Vagas vidas

       Vagas vidas

o meio do mundo
o meio-dia
o medo do dia

é preciso que eu viva para que se lembrem de mim

lembrem-se das travessias e das pedras que alimentaram os desejos madrugadores e as surpresas tardias
lembrem-se das vastidões do passado mítico para que o tempo da saudade não se abandone no desprezo
lembrem-se do descontrole, do inesperado, do beco estreito e sombrio, dos barcos que vigiam as calmarias ressentidas

a vida tem o significado da nudez da geometria muda e picassiana, desenha-se no ânimo do acaso

o dia pode ser um instante sem número fixo e determinado
mas se pertença nas necessidades sem apagar o vadio

sentem-se nas cadeiras de um circo mambembe
e riam do palhaço trapezista

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