Todos os sentimentos do mundo

 

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O mundo dos negócios atrai e transforma pessoas. Programa-se o dia para assegurar bons desempenhos. Evitar o cansaço é uma regra e acumular energias para não deixar ir embora as oportunidades. Os afetos são esquecidos nas esteiras das academias. Conta-se a quantidade de vitaminas e a força das caminhadas. Tudo parece fácil se as regras são seguidas segundo lições de especialistas. Muita gente se esquece da autonomia e nem se liga nas intrigas políticas. Vale a curtição, a pressa em não desperdiçar vantagens e se mostrar espertos  para outros.

Narrar uma vida com tantos cuidados físicos virou um ofício cotidiano. Mira-se na leitura de manuais que ensinam comportamentos e exaltam o corpo sadio. Os sentimentos se formam como uma máquina regulada. Nada de excessos, as paixões perigam. Tudo muito rápido, para se tomar um café ou vinho tinto. Consultar o coração só com o cardiologistas. Foi-se a época dos conselhos dos amigos, dos amores desnorteantes. Fica-se numa noite fugaz, sem escorregar na saudade. Na sociedade do trabalho o sucesso na conta bancária alicerça fantasias.

Mas há contrapontos. Observa-se que a solidão incomoda e a melancolia não se foi. As salas de psicanalistas insinuam  prevalência de vazios e inquietudes nada agradáveis. A sociedade do desempenho se cerca de desamparos. Certos comportamentos denunciam que os sentimentos merecem atenção. Não basta medir as horas, arrecadar vantagens e viver uma sociabilidade seca. Desconfiar das acrobacias dos exercícios é preciso. Programar-se é uma atitude que também ensaia riscos. Somos  senhores de poucas certezas. Temos aventuras inesperadas e o inconsciente se movimenta.

Cada época com seus valores. No entanto, não custa analisar que a  linearidade é uma forma de fixar geometrias e abusar das linhas retas. Os tempos provocam desafios. Afirmam a morte do amor romântico, a ascensão do pragmatismo. Será? Quem se esquece das novelas cheias de tramas e desencontros? Não existe a possibilidade de que as ações humanas sejam transparentes e consagrem a vitória do absoluto. A sociedade investe na coisificação com espaços inseguros. Muitos não fogem de investimentos. Porém, sentir, ainda, persiste. Há planejamentos científicos assustadores. Ninguém tem a cartografia dos sentimentos sob controle. Quem se afasta das nostalgias? Construir ruínas é também história. As mercadorias dominam, porém ninguém desistiu de rever as culpas e atiçar os perdões. Deuses e templos se instalam nas esuinas.

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