Violências, perdas, descasos, partidas

http://akademia.comunicamos.org/v2/wp-content/uploads/2013/11/quadros-de-pablo-picasso-12.jpg

A insistência faz aparecer debates que se prolongam e esgotam a paciência de muitos. A grande armadilha, de alguns, é se deixar levar pela naturalização. Os exemplos estão por aí, numa sociedade que brinca e se perturba com as informações. Tudo corre, para que não haja mergulhos profundos. A violência toma conta de notícias, motiva pesquisas acadêmicas, provoca seminários infindáveis. Ninguém consegue aproximar-se do ponto final. Sempre faltam esclarecimentos ou estratégias mais eficazes com dizem os objetivos.

Não culpemos, apenas, a sociedade de consumo como soberana dos conflitos e das dissidências. A competição cria diferenças e inferniza desejos. Há exílio no meio das multidões e raivas que andam cruzando olhares desconhecidos. Antes do aumento da concentração das riquezas e das desigualdades sociais, muitas utopias tentavam apresentar soluções. Quem sabe uma sociedade marcada pela harmonia, sem desavenças, com cordialidades não esticaria a convivência sem feridas, mas estimularia o tédio? Há certezas?

Os sonhos existem e atravessam a história, sintetizam ambições, afetividades, projetos. Divertem e disfarçam agonias. No entanto, não podemos esquecer que os mitos já descreviam lutas, acirravam disputas, desenhavam choques entre povos. A violência não tem sossego, porque é impossível limitar o seu começo. Muda suas vestimentas. Hoje, a pedofilia, o estupro, as torcidas organizadas,os crimes domésticos , as máfias das drogas, os golpes dos agiotas urbanos se estendem e misturam-se. Onde moram as soluções?

Apesar da famosa crise das nacionalidades, restam preconceitos históricos que acendem rivalidades. Um rápido olhar sobre o mapa da violência desequilibra otimismos. Nem por isso, anuncia-se a decadência fatal. Estamos cultivando a história, as religiões não se cansam de inventar perdões ou deuses irados com a desobediência humana. Mas quais seriam as regras? Quem seguraria a ordem? Como sempre as perguntas acompanham os desencontros e as interpretações mostram as hesitações constantes.

No vaivém da vida, montam-se teorias, observar-se o movimento, porém as imagens dos labirintos e dos abismos não abandonam os imaginários. Celebramos certas diferenças culturais, apreciamos diversidades. As tecnologias transformam comportamentos e estão associadas à formação de um mercado que não se limita com fronteiras.É difícil controlar, dialogar, firmar solidariedades. Há maiorias que buscam matar a fome, há minorias que escondem seus poderes e luxúrias.

O historiador narra acontecimentos, analisa relações, visita o passado e não esquece que as ruínas possuem significados. Tudo registra a necessidade de mistérios. As confusões existentes não se instalaram com a chegada da modernidade. Continuamos adivinhando origens, inventando divertimentos, naufragando em turbulências. As palavras, as conversas, os escritos, as formas, as lamentações tantas outras coisas ainda sem nomes. As narrativas não se esgotam.

A repetição da violência causa perplexidade. Os descasos misturam linguagens e escavam esconderijos. Não há linhas retas que garantam que o mundo siga sem precisar o tempo que o abraça. O que foi vivido não está diluído, nem a memória é uma construção acadêmica. Tudo pode ser uma grande ficção. O presente está nas teclas que desenham as palavras. Talvez, sejamos espelhos especiais, atordoados com o acúmulo, no meio de magias, incompletudes, coragens. extermínios. Ruminamos. Para quê?

 

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>