Quem atravessa a fronteira da linha da fama?

Há fronteiras. Muito misturadas, mas cheias de artificios. Não são, sempre, visíveis. Confundem-se com os limites, embora não tenham a rigidez dos tempos onde predominava a tradição. A velocidade do viver cria sensações de que tudo está solto. Por isso, a impossibilidade de atribuir significados. A confusão contamina o raciocínio e desfaz os sentidos mais lúcidos. Então, surgem os proclamadores das fragmentações. O mundo virou pó. É difícil enxergá-lo. Mesmo a tecnologia dos vídeos mímimos se perdem, segundo alguns. Resta nutrir a sensibilidade e saber ler as cartas mágicas. Será que a pesquisa histórica naufragou de vez ? Quem concretiza o resultado final: a ciência, a religião, a arte ou a politica?

Talvez, o melhor seja não fazer conjecturas sobre o final. Deixa a fluência viajar e assanhar todos os territórios. As fronteiras existem, porém não dá para torná-las estáticas. As questões não querem sossego. Não importa se o reino da religião é poderoso e carismático ou se a ciência se alia com os mais diabólicos planos do capitalismo. A beleza não mora em qualquer lugar, mas ajuda a suavizar os descontroles e imaginar cores impossíveis. O sucesso é efêmero, um produto do mundo das mercadorias. Os pretendentes são muitos: políticos, atletas, pintores, romancistas, malabaristas, engenheiros de produção… A ausência de desenhos de fama emperra a mobilidade do capital, cria marasmos, para quem os espelhos iluminados apontam o destino precioso dos cofres volumosos.

O risco já estava nas aventuras de Hércules, nos desejos eróticos de Afrodite, na esperteza dos dribles de Garrincha, nas batalhas majestosas de Napoleão. Quando a  cultura se apresenta, a complexidade do fazer humano se destaca. A história nunca foi promessa de quietude. As sociedades não se anularam, quando traçaram suas leis ou retomaram suas vontades de transgressão. O século XXI não iria contrariar o passado de maneira radical. Ele possui suas singularidades, contudo, não se vê como único e indiscutível. O futuro não é o encontro com a perfeição. Pode ser o apocalipse e a decretação da soberania de um preguiça universal. Quem sabe precisar o que ainda nem começou? Há sentimentos e nostagias no cenário de quem se submete?

A linha da fama é um desafio. Traz frio na barriga. Amplia vaidades e decompõe certezas. Pergunta a Neymar se ele desprezaria ser manchete nos jornais! Pede  a Ronaldo para ele se esconder, no mosteiro, e meditar sobre os tentos marcados no Barcelona ! Será que Ivete Sangalo renunciaria, repetinamente, a sua exposição constante na mídia ? A torcida do Corinthians gostaria de ser considerada a menos vibrante do Paulistão? E você dispensa um elogio de quem está próximo? É possível medir o nível de cada carência? As respostas se multiplicariam. A escrita do texto sufocaria. Toda sociedade  produz estranhos. Mas cada espécie de sociedade produz sua espécie de estranhos e os produz de sua própria maneira, inimitável ( Zymunt Bauman). Os equívocos e as repetições não foram absorvidos pela fronteira. A linha, às vezes, se desfia e rasga as vestes de quem se julga eterno. E daí? Conjugue o verbo esperar.

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2 Comments »

 
  • Caro Prof,

    encontrei seu blog na internet pesquisando a palavra “Astúcia” e me autorizei a entrar em contato!

    Sou escritora iniciante e fui contemplada com a Bolsa de Criação Literária da Funarte com um projeto de escrita de poemas com este tema.

    Olhando seu blog encontrei muitas referências.

    Gostaria de saber se o sr. responderia algumas perguntas por email ou estaria disposto a marcarmos uma entrevista.

    Moro em São Paulo, trabalho com arte e educação no Instituto Tomie Ohtake, na Fundação Bienal de São Paulo e oriento grupos de poesia.

    Estou buscando interlocução! Se tiver interesse e disponibilidade, posso enviar um resumo do projeto.

    Espero que seja possível iniciarmos um diálogo,

    grata,

    Angela Castelo Branco
    http://www.angelacastelobranco.blogspot.com

  • Ângela

    Podemos começar um diálogo. Moro em Recife, mas veremos, via e-mail, a possibilidade de responder suas perguntas. Quando aparecer, por aqui, estou a sua disposição para uma entrevista. Aguardo novo contato.
    abraço
    antonio rezende

 

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