Quem disse que não gosto do Brasil e do Santos?

Há novelas que se prolongam. Duram meses, eternidades, cercadas de comentários dos mais diversos. A televisão, com suas novelas, estimula sensações, questiona hábitos, desfaz casamentos,  adivinha  futuros. Muitos transferem seus dramas pessoais para as telas,  com seus atores e atrizes famosos.

Existem momentos, da chamada vida real, que lembram as histórias badaladas das ficções. No seu noticiário, a imprensa encarrega-se de fermentá-las. Os boatos prosperam, as dúvidas crescem e os finais acontecem com frustrações ou alegrias. Tudo é possível, pois as relações humanas vivem numa grande dinamicidade.

A cogitada viagem de Neymar, para Inglaterra, mobilizou e serviu como ponto de debate até de valores éticos. O futebol ganhou mais lugares nas conversas do dia-dia. Um assunto polêmico e atraente que provoca as pessoas. Muito dinheiro em questão, perspectivas de mudar de cultura e enfrentar outros obstáculos.

O Santos não dormiu e foi à luta. Quase ninguém acreditava que a proposta do Chelsea fosse rejeitada. Mas não  custava tentar, costurar alternativas e afastar Neymar dos fascínios europeus. O time da Vila se estruturou e fez um plano de carreira para o jogador. A questão financeira foi bem pensada. Era uma reviravolta nas negociações.

Neymar, junto com seu pai, decidiu ficar. Sentiu-se confortado com as ofertas e ouviu conselhos de muitos amigos. Deixou o trapézio balançar, mas não caiu na rede. Ainda é muito jovem e a imagem de Robinho, desandando pelos campos britânicos, se fez presente. Havia medo de um fracasso. O dinheiro não é a salvação para tudo.

O Santos garantiu-se. Deu exemplo. É preciso não superestimar os planos estrangeiros. Temos que sugerir outras saídas, sem ficar na lamentação. Se o futebol brasileiro não reagir às investidas milionárias, vamos fragilizar nossas equipes. Nada de assistir à banda passar.

A novela teve um término interessante. Abriu espaços, alterou promessas, afirmou o poder  da imaginação. Partir cedo para Inglaterra pode ser a glória, mas a experiência é fundamental, para não se desgastar no meio da euforia. Há exemplos de todo tipo. O risco não está ausente das aventuras da vida. Neymar escutou e apostou numa solução. As críticas virão dos mais ambiciosos.

O Santos pretende executar um projeto. Neymar não se desfará do que já foi conquistado.  Mais promoções para sua arte e sua excelência nos malabarismos imprevisíveis, com recompensas financeiras concretas, estão nos sonhos de Neymar. Os dirigentes não podem enfeitar-se de tramas e divulgar coisas que não cumprirão. 

A torcida é de todos que gostam do futebol e temem pela força de negócios sinuosos. A necessidade de formar craques é a base. A segurança nos contratos é um passo para articular confiança. Além disso, não esqueçam da ética.

O capitalismo está nas mentes e nos corações. Seduz. Mistura valores e celebra o descartável. É cruel  transformar o outro numa mercadoria. A vida não é uma coleção de celulares de cores e ruídos diferentes. Somos do mundo, estamos no mundo. Temos sangue nas veias e ritmos nas emoções.

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