Todorov: o toque da beleza e da transcendência

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Todorov enfrentou um desafio. Quis, talvez, procurar o sentido das suas experiências e narrar o seu passado  entrelaçado nas aventuras da arte. Contemplou o mundo com um cuidado precioso. Não elegeu o lugar comum, nem sacralizou a imaginação. Buscou-se em vários  espelhos, observou a diversidade e a relação forte com a vida de cada um. Visitou a beleza sem cerimônia. O sangue corre pelas veias. Ele sabe. Wilde sofreu. Rilke  era tímido. Marina  guardava uma singularidade indescritível. Há uma estética que os une e os distancia. Entre o céu e terra existem incertezas e deuses embriagados com a eternidade. Nada garante que os bordados dos anjos suprimam a inutilidade  de pesadelos, nem que a aridez seja apenas uma palavra,

Se a beleza salvará o mundo, não sei. Não custa pensar que o mundo pode ser salvo. É difícil transcender, escapar da incompletude. Todorov revela, na sua escrita, que está longe de qualquer ingenuidade. Há o gosto da amargura.As utopias fascinam, porém elas  prometem o impossível.Wilde ficou atordoado. Rilke não conseguiu se compreender. Marina me deixou alucinado. Será que Todorov desejava ser acolhido pelos  delírios de seus  leitores? Sua escrita é incansável e insinuante. Não hesita, nomeia como um poeta. Talvez, ela desvele suas dores e mostre  seus sentimentos mais incômodos. Não nutre simpatias pela dureza do totalitarismo. Esse é um registro importante.Traz histórias sem se omitir das complexidades. Compreende que há idas e vindas.

Marina é possuidora de magias, Rilke se enlaça com as cartas, Wilde se desenha dentro de um imaginário desértico. A vida é um espetáculo para quem a veste de atrações inusitadas. Mas como fugir dos seus escorregões? Há  um labirinto no fim de cada estrada.  Só o poeta conhece a saída, pois ele existiu antes do mundo, brincou com o barro primitivo. Os filtros se poluíram e Todorov aponta a lama que inunda a modernidade. As promessas não vingaram, a liberdade abandonou-se, Charles Baudelaire parecia consagrar os demônios. Charles era desconfiado e depressivo. Nunca sossegou no divã de Freud, nem navegou nos mares lacanianos. Havia, para ele, ressacas de outros fantasmas, amantes de vinhos sublimes, drogas repletas de abismos. Foi profeta num tempo de gritos de decadência.

O diálogo atiça a obra. Todorov não está na solidão. É imodesto nas suas fantasias. Quem não acredita nas transcendências não toca na beleza. Sacudir fora os desenganos esconde os delírios do ser humano. Há as tentativas, as vítimas, as culpabilidades. Não se necessita conhecer o inferno, para se esticar nas reflexões sobre a maldade. A luta não é uma ficção vazia e as vitrines nos mostram os exibicionismos neuróticos. Marina, Rilke e Wilde não publicaram dúvidas e  encantos nas redes sociais. O mundo era outro.Havia mensagens com geometrias  curvas e nuas. A pressa estava presa, pois o poema pedia uma inquietação descurtida e descompartilhada, mas profunda e enigmática.  Todorov se descobriu  pacientemente. Reafirmou certos passados com sensibilidade, nas travessias de citações relativizadas. Soltou pássaros e não historiografias arquivadas fora do coração. (Des)identificou-se sem desvarios.

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