Quem não conta a ambiguidade histórica?

As relações sociais se constroem com as idas e vinda do tempo histórico. Não deve haver um contar uniforme e cheio de celebrações imutáveis. As incertezas sempre fazem parte das travessias, as relações se transformam, há resistências e se multiplicam as teorias sobre as possibilidades de se firmar uma convivência social sem assombros. Mas as instabilidades não se vão.A história é território de disputas constantes, mesmo que os pacifistas procurem evitar violências e denunciar as ambições. A sociedade é cenário de rebeldias, torturas, drogas, dissonâncias, intrigas culturais. Há surpresas, anúncios de juízo final , de religiosos insatisfeitos com suas divindades.

A complexidade do humano não conseguiu ser lida exaustivamente pelas imensas divagações dos saberes. Acontecem rebeldias inesperados, voltam preconceitos, as revoluções não atingem seus objetivos, as epidemias invadem regiões e as desigualdades estimulam violências. Quem narra a história não pode esquecer das vasta ambiguidades e nem das fantasias criadas desde o pecado original. Porém, é preciso compreender as escolhas e medir a distância das intolerâncias. Nada é fácil e os incômodos são visíveis.

Marx condenava as explorações capitalistas, Rousseau gosta de pedagogia, Freud assustou sua época, Adorno questionava a cultura do seu tempo. Muitas divagações e tensões políticas povoando os imaginários sociais. Os valores democráticos vacilam, pois existem ditaduras perpetuadoras de censuras. A concepção de uma globalização solidária não se concretizou. A obscuridade existe, como também os que são peritos em armadilhas. Como negar as perplexidades? Como se ausentar das dores e dos conflitos diários?

As negatividades flutuam, junto com planejamentos de guerras econômicas. Quem afirma que o militarismo se foi? Quem anula as pretensões imperialistas? Conta-se a história, sonha-se com a força do coletivo anônimo, mas persistem as emboscadas, os ataques milicianos, os acordos diplomáticos nada provocadores de harmonias. Há quem se sinta senhor das narrativas históricas e desprezem as inquietações. Não faltam os seguidores do autoritarismo. Tudo indica que o mesquinho e o medonho não abandonaram suas configurações intimidadoras. A história está vestida de sentimentos, não circula na geometria da objetividade.

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