Quem não vê as milícias agindo?

Nas vidas que se seguem e nos cantos que pertencem a cada um, a história não se cansa de movimentar notícias e explorar perplexidades. A sociedade se desmancha, mas muitos não observam que a violência possui várias formas de ataque. Não se ligam que os preconceitos continuam ativos. Adormecem em egoísmos imensos. No Brasil, a tensão não deixa de marcar o cotidiano. Os governos não sacodem o pó das perversidades e a desigualdade não se vai A família de Jair produz estragos. Há quem ria, sem abrir as portas que contemplam os corações doloridos. A lucidez dorme em lugares tenebroso, sem conseguir respirar seu perfume.

Quem caminha e aplaude as declarações de Flávio e Eduardo? Quem admira as travessias duras preparadas por Paulo? E Moro continua sendo o messias de salvações? Tudo é confuso, as misérias atingem a maioria e cometem estragos incomensuráveis. Os privilegiados firmam seus poderes, sacodem riquezas , aliciam, torcem para que a concentração constante de direitos permaneça em seus tesouros. É estranho, causa medo, cresce a ação miliciana que inibe a resistência e transtorna qualquer possibilidade de rever as utopias.

Tudo indica que houve um planejamento bem articulado. Jair não é tolo e ensaia irritações. Possui assessorias espertas e um passado que o condena. Ninguém tem certeza de como se uniram tantas falcatruas. Tudo começou com Temer? Por que o anti-petismo é tão algoz? Lula estava comprometido com solidariedades ou as legitimidades se enfraqueceram? As delações armaram situações terríveis e fortaleceram conservadorismos? A vitória de Jair aconteceu, num clima apodrecido e de reviravoltas danosas. Há cheiros de apocalipses e desconfianças frequentes. A atmosfera fere sentimentos, amplia ansiedades. As máscaras mudam cores e inventam esconderijos. As nostalgias do fascismo abalam e desconstroem sonhos. Para quem ou para quê? As nostalgias fundam desmantelos?

A política não mede resultados que excluem as intrigas e anulam os autoritarismos. Quer manter mordomias, evitar que as maiorias possam sair do sufoco, fermentar ódio e ressentimentos. A imprensa inquietas as emoções mais vulgares. Vende e constrange. Há terrores milicianos desenhados por violências extremas. Momento de nebulosidades, análises vazias, cinismos arrasadores. O peso é grande, porém não há como negar a complexidade das saídas. Elas precisam ser pensadas. O coletivo é fundamental. Não adianta fechar os olhos e apelar para destinos com orações comprometidas com a escassez da generosidade. Limpar a sujeira significa se aproximar das responsabilidades com a cidadania. Ir além do mesquinho atrai o desejo de arrumar a mente e não cair no pântano da desavença definitiva.

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3 Comments »

 
  • Daniel Silva disse:

    Milícias e malícias. Fardas e ternos. O nome de Cristo na cabeça e uma arma na mão. E, na pós-verdade, só se vê o que se quer ver. Seletividades.

  • Daniel

    Muitas incertezas nesse mundo da disputa.
    abs
    antonio

  • Rivelynno Lins disse:

    …a decodificação do mundo, da ordem social, política e cultural. Como entender, interpretar e reagir aos enunciados fabricados intencionalmente para enganar, mentir e manipular? Os meios de comunicação da tv aberta, os robôs das redes sociais, a fala dos pastores replicadas de modo único e sem divergências em todas as filiais de suas igrejas evangélicas operando num mesmo sentido a favor da atual governabilidade federal. A defesa do extermínio do outro, da tortura, da retirada de direitos, tudo é explicado para o povo de uma forma a ser aceitável nos dias de hoje, para tudo há uma defesa, um argumento, mesmo que não se sustente, ele é repetido a exaustão. O presidente, seus filhos e suas ramificações com criminosos, tudo parece não ter nenhuma importância quando se diz que o governo defende a família e a religião evangélica. Logo, todos os absurdos cometidos são ignorados e o governo se fortalece, é popular, em grandes parcelas de ricos, de classe média e de pobres, nenhuma forma de resistência foi encontrada para reverter uma popularidade estagnada de uma determinada parte da sociedade, não há contra discursos significativos. O que empiricamente se percebe é um país dividido radicalmente entre apoiadores e desafetos do atual governo, e assim, caminhamos, sem paz, sem solidariedade, sem afetos e sem entendimentos…

 

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