Tereza, a estrela das cores

O tempo volta.Fico em recordações. Começava minha vida de professor na UFPE. Muito jovem, no meio de uma turma de pessoas experientes. Grande aprendizagem. Estava caminhando, nas primeiras astúcias. Faz, 37 anos.Tereza estava na turma, sempre afetiva e curtia as aulas. Havia uma convivência de passados e de lutas. A marca da ditadura regia a memória. As censuras militares empurravam para o abismo com sua violência todos que gritavam pela liberdade.Mas a opressão haveria de cair.

Tereza gostava de refletir sobre as suas aventuras de coragem e estética. Tinha a companhia da política e da arte. Uma estrela que visitava os segredos do mundo. Seu quadros são inesquecíveis. Hoje, ela se foi, surpreendida pelos acasos da vida. Sinto saudades. O tempo passou, me encontrei alguma vezes com Tereza. Era uma alegria que enchia Olinda de imensos voos de geometrias encantadoras.

A arte traz o múltiplo. Talvez. seja uma deusa com moradia nos corações mais audazes. Brincar com as cores, Tereza sabia como poucos. Não se acanhava com as ousadias.Quem apreciava suas pinturas não perdia a fascinação. Ela fica, emociona,ensina cada detalhe das cores e das linhas. A artista não morreu, nos deu um susto, pois buscou outras estradas e está firme na nossa lembrança, não se desfará.

A tristeza toca, o silêncio avisa que é hora de celebrar os malabarismos da vida.É importante não esquecer que os pássaros fogem das gaiolas e os cínicos não merecem perdão. A artista abençoa, deixa imagens inusitadas. A beleza é um sonho e não tem forma definida. Nietzsche e Todorov escreveram textos preciosos sobre a luz e a sombra que enfeitiçavam a arte. Que Tereza descanse num colo que guarde seu desejo de renascer sempre.

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