Quem se lembra dos refugiados?

 

Fico olhando a sociedade e não me esqueço que o mundo gira. Não basta cuidar das nossas artimanhas e falar mal dos políticos. Há acontecimentos e relações profundamente globalizadas. Contágios desagradáveis de sofrimentos e perdas de rumo perturbam. Cunha é uma figura estranha, as delações levantam desacertos, a dubiedade invade os espaços sagrados. Isso compõe o cenário. Mas não apaguem os tantos problemas que empurram o mundo para a lata do lixo. Quem são os culpados? O que se debate na ONU? Perguntas que são respondidas com muitas artificialidades. A existência de milhões de refugiados é algo que me entristece. Parece que não há solução ou o sistema não quer solução? As notícias seletivas dão golpe na crítica e na solidariedade.

As fotografias mostram a exacerbação do trágico. Fome, abandono, epidemias, violência. Uma desumanização que não merece desculpa. Vejo os debates, os discursos parlamentares, as ações dos juízes ganhando seus privilégios monetários, a polícia batendo em professores e busco saber como andam as coisas lá fora. Não adianta arquitetar um paraíso onde os infernos ocupam um território extraordinário. O egocentrismo é imenso, quase ninguém se liga nas dores dos outros. Temos que criticar, indignar-se com a situação do Brasil. Estamos próximos. Será que também não há refugiados locais que se perdem nas esquinas e nos viadutos das cidades? Para além de Dilma e Gilmar existem muitas atribulações e dissonâncias, estamos em cima de um vulcão que explodirá sem data marcada.

A leitura das relações sociais é um desafio. É fácil acusar, delirar com os oportunismos, representar o teatro das mentiras. As imagens valem muito, encantam os mais ingênuos, criam intrigas, escondem ressentimentos, garantem anúncios bem executados. As TVs possuem estratégias que não são fatais. A sonegação justifica manobras. Os jornais demitem centenas de pessoas, pois estão enforcados com grana escassa. Não faltam , porém, notícias extravagantes ou informações distorcidas. Os escândalos dos poderosos encobrem a miséria que se expande pela sociedade, punindo e exilando. Muitos político se atacam no Congresso, para depois curtirem reuniões nos restaurantes. Há contos e descontos. com perfumes de charutos e doses de licores. Os confusos se assumem como ingênuos e éticos.

Desprezar as desigualdades e exaltar o luxo não são comportamentos raros. As redes sociais tornam-se vitrines atraentes. Muita gente, que pouco se toca com o dinheiro público, escreve para curar seus remorsos ou neuroses comuns. Não se recorda do que fez e procura, com erudição, fixar ideias e empolgar leituras. As armaduras do saber são sinuosas, os ressentimentos, ferozes. As “vítimas” se esticam para triturar memórias e firmar sua pureza disfarçada. A lógica individualista é forte. A maior parte da população não consegue chegar perto das conquistas tecnológicas. As teias das travessuras devem ser globalizadas sem cinismos. Pisamos num chão  com subterrâneos frágeis e temos corpos moldados com argila. Onde se meteu a sociabilidade afetiva? Ou o dissimular é o sinal maior das diferenças? Existe amém para tantas incertezas?

PS: A escolha da imagem me emocionou.

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