Todos contam suas histórias

No mundo de muitas informações e surpresas, a história ganha um espaço imenso. Há disputas que se ampliam e decisões marcadas por dúvidas. Quem é mesmo o historiador? Quem se abraça com as verdades e segue escrevendo textos e divulgando pesquisas? É a academia o lugar privilegiado ou ela representa apenas uma hierarquia consolidada de poderes? Tenho minha reflexão formada. Observo a multiplicidades e procuro as diferenças. Todos gostam de contar aventuras e alguns com uma capacidade inventiva extraordinária. Não me intimido: todos contam suas histórias, com as contradições e ambiguidades, com seus sentimentos e projetos.

Não há negar a força das diferenças. Existe a história do vencedor, daquele que domina e estabelece governos. Ela é cheia de sofisticações e busca sempre centralizaras interpretações. Ela se espalha pelas redes de ensino, constrói vasto material de convencimento. Poder e saber andam de mãos dadas. Os meios de comunicação ajudam ao vencedor, às vezes, de forma disfarçada, sem contudo deixar de lado a política. No entanto, o absoluto não prevalece, há resistências  e rebeldias . Os desenganos são constantes e os conflitos se afirmam movimentando as sociabilidades.

Vou mais longe. A história do vencedor ornamenta instituições, contrata especialistas para aprimorar seus discursos. Entra no jogo de um mercado amedrontador. Afina palavras, aprimora conceitos. Apesar de tantas manobras, as desconfianças continuam e provocam dissidências. As conversas também  possuem argumentos. Nas esquinas, nas mesas dos bares, nas paradas de ônibus, nas reuniões familiares, as histórias se completam e se confrontam. As fofocas não se vão, os boatos se arquitetam e o vencedor vacila nas suas pretensões. Flutuam palavras e preconceitos com juízos de valor contraditórios..

Todos contam suas histórias. Há regres, sistematizações, arrogâncias, mentiras, viagens. O importante é assinalar que não existe uma única história. Ela é reinventada, o tempo veloz anima criatividades e decepções. Numa sociedade dividida, a luta está presente, os contrapontos mexem com sortes e azares. Não se pode negar que as subordinações formam grupos de dominados. Não há, porém. uniformidade, a sociedade se enche de cores, mesmo que o capitalismo empurre seduções e desejos, celebrando a mesmice. Portanto, é preciso compreender as inquietações e combater as apatias.

O discurso acadêmico se mistura com os fazeres da política. Não se entregue às armadilhas. Não se  esqueça das suas façanhas, das suas dores, das suas  ilusões. Não as guarde. Divida, socialize, incomode. Lembre-se que ninguém está isolado, que a solidão tem  âncoras.Escute quem está perto, coloque em questão o sensacionalismo da mídia. Comunique-se. Abandone certas tecnologias ou as use com moderações. Faça seu tempo, ouça sua voz, navegue no seu oceano. Todos se tocam na diversidade e os esconderijos nunca são definitivos. Há um afeto que protege e distrai violências. A vida é síntese sem nome determinado.

 

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