Quem define as interpretações dos sentimentos?

Há dificuldades que não impedem que as histórias circulem. As pessoas vivem obstáculos, nem conseguem superá-los, mas a vida continua. Não é  à toa que se repete que a história convive com o inesperado. Quando se rompeu com o nó das profecias, as dúvidas se multiplicaram e as sociedades observaram que os dogmas têm trânsitos e não, eternidades. Estabelecer metodologias que definam certezas não convence. Vivemos com referências, não sacudimos todas as verdades nos abismos, porém sabemos que mundo gira. Suas andanças surpreendem, não merecem enquadrá-las em apostas.Vamos interpretando o que acontece com muitas palavras. Não faltam metáforas, nem imaginações sem fronteiras.

Inventamos a matemática, a gramática, a filosofia, a tragédia. Somos astuciosos diante de tantas perguntas sem respostas. Conseguimos equilíbrios mesmo que instáveis. Há sensações de que caminhos podem ser abertos. Nem tudo está preso numa caverna. As luzes e as sombras tramam seus diálogos e nós construímos cenários que mudam valores e sentimentos. Mas a sociedade sobrevive sem valores e sentimentos? O que significa a mudança? Ela é apenas um artifício para amenizar a dor ou distrair os pesadelos? Ou uma forma de assegurar que o sonho não se dilua? Talvez, comporte muitas saídas para as sinalizações da vida.

A cultura produziu uma diversidade de ações nos últimos dois séculos. O projeto de dominação da natureza foi marcante. Não se apagaram as violências, nem tampouco houve consensos definitivos. Parece que o convencimento não ganhou muito espaço. Ainda há disputas que provocam mortes. Antigos ressentimentos trazem confusões. As notícias mostram a perplexidade. Os Estados Unidos sofrem ataques, lembram suas políticas colonialistas, a religião ganha destaque. As crenças se chocam. As religiões prometem sentimentos de paz , mas eles não se afirmam.

Com o mundo tomado pelas comunicações não ficamos ausentes dos acontecimentos. Não adianta fugir. Há quem valide suas indiferenças, porém as conversas se soltam. As divergências envolvem-se com os sentimentos. Difícil interpretar tantas fantasias que, muitas vezes, encobrem políticas imperialistas, disfarçadas e espertas. Não se pode viver sem buscar compreensões. Elas não se esgotam. Os seus significados são históricos. O catolicismo tinha poderes na Idade Média, a escravidão ajudou o capitalismo a segurar o crescimento das suas riquezas e arte refez dimensões estéticas. Tudo isso não se reduz a fórmulas. Há quebras de sentimentos, na medida em que os sujeitos históricos ampliam conquistas ou desprezam culturas.

As hermenêuticas da vida não se prendem, apenas, aos tratados filosóficos. Observar cada coisa se insere nos movimentos do cotidiano. Há quem goste dos detalhes, desenhe o individual e o valor das suas ambições. No entanto, como animais sociais seguimos juntos, não importa as animosidades. A solidão é um momento, o sonho anda de braços dados com os pesadelos. Expressam linguagens misturadas. Existiria a clareza ou as imagens estão sempre mudando com a luz que não é só dos nossos olhos? O que se esconde? Somos ousados inventores de labirintos? Damos nomes ao que vivemos. Incompletos, passageiros, esquisitos, fascinantes. As palavras dizem do tempo e dos temores. Elas nos suspendem.

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2 Comments »

 
  • Raquel Muniz disse:

    Fato ser impossível viver sem buscar compreesões. Nessa busca a nossa astúcia se revela ao lidar com a perplexidade cotidiana, e as palavras com as quais nomeamos o inesperado, tomados de assalto, são fugidias como nossas teorias.

  • Raquel

    A vida é composta de coisas fugidias.Isso cria expectativas e suspenses.
    abs
    Antonio

 

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