Quem compra a depressão?

 

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O circo não é permanente. Ela muda de lugar, esconde-se para poucos, busca novas atrações. A sociedade moderna exige um movimento que acelera qualquer desejo. É difícil calcular o tempo e a necessidade. Entrar no circo pode ser uma fuga, mas como ignorá-lo? O nome dos outros atiça, nem significa uma solidariedade, pois a sociedade gira como uma bola chutada sem direção. Querer firmar o progresso e entender as teses iluministas, negando os mitos e as ilusões não garantem que a vida está resolvida.

A ansiedade puxa uma reflexão apressada. Há o cansaço. Todos se acham contaminados pela epidemia do sucesso. Se ela não aparece a cabeça se curva. O mundo das mercadorias transforma-se em espetáculos que não cessam. Há quem se aprofunde e compreenda a força dos disfarces. Outros se fantasiam. Fazem da história uma carnaval onde os deuses oferecem perdões pela embriaguez cotidiana.

Quando se discute a questão das drogas não, apenas, est em jogo a moralidade ou as religiões. A alegria tem um preço, possui sua artificialidade. Depois que tudo acaba, a grana se dissipa, a alegria retorna procurando colo, porém é preciso estímulo. Ele está na máscara que o instante do sucesso  traz ou tudo é passageiro para que o cinismo se coloque como o toque do contemporâneo? O desconhecido está nas cores do psicodélico, no prazer de tomar uma coca-cola gelada?

Tudo se compra, se vende, numa economia simbólica aterrorizadora. No entanto, criam-se manipulações para que os segredos do poder não sejam abertos. Exercitar o individualismo garante que a dissimulações seja a metamorfose preferida dos privilegiados. Tudo globalizado, com exílios vividos na solidão do quarto ou numa conversa melancólica num facebook sem imagens. Há um gosto de mistério misturado com a amargura pálida. O sucesso é, muitas vezes, uma imagem desfigurado num circo de horrores.

Ninguém compra o mundo e segue sendo tutelado por Zeus. Inventam-se paixões por objetos ou pessoas que nada representam na cultura coletiva. O caminho da depressão concentra desperdício, luta contra inércias, ver a agitação mas sente que não testemunha salvações. A verdade não é clara e, talvez, seja sombria. Faz séculos que se estuda a humanidade, que os filósofos criam metáforas e pensam em decifrar o mundo. O pecado não consegue ser expulso das relações sociais. A linha reta desapareceu ou nunca existiu. Não adianta comprar nada, para celebrar o império do desepero.

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