Sabedorias perdidas?

Sei que há uma diversidade imensa. Não me empolgo. A Revolução Francesa se mostrou como salvadora. Inventou temas, consagrou intelectuais. Olho para o cotidiano e sinto que a liberdade, a fraternidade e a igualdade hesitam. Sei que muitos ironizaram e se afirmaram donos do iluminismo. Educar caminharia para solidariedades. Rousseau escreveu e teve boas leituras. Mas os saberes não empurraram para o lixo as guerras, tampouco as desigualdades. As tensões continuaram mesmo que os românticos se aninhassem na beleza da arte.

Depois, as travessias se chocaram. Darwin exaltou a evolução, Nietzsche desfez metafísicas, Freud assustou o mundo. Não faltaram boas intenções. Porém, as ambiguidades se exibiam. O capitalismo se erguia, cantava desigualdades, apesar da obra construída com esmero por Marx. Uns afirmavam que as culturas ganhariam fôlegos, outros admitiam a famosa decadência. Comte era um religioso disfarçado. Wagner prometia a ressureição com sua música grandiosa. Não esqueço dos encantos de Lou Salomé, nem das repercussões trazidas pelas dissonâncias da Sagração da Primavera.

Sei que há muitas narrativas. Impossível construir um labirinto que as coubesse. Sei que as curvas entontecem, as intrigas se sofisticam. Por isso, estou, aqui, soltando as palavras, tentando atravessar a vida, citando sem critérios fixos. Há trapézios e acasos. De repente, pula-se o muro. Picasso revolucionou. Porém as bombas atômicas matam com justificativas políticas. Não sei as razões de tantas idas e vindas. Um jogo de dados talvez. A solidão se veste, as festas se manifestam e não se ligam nas perturbações que ameaçam desmontar o mundo. Dizem que há uma esquizofrenia geral. Estou no meu canto. Para além de tudo, o incômodo é avassalador. Conversa-se. Calar  sufoca.

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