Quem não ver o exílio e a ditadura de cada dia?

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A modernidade trouxe referências do passado, mas prometia mudar. Queria revoluções, mas aconteceram genocídios. A violência tomou outra forma. A política não conseguiu navegar no mar da liberdade. Os tempos produziam  máquinas, ciências, urbanizações. O grito do progresso parecia apagar os sinais de desigualdades. A modernidade não cumpriu seu projeto. Acenou com democracias e nem se desfez das ditaduras. O fim do absolutismo não transformou a história como se esperava. Os totalitarismos se consolidaram. Riem das farsas.

A sociedade vive num exílio, faltam utopias, sobram discursos. Ninguém possui a varinha mágica, para negar que a humanidade se sufoca. Alguns afirmam que as possibilidades de criar outros valores estão abertas. Mas observem como as promessas não saíram da imaginação. As religiões caminham, junto com os pecadores, pedindo perdão aos deuses e ajoelhadas diante dos poderes de tiranos. Fazem alianças, inventam demônios, silenciam. Os mandamentos são princípios carentes de práticas.

Nietzsche padeceu de ataques medonhos. Esteve na galeria dos nazistas. Porém condenou os farsantes, mostrou a dificuldade de se descolar das fraquezas. Condenou o capitalismo. Ele aprofundava a miséria, Não se conseguiu alijá-la, concentrou  poderes. O  fascínio do individualismo se choca com a rebeldia. Ser animal social e apagar a solidariedade ou permitir que a desigualdade se globalize é um sinal de decomposição. A doença social deprime.

Portanto, o medo se alarga, porque não há como se segurar nas paredes que impedem  a violência. A história muda suas roupas, mas age para além de qualquer generosidade. A lei não é o limite, justifica a opressão. Desenhou-se um futuro que nunca existiu ou salvações que morreram. Fala-se no caos, na crise, como se eles fossem acidentais. Não se contempla o que aconteceu, não se percebe que as repetições têm o perfume da moda. O muro se mantém. A solidez do descaso fere a cultura. Ironia cruel.

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2 Comments »

 
  • Rivelynno disse:

    …é, o social passou a ser “a doença que deprime”, “o fascismo do individualismo” ganha força, se firma no páreo do tempo da história do presente, a religião parece ganhar um novo fôlego e os discursos que apontam os pecadores são vazios, eles apenas seguem mandamentos carentes de práticas. A tirania religiosa aponta os oprimidos e afirma que eles são a maldição, o mal e o próprio pecado, não há misericórdias, não há utopias, há um mundo ruim, sem gentilizas e sem solidariedades, é cada um por si. O sonho ainda precisa ser construído, ser posto para fora da imaginação e ganhar materialidade, mas aqueles que eram crédulos parecem que ainda não acordaram ou não entenderam que precisam reagir…

  • anuska salsa disse:

    A história conta que o mundo não dá tréguas. Fico muito feliz por saber que, mesmo fazendo parte de uma vivencia virtual em sua vida, faço parte de suas lembranças.Já é sabido que você faz parte de meus afetos. Bjs. Gratidão!

 

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