Quem dialoga com a morte?

 

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A morte de Bibi deixou uma saudade imensa. Traz aquelas perguntas que abalam o coração, Bibi era uma figura indefinível, bela e sedutora Entrou na história com uma dignidade suprema. Soube ser sonho e arcanjo. Mas a morte nos deixa sempre inquietos.Toca lá dentro, transforma expectativas, nos enche de dúvidas. Ela acompanha a vida e não tem  data marcada. Pode ser um suspiro, um acidente, uma queda, uma agonia. Tudo indescritível para quem sente a dor se veste com pessimismo. Não dá para esconder as amarguras e agitar memória. Desmonta.

O mundo se agiganta com o crescimento populacional. Muita gente, poucas moradias, intrigas, desconfianças, desistências. A complexidade da história forma um  desenho misterioso. Definimos teorias, observamos experiências, recorremos aos poetas, porém as incertezas atravessam estradas e nos atropelam. Quem cultiva divindades não se afasta das suas medidas de salvação. E as guerras entre aqueles que oram,que prometem generosidades, que condenam os pecados e as injustiças? A perplexidade nos habita sem cerimônia.

A sociedade convive com  refugiados. Não há paraísos, mas desamparos e depressões que intimidam e esticam as desesperanças. Com tantas armas, com intelectuais defensores da desigualdade, governantes tolos e cínico, a história se ressente de fôlego. Nem sempre, o amanhã  pinta o azul. Há tempestades, rebeliões da natureza, estragos contínuos tramados por senhores da riqueza. O tempo da lamentação existe com aceleração que assusta. cada dia acumula notícias, o fugaz impera, as vitrines enganam consumidores infantilizados. Estreita-se o espaço da ousadia, pois o sadismo faz vítimas e estimula vinganças.

Perguntas inadiáveis, porém inúteis. Inventamos saberes, buscamos gramáticas, copiamos desejos da imaginação. Restam palavras para traduzir sentimentos. É o que fazemos: compreender e traduzir sentimento. Para alguns basta simular alegrias e guardar as frustrações para depois. Não conseguem analisar o mínimo, nem olhar o sofrimento que atinge os outros. O ser humano é uma grande assombração. Canta belezas. comete atrocidades, balança-se em trapézios esquisitos. Não há como abrir as portas e esperar que as luzes ocupem todos os lugares. É impossível espantar as sombras e expulsar o absurdo. Quem dialoga com quem?

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