Sabe contar ou perder uma história?

 

Escutar o silêncio é uma arte. O mundo está cheio de ruídos e incompreensões. Não é só uma questão de linguagem. Os valores mudam em cada esquina, surpreendem, atraem. Querem quebrar teorias, afugentar deuses, multiplicar drogas e transformar o dinheiro num cristal insuperável. Todos possuem uma verdade para comentar. Mas quem ouve? Quem consegue um cantinho escuro para buscar uma reflexão? As controvérsias garantem que o mundo é um grande mercado, sem apocalipse e sem infinitos. Vou me guardando, sacudo as palavras, não descanso para ouvir o murmúrio do vizinho. É preciso não deixar de fazer circular as histórias.

Se os outros assumem a minha história como poderei me sentir? Se o problema é não contar história como haverá espaço par curtir momentos de harmonia? Riscar a memória é abandonar as cartografias e acreditar que o sentido morreu. Não há um único caminho, nem um único sentido. Porém é importante que a imaginação se estenda e não se esconda. Vale a história, porque vale a cultura. Quem não inventa se apaga, faz pactos com os jacarés dos pântanos. As tristezas existem, contudo o movimento também existe. Quando contamos as histórias há uma animação, um fôlego, mesmo que os sustos da crise atormentem. Nunca esquecer das possibilidades e das suas acrobacias.

O mundo tem senhores. Há privilégios e minorias agarradas em riquezas. No entanto, nada assegura que os deuses do Olimpo não voltarão e Vênus disputará o próximo desfile de modas. Não sei de nada. Sigo a linha de Sócrates. Há reviravoltas. O que sei é que nada sei, porque os desenganos são tantos que não adianta classificá-los. Contar um história é contrapor-se ao destino. As lembranças sobrevivem quando estão misturadas com os esquecimentos. Não pense que a verdade prevalece e a mentira pertence aos demônios. Acorde e veja que os sonhos afirmaram que tudo continua e que o descanso é uma ilusão. As cores, as formas, os espaços andam por aí. Alguém disse que o mapa não é o território.

Conte sua história. Não a perca. Sente-se no banco da praça e espere alguém. Há sempre quem deseja observar as  diferenças e enumerar os pecados. Divirta-se, pois a confusão não é um baile de máscaras. As teorias não cessarão de justificar as relações entre as causas e as consequência. O passado não está morto e o presente circula, tem pressa, inveja felicidades. A vida se configura na experiência. É importante ler Foucault, Marx, Rousseau, Kant, Darwin. Tente ler sem pressão, sem fazer aquela resenha geometricamente perfeita. As academias difundem saberes. Eles vacilam, flutuam nas modas contemporâneas. As ambiguidades estão no vulcão mais ativo da história. No calor do ombro a sensibilidade registra o encontro e assume as nostalgias mais ternas. Escrever é encontrar-se, não tensione as palavras.

 

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1 Comment »

 
  • Diógenes disse:

    O presente circula, lugar das permanências e das mudanças. Como diria Certeau a arte de viver revela um jogo incessante de acrobacias, como aconteceu com sharazade que pela vida contou 1001 histórias.

 

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