Ressentimentos: afetos e políticas

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Nunca vi o país ferver tanto. Parece que há uma emboscada em cada esquina ou uma praça cheia de gente gritando. Tudo muito complexo, sinal para os intelectuais criarem suas plateias, despertarem suspiros e admirações. A sociedade do espetáculo também acontece nas redes sociais. Elas são fortes, respiram narcisismos e fabricam homens acima de qualquer suspeitas. Está todo mundo buscando uma verdade. Querem ser objetivos, garantir que estão sem culpa, ouvir elogios e se confraternizarem. Cada um constrói sua metodologia dita impecável. Assim, a terra gira.

Tudo é precário. A história é uma trança. Não dá para fazer caminhos largos e sem acidentes. Porém, a agressividade se expande. Há disfarces. Ressentimentos marcam textos. Alguém frustrados com suas expectativas, outros com medo de perder o reinado. Não se vive sem afetos. Portanto, o ódio tem seu lugar, a vingança consola os mais ansiosos. Leio e escuto. Também faço parte das redes. Tenho meus princípios. Não cultivo ferocidade , nem me considero o analista do momento. Voto em Haddad, antipatizo com a figura de Jair, com seus atos inflamados. Não posso ser dono das filosofias e geometrias do mundo. Desconheço as neutralidades e louvo a existência do diálogo.

Gostaria de não perder amigos, nessa batalha política. No entanto, as formas de escrever são astuciosas e cínicas. Discordo e fico chocado. Aviso que não sou nenhum anjo, apenas um rapaz de mais de 60 anos. Passei por muitas. Sei que o ser humano não sossega. Há quem se apegue a valores que não curto. O mundo é multiplicidade. Não recebo tudo de forma pacífica. Muita guerra na travessia que prega tortura e exalta as armas. Quem fabrica quem? Quem defende quem? Acredita-se em amar ao próximo, mas pedem um poder desalmado. E Jesus Cristo submeteu-se ao império de Edir Macedo? E o dogma na política? Ela inquieta. Eles inquietam. Anulam-se.

A culpa se instala nos raciocínios com máscaras sofisticadas. Ela comanda neuroses e lembra o pecado original. Com tanta mistura e ruídos insondáveis o que vale é o afeto leve. Destratar o amor, a convivência, fazer do passado o centro das mágoas, retomar ressentimentos. Há quem não suporte críticas, outros que dialogam com sensatez. Não desisto de considerar que a corda está bamba e podemos mergulhar no pântano. As diferenças se arquitetam no mundo que se diz globalizado, vivendo uma massificação perversa. Se tudo tornou-se muito louco, afirmou alguém no ônibus, vamos apostar numa loucura maior. Freud ia se atordoar como nunca. Será que a pós-história e o fim dos humanismos chegaram em navios atômicos?

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