Quem inventa a democracia e a utopia?

 

 

Já disse, muitas vezes, que a utopia é fundamental. Não significa que teremos, sem dúvida, um mundo a partir de convivências  saudáveis. A utopia ajuda a procurar saídas e aumentar a reflexão. As dissonâncias existem, trazem conflitos, mas como não observá-las e focar no diálogo? Portanto, não podemos nos reduzir ao que o cotidiano nos apresenta. Há possibilidades de invenção, somos responsáveis pelas mudanças. Comemorar distanciamento da política é um ato de apatia que naufraga as embarcações que encontram o cais iluminado. Estamos envolvidos por polêmicas que fazem parte da construção de cada vida e de cada coletividade.

Escrevo, antes, dos eventos do dia 16 de 8.  Não custa conversar, não deixar de pensar no ontem e no hoje.Todos sabem que o mês de agosto tem um peso especial. É sinal da azar segundo os mais supersticiosos. marcado por eventos fatais. Quem se esquece, contudo, dos oportunistas que promovem passeatas sem conhecer a memória, nem tampouco estimular o debate? Tudo fica confuso quando a disputa pelo poder maior passa pela agressividade e esclarece que a política não vive sem cinismos. Não tenho receio de afirmar que há divisões, protestos, muita coisa obscura e interesses por valores do mercado. Os rostos se parecem na raiva simulada, as verdades se mostram como propriedades privadas. Mas não consagremos homogeneidades. Há discordâncias coerentes e ativas.

Penso na democracia como um horizonte distante. Há imensos jogos de discursos que possuem significados históricos. Haverá uma sociedade de plena igualdade numa cultura cheia de incompletudes? Não sou profeta. No reino do capitalismo não há como negar que as armas intimidam e o pragmatismo se estende. Não se promovem , apenas,  descuidos. Para se governar é preciso seduções, promessas, controles. O Brasil se ressente de projetos, há desacertos inegáveis. Não adianta fechar os olhos e quebrar os espelhos. Cair no pessimismo radical é entregar a história ao acaso, desfazer-se das responsabilidades sociais. É preciso também acompanhar as alianças políticas e compreender as idas e vindas.

As inquietudes estão soltas. Aparecem fantasmas astuciosos. As palavras ganham tensões constantes. Não se sabe qual vai ser o caminho. A política não costuma cultuar regras fixas. Há as chamadas traições, “vítimas” com milhões em bancos europeus, salvacionismos que articulam crenças O sagrado perde-se ou se mistura com o profano. A democracia se mostra em cartazes, assegura acusações, porém quem a inventou ou quem se abraça com seus princípios básicos? A imagem do paraíso anuncia a história, porém ela não prevaleceu. Sua fotografia desbotada assusta,  desfigura o sonho e acorda o pesadelo. Há uma atração cega pelas manchetes, uma atmosfera de desconfianças, uma parceria com a novidade vazia.

 

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