. Sigo outros caminhos. As instituições possuem seus ritmos, não desaparecem de vez. A história é, também, construída com vestígios. A família viveu reviravoltas, trazidas pela remontagem da vida econômica. Então, as relações afetivas tomaram outros rumos, o interesse contaminou o mundo  e a grana trouxe rituais velozes. Não se pode negar que o desemprego trouxe singularidades para convivência familiar. Terminam os jovens adiando suas partidas para o mercado de trabalho e refundando expectativas.

Quem fecha os olhos para a quantidade de serviços surgidos para aceder às cerimônias de formaturas e de casamento? Observe que práticas sociais, consideradas antigas, são renovadas dentro das exigências de pragmatismo  ágil. O que não resiste ao consumo, ganha espaço. O capitalismo respira, derrubando alguns e ressuscitando outros. Há rebeldias controladas. Velhos hippies, de carteirinha, envolvem-se com as virtualidades das bolsas e das agências financeiras. Paz e amor é uma cantinela de um passado remoto. Joplin, Beatles, Hendrix não estão mais nas vitrines. A mistura agora é outra. Eles são lembrados, rendem lucros e histerias, porém os desejos se vestem com hábitos pós-modernos.

Impressionam a vertigem e a ousadia dos esportes radicais. O que faz mais sucesso representa acumulação de riqueza, nem que sejam as bruxarias inventadas pelas tecnologias cinematográficas. Não pense que o passado  foi dizimado, sacudido num porão inacessível. O importante é verificar a sagacidade de quem comanda as escolhas e impõe as modas. Gisele não saiu dos desfiles e firma a soberania da sua beleza. Nem todas as modelos se mantiveram na crista da onda como a brasileira. Quebrou parâmetros.

Romário fez gols fantásticos. Era uma figura polêmica. O seu talento enfeitiçava. Hoje, é deputado. Sabe qual o partido do ex-artilheiro?  A política se entrelaça com as ideais ou com a fama das pessoas? Romário está no Congresso Nacional, transitando com desenvoltura, dando autógrafos para seus fãs e defendendo o PSB. Veja a extensão da medida e pergunte-se o que compreenda o que é o socialismo. No momento, tem feito críticas ácidas aos organizadores da Copa de 2014. Como ficam as circunstâncias de um tempo que flui fazendo das turbulências espelhos das banalidades ? Quem ainda não vendeu suas mercadorias?

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3 Comments »

 
  • Paulo Marcelo disse:

    Prezado Professor;

    Nem tudo está perdido , ainda existe inteligência.
    Cheguei a conclusão ontem assistindo o novo filme de
    Woody Allen “Meia noite em Paris” vale a pena é um
    golpe seco nesse pragmatismo doentio da nossa “moderna”
    civilização. Essa é a diferença do gênio….ótimo filme.

  • Gleidson Lins disse:

    Na era do imediatismo em que vivemos, as políticas sociais estão em segundo plano. O reflexo de um trabalho sério em educação, saúde, segurança, saneamento básico, seria obtido vários anos no futuro. A princípio, a camada da sociedade beneficiada com essas melhorias estaria longe do topo da pirâmide, onde estão aqueles que comandam o país, os detentores da riqueza. Seus resultados imediatos seriam tênues e isso não interessa aos mandatários: uns precisam se reeleger a cada quatro anos e outros precisam manter seus representantes no poder para que legislem em seu favor. Para que isso continue a funcionar sem problemas, é necessário que a grande massa votante continue carente de educação, saúde, segurança, saneamento básico, para que se possa fazer promessas de campanha e reiniciar o ciclo.

    Abs,
    Gleidson Lins

  • Gleidson

    Não faltam saídas para amenizar os constrastes. O que falta é vontade política.
    abs
    antonio paulo

 

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