Sinto, logo insisto e deixo as portas abertas

Contaria todos os sentimentos, mas não chegaria próximo da verdade. Não tenho pretensões. Sei que não posso viver sem o outro. Existem mágoas. Quem afirmou que os dez mandamentos resumem a história? O mundo é extenso, mas não é maior que a memória. O amor esquecido fica como uma sombra. Não pense que a vida só é partida. Inventaram muitas coisas para que tudo ficasse confuso. É preciso diversidade. Azul, amarelo, cinza, branco, preto… As soberanias das cores não são estranhas às soberanias da formas. Configuram-se as complexidades que fabricam enigmas. A resposta é sua, pertence a experiência que foi vivida com profundidade, a sua coragem de sair do esconderijo.

Os sentimentos possuem formas e cores. Sentir angústia. Imagine se ela tem alguma forma? Talvez uma circunferência cinza com um significado comum e único. Falta ânimo, a pedra está parada e pesa, não tem como carregá-la. Sentir angústia fundamenta a incompletude. Vivemos e nem conhecemos o absoluto. Nem por isso apagamos as fantasias. Definição para angústia: ausência de fantasias, vazio no coração, sangue desbotado no corpo, pesadelo que traz insônia. Nada basta, o corpo anda anunciando a morte. Será? Leu as tragédias gregas? Interpretou a aflição de Édipo?

Não esqueça do movimento, nem da surpresa. Os destinos são invenções. Já sentiu saudade? Já percebeu que ela gira entre luzes e se esconde em esquinas esquisitas? Ninguém escapa do seu malabarismo, do romantismo que não morre. A vida não é uma geometria linear. O exato é escorregadio. Inventamos certezas para curtir minutos de equilíbrio. O que permanece é a instabilidade. O difícil é manter as utopias generosas, sentir o passado como um horizonte de abertura. Se houve engano ele se articula com a incompletude. A culpa  empurra a cultura. Talvez, seja o alimento dos deuses ensandecidos, desistindo da onipotência.O sentimento que fecha a porta não merece ser cultivado.

Os olhares que observam as diferenças possuem astúcias. O importante é não se aprisionar. Deixe que as profecias comentem ou enfeiticem o juízo. Pense e sinta ou aprenda a não separar as coisas que caminham coletivamente. A solidão  atravessa os ritmos do tempos. Traz momento de conversas com a interioridade. O medo teme o abraço da eternidade fria. Há celebrações da estética da tristeza. Ande imaginando que os arcanjos existem, que o trapézio está no circo, que o ânimo é o encanto da vida. Não peça perdão, nem herde o pecado original. É permitido simular? Não sei. Pergunte a Sócrates? Descanse dos escândalos.Eles tramam, vendem armadilhas. Fantástico nunca foi o show da vida.

 

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