Nós e os outros: sombras e espelhos

                                     

Morri muitas vezes. Vivi tantas outras. Há confusão nisso tudo. Parecemos assombrações ou somos apenas sombras de estrelas que se apagaram? Morte e vida não possuem fronteiras claras. O corpo nem sempre é a medida. A vida corre, às vezes, quando o corpo está espreguiçado, sem querer fazer força. Mas , dentro de você, o mundo ferve. As ideias se misturam com os sonhos. Você levita e descontinua, inventa territórios de solidões inatingíveis. Aliás, a solidão sempre se apresenta quando especulamos sobre a morte.

Olhamos todos os cantos e esquinas e, apenas, vemos uma imagem, a nossa imagem. Morremos por inércia dos espelhos. Poder ser o contrário. Olhamos para todos os lados e só vemos os outros. E nós? Estamos entre os outros, conectados numa energia que flui. Não adianta explicar muito. Basta sentir o toque. Estou no Aeroporto de Brasília e chega de metafísica. Alguém ao lado coloca a mão na boca e depois estala os dedos. Nada de mais trivial. Ignora-me. O voo não chega e eu observando tudo, para passar o tempo e acreditar na vida.

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4 Comments »

 
  • Emanoel Cunha disse:

    A vida se faz presente a partir do instante em que a observamos no nos seus íntimos e circunstancias momentos. Porém, ela não somente vivida em termos do imaginário, mas sim de linguagens e gestos.

    Em sua realidade, a mesma nos prende a mundos metafísicos que nos coloca a refletir sobre seus amplos sentidos e significados diversificados, no qual voltamos ao tempo em sua espelhagens minadas e fundamentais na constituição da história.

    Abs

  • Emanoel

    A sociabilidade move a história. Não dá para esconde-se.
    abs
    antonio

  • Paulo disse:

    Nossa, estes parágrafos fervem quando tudo aqui dentro de mim é frio e gelado. Que escrita… genial! Parabéns! Acho que a escrita da história devia ser assim, mais humana, menos técnica. O mundo já é tão técnico. História é narrativa, sopro múltiplo, colorido, sobretudo arte, chuva que escorre por determinado canto da janela, lugar desimportante no chão do jardim onde a poesia nasce, e daí nasce igualmente a história, semelhante a poesia de Manoel de Barros. Conto os dias para o mini-curso “O Mal estar na pós-modernidade” aqui na UFCG.

  • Paulo

    Grato. A história pode mesmo seguir caminhos mais soltos, sem perder seus compromissos. Apareça. É um espaço diário e de boas conversas.
    abs
    antonio

 

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