Quem pensa na certeza definida se engana?

Quem calcula e antecipa, muitas vezes, se engana. Sinal de arrogância ou de preconceito contra alguma coisa. Vi entendidos, em futebol, tripudiarem do time africano e garantirem uma vitória do Internacional. Tudo foi muito diferente. O jogo surpreende quem não aprofunda a dimensão do lúdico. O mundo está muito desatinado e querem ordená-lo fabricando discursos especializados. É impressionante o equívoco.Quem transforma os  especialistas em oráculos, se condena.

Todos cantavam uma final, com os mais poderosos. Não vai acontecer. Desde que o futebol caiu, de vez, nas aventuras do mercado, sua lógica ficou submissa às artimanhas empresariais. Isso é muito pobre, para quem gosta da arte que o jogo transmite. A obrigação da mídia de festejar e arquitetar espetáculos termina por esvaziar a diversão. É preciso não esquecer o entrelaçamento das coisas e das relações. Quando a gente avisa sobre a força do capitalismo, não deseja ressaltar seu domínio total. Nada do que é humano tem a soberania  absoluta. É que o capitalismo deu asas ao pragmatismo, inventou armadilhas e não se cansa de desenhar máscaras.

Muito se fala da crise atual. Países europeus tremem ao pensar nas suas dívidas. Os Estado Unidos tentam sair dos desmantelos e encontram as astúcias da China. A economia muda suas estratégias, mas a exploração continua. Quem pode negar como a desigualdade ainda sobrevive ou o esforço do trabalhador chinês diante das falácias da produção?

O mundial de futebol perdeu seu brilho. Ganhou outros espaços, internacionalizou-se. Ficamos, agora, encostados nas imagens das televisões. Elas, os celulares, os computadores são privilegiados. São os senhores desse capitalismo que usufrui de truques  e da sagacidade das propagandas. Não dá para chorar a derrota do time brasileiro. Muita coisa se esconde nessas manobras, portanto a desconfiança só aumenta. Que interesses governam esses encontros feitos em terras cheias de petróleo ?

Os torcedores lamentam, numa rebeldia passageira. Caravanas foram criadas, para vibrarem no exterior. Os negócios se firmaram com outros objetivos, sem, contudo, sacudir fora a sedução do lucro. Quem são os culpados? Quem será crucificado? Com certeza, o técnico domina a berlinda. E os jogadores hesitaram ? Onde está a preparação sofisticada ? Não se previa o desastre . Tudo consolidava a grana solta para os vitoriosos.

Não faltarão perguntas ou confissões de excessos. A perplexidade deixará alguns mudos. Mas é a vida, o risco, o descontrole. Os exageros causam pecados capitais e o desperdício destrói esperanças. Assuntos para os que gostam de palavras vazias. Por que não celebrar a globalização dos esportes? Os africanos podem conquistar a hegemonia ou estão marginalizados para sempre? Chega de colonizar e de criar vítimas.

As profecias pouco funcionam num mundo sem pertencimentos. Tudo parece combinado. Quando o drama se estabelece, também se lucra com ele. Há um jeito de não se perder nada, de tocar para frente. A velocidade exige respiração ativa, sem chamegos com o passado. O que vale é o instante carregado de idealizações. Vamos mesmo para onde? O tamanho da lágrima é do tamanho da dor? Os olhos pesam quando se escondem?

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