Tenho tempo, logo existo

 

 

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Falamos do passado como algo que não tem retorno. Nem observamos que acumulamos conhecimentos e tradições. Temos parentescos imensos com os gregos, seria uma injustiça anular as lutas do escravos romanos. Não faltam lembranças. Elas formam nossa memória. repetimos, muitas vezes, o que já foi dito. A bossa nova não esquece o jazz, a burguesia montou a capitalismo e os franceses construíram reflexões políticas fundamentais para modernidade ocidental. Quem não sente a sensibilidade de Van Gogh, as astúcias de Cervantes, a leveza de Vivaldi? Não faltavam passados que moram na cultura e inquietam as experiências.

O tempo é sempre um desafio. Muitos querem conceituá-lo de forma rigorosa. É inútil. Navego pela simultaneidade. reflito sobre o presente, mas possuo fortes imagens do passado. Portanto, consagro os entrelaçamentos. Sei que a imaginação desenha aventuras e ajuda a fugir do lugar comum. Não considero o progresso no sentido geral. Lá se foram os princípios do positivismo. Vivemos uma época de quebras radicais, mas isso não significa o império do presente. Tudo se reveste de uma velocidade espantosa. Alucinações e delírios travam afetos fabricados.

No entanto, o susto não resolve a história. Traz abalos, consolida ideias, desafia os bem comportados. As coisas se transformam deixando vestígios. Olhamos o futuro com incerteza. Há uma tecnologia que atormenta e distrai. Surgem as amizades virtuais. as máquinas compõem o cotidiano, o celular dita desejos. Exige-se rapidez. As conversas se resumem a códigos. Longe estamos da vida privada das casas com largos quintais. As cidades ganham verticalidades assombrosas. Um dedo falso num teclado redefine tudo e fecha projetos e amores. Quem só tem uma única ideia é sufocado pela intolerância

Quando será o juízo final, quando haverá a revolução definitiva? Perguntas que incomodam. A inteligência ganha espaço. Nosso corpo recebe próteses, a indústria farmacêutica se sofistica com investimentos milionários. Assim, a complexidade não cessas. A perplexidade muda comportamentos, quem adormece se acorda espantado. Não há como traçar uma cronologia da história com seus detalhes. A sociedade planeja, mas se perde. Os governos buscam saídas e mergulham em golpes e guerras ferozes. A vida segue, para quem deseja. O exílio está em toda parte. Não abandone a crítica, mas não se ache o centro do mundo. Ele não existe.

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2 Comments »

 
  • Romana Mesnard disse:

    Esse texto é nossa cópia fiel. Pois é o presente é o caso pois incorpora o passado e futuro, como disseram os estóicos,povo grego, estudiosos. E a mutabilidade pensada por Heráclito? Juntados dois atributos da vida humana é isso mesmo que diz bem dito Rezende

 

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