Ruínas amargas, tessituras pálidas, silêncios sutis

Os descontroles são muitos, diluindo a sociabilidade. Parece que o invidualismo perdeu seus limites razoáveis e mundo agoniza, com a ética sofrendo ataques constantes. Exemplos sobram. O Brasil ganhou fácil da Escócia, por 2×0. Nenhuma novidade, pois o resultado era esperado. Neymar mostrou seu talento reconhecido. No entanto, a arte foi ferida pelo preconceito mesquinho. Sacudiram uma banana no estádio, simbolizando racismo. Isso acontece na Eupora. Cadê a tradição e o respeito mínimo aos direitos humanos ? É claro que não vale acusar a maioria. São poucos os que apoiam manifestações tão desequilibradas. Mas, infelizmente, outros jogadores já passaram por esse desconforto. Calar não é possível. É uma pancada na cultura da solidariedade.

A violência, no Oriente Médio, chama atenção para outras questões importantes. Por enquanto, as armas dominam o cenário. As negociações se embaralham. Para onde vão as soluções políticas? Mais uma vez, os preconceitos e hábitos culturais estão na berlinda. Não esqueçam dos inúmeros autoritarismos que cercam, nesse contexto, as mulheres . As sociedades vivem exaltando o machismo e limitando as ações femininas. Há comportamentos seculares que precisam ser discutidos. Não se trata de desfazer as diferenças entre os povos, porém de avaliar a extensão dos direitos humanos e sua profundidade.  Renovação política, com discriminações, é sinal de que suspeitas permanecem e ameaçam os sonhos democráticos.

As controvérsias estão acesas. Fora os problemas sobre a radioatividade, o Japão envolve-se com dificuldades variadas. A expectativa se internacionaliza e pesa na visualização do futuro. As confusões se espalham, com singularidades que incomodam, pois não há soluções imediatas. Travessias amargas, com medo de abismos escuros e conflitos crescentes, agitam corações e interesses. Os desastres deixam angústias contínuas. Além da ameaça à saúde geral, surgem problemas econômicos entrelaçados com os estragos dos maremotos. Os produtos japoneses podem faltar e os mercados alteraram seus ritmos. Até os restaurantes sentem-se, em perigo, e procuram seguir as urgências.

Cada dia traz tessituras surpreendentes. O tempo se enche de inseguranças. Tudo tão próximo, explodindo nas telas das Tvs e tomando conta das manchetes de jornais. As crises radicais são pontos de suspense. Dolorosas, invalidam as utopias mais otimistas. Contudo, a fragilidade aponta, também, para caminhos de articulação. Há quebras em narcisismos. O poder se desfia, em muitos aspectos, e a sacralização da tecnologia se desfaz de  altares. A busca de valores ressurge. O mundo não é o mesmo. O movimento das frustrações possui suas pausas. A cultura não flutuou em paraísos, viveu genocídios e desamparos.

Redefinir relações é o desafio. A sociedade formula regras e tem poucos senhores. É preciso dividir, desconcentrar, desmontar burocracias e insensibilidades. Não basta contar os mortos e enterrá-los. Os ânimos se desmancham, em alguns momentos, mas a respiração continua ativa. Sacudir fora invenções, anular as críticas, sem tentar diferentes formas de governar as dificuldades, é suicídio cultural. Talvez, os olhares estejam cansados de paisagens de cimento e ferro. Será que não há excessos de organizações pálidas e frias? A incompletude não abandona a história. As verdades disputam seus espaços.Estamos no meios das escolhas e das ruínas.

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2 Comments »

 
  • Kbção disse:

    Os escoceses alegam que a fruta foi atirada de um lado majoritariamente ocupado pela torcida tupiniquim. Pouco importa, apesar de continuar a existir renitentemente, o racismo é combatido de forma tenaz mundo afora, até porque a noção de Direitos Humanos hoje está introjetada na cabecinha da maioria dos povos. Custa lembrar que até meados do século passado a maior nação democrática do mundo possuía leis segregantes? Evoluimos, ponto parágrafo.

    Já o relativismo cultural que impregna certa academia nos condena quando criticamos a condição feminina sob o Islã. A misoginia islamita ofende. Que os ventos aparentemente libertários que parecem soprar por aquelas bandas se confirmem. Outro dia um representante do Irã, em entrevista a jornal brasileiro de grande circulação, afirmou que na Antiga Pérsia não havia homossexuais. Pode?

    A questão da energia atômica é bem mais complicada, afinal mexe com temores atávicos e impulsos destrutivos. Se há uma coisa boa da tragédia japonesa é que vai impulsionar uma maior cautela no trato de assunto tão delicado. A Alemanha de Merkel – cadê as mulheres no poder do Oriente Médio? – já tomou algumas providência. Vejamos.

    Talvez a transformação do mundo em uma Aldeia Global hipersensibilize nossa percepção, turvando nossa visão com previsões apocalípticas. Martin Luther King hoje estaria mais feliz
    vendo sua nação ser governada por um negro. O terremoto lisboeta matou muito mais gente do que o tremor e as ondas nipônicas. As revoltas em solo árabe parecem trazer germes democráticos. Vida que segue.

    Abraço

  • Kbção

    Gostei das sua análises. Sempre olho as boas perspectivas e não cultivo lamúrias. Há ida e vindas. Não vamos ser dualistas ou mergulhar no pessimismo. O mundo tem suas energias e seus brilhos. O importante é segui-los.
    abraço
    antonio paulo

 

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