Barack Obama: a busca e a dissonância

As últimas eleições norte-americanas trouxeram suspenses. Havia receio que os mais conservadores se firmassem no poder. Não foi uma disputa fácil. O capitalismo está repleto de dissonâncias e não consegue aumentar seus malabarismos. Isso atinge todos. Não é uma crise isolada. Os Estados Unidos representam inúmeros símbolos das andanças dos costumes e das relações econômicas internacionais. A derrota de Obama significaria quebra de possibilidades de mudanças sociais. Os republicanos não aceitam intervenções do Estado em certas áreas. Defendem o liberalismo sem hesitação. Os democratas prometem reformas, querem balançar a sociedade, sem abandonar as suas bases capitalistas. É uma pequena síntese dos contrapontos norte-americanos.

Obama venceu. Muitos se sentiram aliviados. Esperam ousadia, uma política que não tergiverse nas escolhas. Houve excesso de exaltação na primeira eleição de Obama. Parecia uma revolução disfarçada. É claro que não foi algo comum. Os Estados Unidos possuem uma população heterogênea, marcada pela presença decisiva de imigrantes. As lutas raciais criaram choques violentos, ameaçaram conquistas democráticas. Os ressentimentos não se desfizeram. As tensões não são apenas econômicas. Há desacertos, perdas, passados e tradições que mobilizam grupos divergentes. Obama sabia que as dificuldades exigiriam muitas negociações.

Houve frustrações. Os limites políticos confundiram muitos projetos com a afirmação de igualdades indiscutíveis. Nem tudo é previsível, a história tem idas e vindas, os interesses se multiplicam e perturbam os governos. Obama conviveu com impasses, procurou realizar as promessas de campanha, mas deixou desmantelos. Não era o esperado. Os abalos na confiança aconteceram. O segundo mandato poderia não se concretizar. Já pensou os republicanos no poder, desafiando acordos, agitando políticas de armamentos? Era uma questão grave e globalizada. No entanto, o sufoco se foi e novas expectativas se estendem para satisfação de parte expressiva dos norte-americanos.

Obama assume com o discurso da igualdade, reforçando a necessidade de transformar relações sociais. Ressalta as heterogeneidades, porém não esconde desejo de retomá-las como símbolo de grandeza e não de perigos. A cultura norte-americana possui singularidades. A ideia é não negá-las, buscar a união, evitar o desconfortável. A sociedade se reanima, os adversários traçam armadilhas e política alarga seus tentáculos imensos e audaciosos. Para onde caminharão os Estados Unidos e sua soberania? Eles desistiram de tomar conta do mundo? Falam em divisão, em pactos, em fim de conflitos? Muitas perguntas anunciadas, muitas respostas que incomodam, pois as certezas são jogadas para o futuro.

Tudo se estreita.Os meios de comunicação não se cansam de sacudir imagens. Cada um faz sua leitura. Há as emoções imediatas, as visões encantadas. Ninguém  desconfia de tudo, porém as garantias sempre andam na corda bamba. A história ja estimulou crenças, milagres, utopias. As desigualdades permanecem. O humor flutua. Sempre a lembrança da instabilidade, do sagrado e do profano, do apocalipse e do paraíso. Não há como fixar destinos. O cotidiano tem metamorfoses inesperadas. As apatias também se abalam. Fundam-se outras gramáticas e ritmos. Cabem sonhos e sustos, o sossego é apenas uma pausa  indefinida, como o descanso de um ruído que não se foi de vez.

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