Quem respira na poluição do consumo?

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Ninguém se ausenta dos chamados do consumo. Pode ficar incomodado, acha tudo uma ilusão, mas os ataques são constantes. O capitalismo não brinca. Discute-se política, despreza-se a corrupção, fala-se mal do presidente. Há queixas generalizadas. Os atrativos da propaganda não se vão. Não precisa se inquietar. Caca passo é um encontro com uma vitrine. Nem todos compreendem porque tantos apelos e produtos cheio de cores. Longe estão de querer estudar as tramas dos donos das empresa ou mergulhar nas astúcias dos meios de comunicação. Lamentam-se quando surge um celular de grande potência e não podem usá-lo. Falta grana.

A sociedade de consumo é poderosa. Cria hierarquias, inventa sonhos. O capitalismo procura esconder suas manobras de exploração.Há quem não articule as redes de ação dos que monopolizam as riquezas. Existem utopias que danificam os encantos do capitalismo. Há alternativas. No entanto, as violências persistem e os admiradores do fascismo não perdem espaços de poder. Portanto, as desconfianças adoecem a sociedade, os preconceitos comprometem os afetos e as polarizações reforçam as intrigas.

Se o consumo traz alegrias efêmeras, consolida aventuras superficiais, a política corre para destruir instituições e fechar as portas para o diálogo.Esquecer que a exploração conduz a desigualdade é assegurar o desmanche. Todos se investem na mesquinhez ou protestos e expandem em busca de denúncias? Permanecem as dualidades e os oportunismos. Aquelas histórias do pecado original renascem no imaginário e arrumam desculpas para os desmandos das religiões. O sagrado possui formas que lembram vitrines com sacerdotes enganadores.

O fundamental é que os saberes não se afastem. O pensamento fragmentado destrói as possibilidade de reconstrução.Ficamos na beira de abismos e de deboches autoritários. Não dá para cultivar separações, quando tudo se interliga e ameaça a solidariedade. A concentração de privilégios tem forte ligações com a armação dos partidos e com os vazios dos discursos populistas. O cuidado com as ornamentações teóricas deve ser ativo. É preciso esclarecer e não deixa se levar pelas novidades. O mito do progresso é um armadilha medonha. Esfarela a convivência com promessas de avanços nunca realizados.

A crise é radical não se resume às idiotices que circulam nas declarações dos governantes. Há quedas nos valores, que tumultuam a sociabilidade, para disfarçar a competição cotidiana. Os significados da cultura mostram que a economia arrasta a maioria para a afirmação  de instabilidade cruel. Observem a quantidade de refugiados, a fome na África, a ação das milícias, o comércio das drogas,  o individualismo crescente que envolve as multidões agitadas pela coisificação. Olhar e escutar os ruídos,desmontar os fetiches e desarrumar os ensaios dos espetáculos ambíguos exigem coragem. Não adianta desejar salvações fabricadas. Nossos sentimentos estão poluídos por um tempo que agoniza e festeja a dor com o cinismo perverso.

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