Vaidades perenes, desigualdades e misérias andarilhas

A falta de coerência trava a olhar questionador. Gente falando de democracia, mas desejoso de compartilhar de corrupções, mostra que sobram quadrilhas e a ética se dilui. O dinheiro público sofre ataques cínicos. Poderiam ser comparados aos arrastões. Muitos políticos estão na corda bamba,  porém têm consciência dos seus desacertos. Não fazem as coisas por ingenuidade. Perdem-se por opção. Os prejuízos são imensos. O que se repete, semanalmente, deixa o caminho escorregadio. Os argumentos usados não convencem nem os mais inocentes. Os ruídos aumentam, para depois a corporação fechar suas portas e esconder a podridão. Quem está com a razão? Quem cobra? Quem observa a desorganização  da infra-estrutura social? Há exceções, poucas e difíceis, pois a contaminação se alastra de forma contagiante.

Ninguém merece uma condenação sem provas. Elas surgem e desaparecem. Dizem que são insuficientes. Buscam-se outros assuntos, para distrair e desfazer as ameaças. Joga-se no futuro, ou melhor, nas próximas eleições. Imagino que a divisão dos cargos acorda as vaidades e elimina os limites. As amizades se desmancham e a fofoca, na crônica social, corre solta. Por que se disputa ? Qual o motivo de tantas quebras de compromissos? Será que a festa do capitalismo atrai até seus adversários? O fundamental é assegurar os espaços, proclamam os mais espertos. Para resolver as desigualdades, os planos são curtos, porém para montar vantagens pessoais ou partidárias a astúcia se estende, sem respeito às regras.

Torna-se cansativo visitar os noticiários e encontrar figuras carimbadas, voltando a cena das chamados voos sem retorno. Existem os que curtem os bastidores. Tramam concessões de fortunas em cochavos articulados. Vão e voltam na ponta do pé. Quando descobertos, anunciam carências ou se filiam aos mais poderosos, para evitar a derrota final. Portanto, a mistura confunde, pois o que vale é o utilitarismo ou os ensinamentos de Maquiavel, atualizados, com uma sagacidade especial. Muitos apostam numa visão negativa do ser humano. Acham que não há saída. O egoísmo faz parte de uma natureza da qual não conseguimos nos afastar. Uma discussão infindável que leva menções ao apocalipse. Somos fracos, maleáveis, ambiciosos. Assim não há como escapar das torpezas cotidianas.

Assunto que produz polêmicas intensas. Há quem se salve e culpe sua fraqueza incontrolável por cometer pecados capitais. Promete conversões, fugir dos enganos, orar para a implantação da  justiça, curar-se das patologias. Até onde a comédia não se desfaz do seu humor? De que adiantam, então, as pedagogias, os conhecimentos, as leis, as lutas políticas? Tudo não passa de um teatro de segunda classe? Não há possibilidade de mudanças? A saída é apagar a luz e tocar fogo no passado e nos exemplos históricos? Firmar que o individualismo crescente é inevitável significa desistir de construir atritos e abrir as portas. Se tudo é igual, todos possuem o mesmo vírus, a cultura está sem sustentação. Quem se entrega ? Quem se ausenta da solidariedade e opta pelo conforto da omissão? E por que alguns gemem no reino da luxo e outros catam papel no lixo de cada rua? Ninguém está salvo das interrogações e das dúvidas.

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