Rebeliões e ruídos, poderes e fragilidades

                                                                                                                                          

Quem espera o silêncio para adormecer, deitou-se no leito errado. A escuridão garante sossego, não é o esconderijo do dia. O mundo se sacode, desconhece a continuidade e as harmonias. A Tunísia se balançou, quando parecia inabalável. Provocou a sustentação de relações de poder. Desafiou. Nada de transformações repentinas. A história é construção. Os subterrâneos se movem, com ruídos interiores traiçoeiros. Agora, o Egito ganha dissonâncias e a violência se espalha. Os governos buscam remediar, costurar pactos, mas a sustentação se esfraquece. Os sinais de rebeldia avançam pelo Oriente Médio e as imagens de tumultos tomam contam  dos computadores.

A reação é internacional. Muitos se  aproveitam para reforçar o discurso democrático. Não olham para suas próprias mazelas. Ignoram que a miséria é um emblema do autoritarismo e analfabetismo , uma cegueira que inverte a cidadania. Bilhões de pessoas habitam o planeta Terra. Por que desejar uniformidades? Os passados são diferentes. O mitos trilham avenidas e esquecem as estradas. Portanto, lidamos com impossibilidades que travam solidariedades e rasgam mantos de convergências.

Quem se candidata a ler as relações,que envolvem a sociedade, não se aquieta, nem formula sentenças definitivas. Os saberes têm o perfume dos poderes. Apodrecem e, às vezes, cheiram mal. É o lixo do luxo, embalagem  do valor de troca, ornamentada pela hipocrisia de desenhos anônimos. O Oriente Médio ferve e incomoda o Ocidente vacilante. Os Estados Unidos reclamam, desviam certos focos, pois estão atormentados com seus desacertos. Os ditadores guardam fortunas em paraísos, com uma habilidade diplomática. Quando estão ameaçados, a gritaria agita-se no palco das nações desunidas.

Faz parte do drama. As cortinas se abrem, para que o cinismo respire. Os territórios das rebeldias se contrpõeem aos da ordem. Houve mudanças ? Também se ensaiam desconsolos ou indgnidades. Não só na política a corrida para enganar é frequente. Existem fábricas de simulacros, atuantes e lucrativas. O Flamengo quer afogar seus desmantelos, em cima do que resta do carisma de Ronaldinho. Consegue articular os primeiros passos, com uma vitória inexpressiva e anúncios na impressa, sempre em busca de fanatasias. Seu vizinho, o Corinthians, sofre com suas jogadas e disfarces.

O importante é o tilintar dos milhões. O capitalismo é agil e, aparentemente, distraído. Mas não hesita. Já aconteceram muitas rebeliõe que  mantiveram o controle e o medo. Lembrem-se do Irã, do século passado, dos aitolás reconsiderando dogmas e deturpando esperanças. Há oportunismos que seduzem e arrastam multidões. Os espetáculos atraem, enquanto as máscaras não escorregam e seus rostos empalidecem.Poderes, ruídos, desencontros, encruzilhadas. O mundo resume-se ao império das palavras, em alguns momentos, ou é atravessado pelas dores das desigualdades.

A escolha nunca se dilui. Ela fermenta a cultura, confirma a pluralidade. Em 1789, aclamou-se o fim de um sistema. Tradições se destruíram, porém a luta não cessou. Há volta, ressurreições, barcos que retornam para seus envelhecidos cais. Pelé fez festa em 1958. Neymar promete encantos em 2011. Caem ídolos, refazem-se representações. Quem despreza a unidade da forma, espia a cor mutante dos devaneios coloridos  e o sentimento perdido dos abandonos tardios.

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