Solte-se da vida e do tempo, sem largar a ficção

A história que passa não está apagada. Quem vive o presente deve saber como complementar os tempos. Não se ligue só na mudança,  nem tampouco veja a mesmice em cada espelho. Nunca gostei de dizer que o que sei é que nada sei. É imenso o mundo. Alguma coisa me toca, não vivo flutuando sem direção. Não posso achar que tenho o controle, que as relações se repetem, que o abismo está embaixo dos meus pés. Refletir não é celebrar desenganos, mas saber que as possibilidades se renovam ou voltam para buscar aconchego em lugares, as vezes, esquisitos. O tempo é desafio, se solta, inquieta, esperta, diverte, estende-se, desmonta-se, brinca, explode.

Os desenhos não são comuns, contudo é importante que eles existam. Represente cada sentimento com algum risco. A estética escuta cada ruído, como um nome que pode desaparecer. A travessia cansa. Como não dividi-la? Olhar para o horizonte com desatenção é esconder a história. O outro está em mim. O animal social e humano não é um anjo e nem um demônio. Ele é inventor. Acompanha conversas que formam territórios coletivos. Pense: a solidão é uma pausa, porém necessária ou despreza o voo do pássaro azul?A poeira da vida esconde a sorte , a lágrima, pede o mapa da argila que  moldou o infinito. Tudo ingenuamente ou de forma astuciosa prossegue animando a vida…Deixe de criar raízes ou escrever destinos. Eu prefiro embarcar nas navegações que tenham mitos e sereias dançarinas.

Ficar congelado pelas verdades científicas me traz amarguras. A geometria mentirosa diverte, o eterno retorno balança, a preguiça é amiga da escassez. Quando escrevo nem sei quando pessoas me indagam, quantos nomes em tenho, os ódios que provoco, os afetos que me agasalham. Testemunho as incertezas, detesto o que se mostra onipotente. Observo com cuidado as fragilidades, o escorregão que foi dado quando me distraía com o brilho da lua. O que parece sem significado é a vitrine da liquidação repleta de enganos. Se quer conhecer sua intimidade se entregue poema de Neruda e tente. O amor está esquina secreta do labirinto ou no banco da praça abandonada. Desate-se.A sociedade não se entende gratuitamente. Estende barulhos procurando o infinito e acredita no perdão de quem ganhou na bolsa de valores.

As sociabilidades nunca se extinguirão, não visualizo o fim do mundo e da história do paraíso . Curto a lenda de Adão e Eva. Pouco me importa se estou no meio de uma ficção. Abro qualquer página de um livro de Kundera para encontrar uma frase que sintetiza o mundo. Quem se perde em metafísicas complexas não sabe onde fica o Olimpo. Leia , Dante, Guimarâes, Auster, Borges, Calvino, Scorza, Pessoa, Ésquilo, Freud e se envolva com  os sigilos profundos. Não se impressione com as manchetes dos jornais, nem com a mentira da grana que passeia como um vagabundo disfarçado.Valem um comprimido de Neosaldina e as drogas dos jantares das conspirações corporativas. Há alguma coisa no luxo que vem da poluição da pobreza. Qual é mesmo a máscara do universo?Amasse-a.

 

PS: A foto de  Borges

 

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