Somos momentos e paisagens

O domínio sobre o tempo é algo escorregadio. Causa estranhamentos. Muitos sentem a rapidez, não conseguem conversar com a vida e fica agoniado com a pressa dos negócios. Não há como definir momentos homogêneos. Conhecemos os outros observando as diferenças e até mesmo a forma de caminhar. Compomos as paisagens. Temos cores e formas, somos companheiros de estradas longas e desafiadoras, não há escassez de dúvidas e as metafísicas estão moribundas..

Quando a história se mistura com intrigas e se desentende com as mudanças, os limites tomam espaço. Tudo está repleto de acasos e os vírus são onipresentes. Há uma inibição. As perguntas se multiplicam. Por que inventaram o pecado original? Freud decifrou desencantos ou apenas afirmou a complexidade do cotidiano? Os giros da sociedades nos deixam inquietos. Continuam as religiões incomodando a política e as ambições não cessam da agir. Crenças nada sagradas festejam os trapézios das bolsas de valores.

Tudo passa, mas as tristezas encontram obstáculos para superarem momentos que se eternizam. Portanto, não adianta firmar regras e evitar as surpresas. Somos também levados para os abismos, voltamos para nostalgias, respiramos e o sol queima lembranças no azul do horizonte. Nossos desenhos não têm fim. Basta olhar para as imagens no espelhos e analisar as fugas dos sorrisos ou o desejo de não bagunçar o tempo. Nunca somos para sempre. Somos inquietos ou estamos inquietos?

Falo dos sentimentos. Eles se confundem.Mas é importante escutar os silêncios e estruturar as sensibilidades. Olhamos as paisagens, os outros andam como se fossem senhores da rua, a vida faz pactos com a história. Ninguém avisa se o apocalipse se aproxima. Conhece alguns paraísos que apaguem culpabilidades? Se as relações sociais não se transformam em lugares de afetos, a escravidão do salário imprime mesquinhez. Monte sua cartografia com todas cores que existem na sua imaginação.

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