Quem tem medo da narrativa do capitalismo?

 

Não há mistério. O território do capitalismo está aberto para exploração contínua. Não é novidade. As desigualdades existem de forma brutal e a miséria mora em muitos lugares. Não é acontecimento recente, mas as sofisticações acompanham a história. Cada época inventa suas medidas. Pensar o capitalismo sem corrupção é uma ingenuidade. Onde há hierarquias não pode haver harmonias. Sempre as desconfianças, suspeitas, covardias permanecem imprimindo opressões. Portanto, temos sequências que amedrontam e ampliam a violência. Os celulares tocam marchas do século XIX. Retomaram a escravidão dita moderna?

É claro que o capitalismo possui defensores. Não faltam teorias. Questiona-se a sociabilidade generosa. Precisamos dos outros, guiados por interesses. A solidariedade é rara. Como pensar, então, na generosidade? Como construir utopias? A disputa está solta, angústia dói no coração. Os desmanches culturais não foram evitados pela globalização. Basta observar o que se passa na África. É incontável o número de refugiados. As colonizações crucificaram costumes e incentivaram guerras. Tudo protegido por racionalizações e por tecnologias. As narrativas se sucedem, juntem as manchetes e os editoriais dos jornais. Não durmam. Olhem-se.

O Brasil não está longe dos desencontros, deteriora-se aceleradamente. Os valores de despedem, as notícias mudam, os poderosos não cessam de armar emboscadas. Procura-se manter a exploração e torná-la mais profunda. Isso ganha camuflamentos. Façam uma leitura das reformas, da agonia de Temer, das sentenças dos juízes. Há golpes constantes em nome dos lucros. Marx já previa os desacertos. As regras favorecem as minorias e são quase impostas pelas políticas. Brasília é incansável ou incurável? Fabrica surpresas e distribui melancolias. Possui as agitações de prostituições medonhas que assombram a dignidade. Quanto vale cada discurso? Quantas lágrimas seguram o desgosto da hipocrisia?

Será que estamos condenados? Será que não há alternativas? Os sonhos sentem-se pesados. As religiões fazem parcerias com a política. Quebram-se compromissos sem cerimônias. O mundo vive da palavra vazia, das celebrações sem sentido. O capitalismo canta o descartável, sacode os bancos para curtir euforias, recorda-se das jogadas fascistas. Estamos em esquinas cheias de ruídos e com planejamentos de assaltos de todo tipo. Não há semblantes generosos, contudo há espelhos com imagens desfiguradas. Não é sem razão que as epidemias circulam sem pressões. A vacinação encheria prisões inexistentes.

A memória nunca deixa de ensinar. Não adianta desnaturalizar no vazio.  É importante observar as diferenças nos desenhos da coisas. Existem amores, mas mudam seus hábitos. Existem desejos de vingança, mas renovam seus objetivos. A história se movimenta, não dispensa, porém, a permanência. Os disfarces não desapareceram. Eles nutrem as falcatruas, simula inocências, adoram festividades  inúteis. Estamos cercados por ambiguidade imensas. As portas estão escancaradas, as túnicas desbotadas, os títulos fragmentados. Achar que, no capitalismo, vivermos mares calmos é uma fantasia mergulhada no pântano. O futuro despertence como um predador abandonado.

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