Violências e especulações desmontam a política

Muitas utopias foram construídas. Um exercício de imaginação que mostra que a cultura se movimenta em busca de solidariedade. Nem tudo se perdeu. Há contrapontos, teimosias, ambições. No entanto, permanecem comportamentos que desafiam a sociabilidade. Difícil pensar um mundo de harmonias, com diálogos criativos que minem agressividades gratuitas. Não adiantou o crescimento de tecnologias. A neutralidade não faz parte do agir humano. Os interesses infiltram-se e definem escolhas. As utopias quebram-se e, muitas vezes, o conformismo toma conta das reflexões. O mundo parece repetir-se de forma desanimadora.

A modernidade lançou projetos, trouxe debates, refez éticas. Não saíram da história, porém, os projetos de dominação. A ambiguidade continua e nem todos percebem o tamanho dos abismos. Divertem-se com as compras e firmam propósitos de evitar compromissos coletivos. Não podemos consagrar preguiças que alicerçam o caos promotor das desigualdades e dos constrangimentos. Portanto, esconder a violência que assusta a sociedade é desistir das utopias. Denunciá-las é acender a polêmica. Há sentimentos adormecidos, Não custa acordá-los mesmo que seja com pesadelos. A liberdade só se alarga com a coragem de assumir as responsabilidades. Assim, a autonomia segue viagem e fortalece a vontade de mudar.

O que acontece, atualmente, no México, é estarrecedor. O narcotráfico exerce poder de mando, desmoraliza o governo, assassina pessoas. As instituições estão abaladas. Não é uma ação isolada. O comércio de drogas possui mecanismos que inibem reações e espalham terror. A corrupção é visível. Ele ganha espaços, porque recebe apoios, intimida, consegue aliados. No México, a situação de violência aprofunda-se na proximidade das eleições presidenciais. A instabilidade deixa a população sem meios de acreditar na política e confiar na democracia. Quem pode serenar os desmantelos e retomar o construir de instituições? As leis não desfazem as quadrilhas, fermentam expectativas negativas.

Se o poder do narcotráfico está presente, há também caminhos que mostram desacertos pesados. Na Síria, o genocídio não se apaga e as notícias são frequentes. A ONU tenta diminuir sua frustração de não ter como silenciar cinismo do ditador. Condena as matanças, mas o governo sírio não se retrai. Protesta, afirma inocência,  não se retrai. A violência se alastra. Não é, apenas, lugar do dito crime organizado internacional. A história é palco de cenário inesperado para quem se alimenta de sonhos de solidariedade. O pior é fechar os olhos e naturalizar feitos que desmontam confianças e estimulam conflitos.

Há muito  que falar da política e seus incômodos. As negociações são obscuras e a palavra transparência se dilui. As dúvidas vencem. O recente encontro entre Gilmar Mendes e Lula traz controvérsias. Quem, efetivamente, se envolveu com o outro? Existe algum acordo que os une? Foi uma coincidência, uma armação? Não caberiam poucas perguntas numa interpretação sobre o fato. Nem tudo se resume às especulações . Num momento, de tantos boatos e jogadas, quando o Congresso Nacional investiga denúncias crescentes, qualquer assunto torna a arquitetura do labirinto mais complexa. Luzes e sombras se desenham. No cotidiano, os tribunais se instalam. O perigo é crucificar os inocentes, sufocar-se nas incertezas.

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