Alice e Nietzsche: as histórias soltas

Alice se perdeu e se encontrou no país das maravilhas. Quem desconhece a fantasia está na beira do abismo. Alice estava certa. Conversa, surpreende-se, arrisca-se. O mundo está desencantado, porque a mesmice consegue se alastrar pelos esquinas. As sutilezas são perigosas, enganam e aliciam. A capacidade de inventar é imensa dentro da cultura contemporânea.Talvez, a qualidade da invenção decepcionasse Alice. Há muita quantidade, esperteza nos discursos, disfarces nas formas. Por isso que o desencanto ganha espaço e as escolhas se tornam complexas.

Nietzsche foi um desconstrutor. Teve um fôlego de deuses e não se se incomodou em redefinir as tradições. Desconfiava das verdades estabelecidas. Queria outras arquiteturas, outros mitos e distância de qualquer ameaça de servidão. Na sua época, muito se falava de decadência do ocidente. Ainda hoje há quem ache que o descontrole da sociedade prossegue. É difícil envolver-se com as profecias, porém o futuro parece com as geometrias do caos. Nietzsche possui uma escrita mágica. Há intelectuais que respiram seu perfume. São especialistas em imitações.

A história apresenta-se cansada de tanto faz de conta. Existe uma multiplicidade de formas, ninguém duvida. O que, no entanto, se institui como alternativa que revolucione e transforme? Por onde anda Alice? O país das maravilhas se nutre de bombas e violências? A magia é deslumbramento ou está descolada dos circos midiáticos cheios da artistas de papelão? É preciso que se pinte o rosto, que não se despreze a imagem. insistem os fabricantes. Todos se preparam para contemplar a tela sem se interessar pelo conteúdo.

Num mundo de muitas culturas o inesperado não pode deixar de voar no seu trapézio. Tudo ganha vida, não importa o tamanho da mentira. Não é novidade que a mentira também vence. Ela é engenhosa, desenha ingenuidades e promete garantias. Nietzsche aprofundaria sua perplexidade no meio de tantos cinismos. Os significados das palavras modificam-se de acordo com o valor de troca. Há milhões de espectadores, todos adormecidos pelas aventuras audaciosos dos seus heróis. Há reflexões malditas.Interpretar tanta coisa é desafio quase inútil.

Escrevemos. simulamos debates, queremos distrações. Afinal o consumo contagia não só as grandes lojas. Ele tem a perversidade das epidemias. Mete-se na política. mede os méritos, questiona seu curriculum. Não faltam teorias, nem pensadores com suas seduções. No entanto, o poder se movimenta. Não protege a preguiça, pouco liga para ética. As disputas garantem audiência como novelas que descrevem casamentos efêmeros. Quem, realmente, levita com esse faz de conta, não sei! Não adianta perguntar. Talvez, todos saibam, mas prefiram um comprimido de lexotan ou um saco de batatas fritas..

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2 Comments »

 
  • Jonas Augusto disse:

    Bom dia profº!
    Que falta faz um Nietzsche nos dias de hoje. No sentido de que sinto falta de um cara que esbraveje um discurso contra-hegemônico contra essa cultura cristalizada e doentia do atual. Como o senhor bem diz, o consumo contagia, se assemelha a uma epidemia. E é aí que nos faz falta um pensador ou teórico que milite mais efetivamente, não se restrinja ao discurso, mas que parta para uma práxis que vislumbre uma mudança real na sociedade. Parece que hoje estamos carentes disso.
    Não sou, ainda, um leitor de Nietzsche. Mas gostaria de ver seu espírito crítico cheio de acidez baixando sobre alguém capaz de reproduzi-lo com destreza.
    Abraço!

  • Jonas

    É um crítico do seu tempo que deixa muitas reflexões que permanecem e desfazem muitas verdade consagradas.
    abs
    antonio

 

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