Você tem medo de quê?

As ruas estão cheias de pessoas apressadas. Não sabem seus caminhos ou os caminhos mais agradáveis, Querem salvar o cotidiano encontrando mercadorias ou vendendo sua força de trabalho.A situação é complexa e as mudanças servem para intimidar. O capitalismo consegue se refazer, apesar das muitas intrigas internacionais. Sobra a luta para não se perder nas explorações e tentar sobreviver. A tensão não se esconde e a morte faz tremer quem pensava que o século traria sossego e tecnologias ditas do bem.Zeus contratou seguranças para obscurecer suas astúcias.

Não escapamos do medo.Ele sempre existiu, mas ampliou seu território. Muitas bipolaridades, armas sofisticadas, milícias ambiciosas e governantes tontos. Não faltam teorias que justificam a competição e eliminam qualquer possibilidade de retomar sonhos afetivos. Parece que o pecado original sse encontra em toda parte. Os divulgadores de absurdos se aproveitam das redes sociais. Divulgam que a terra é plana e se sentem portadores de mensagens divinas. Tudo é confuso e assusta. Há planos suicidas e sociedades, melancólicas, imaginando que o futuro será a redenção. Nem todos celebram as alternativas proclamadas pelas teologias da prosperidade.

Navega-se. Se os barcos não encontram tempestades as relações entre seus passageiros vivem sossegos. Mas os mares estão cansados, desconhecem portos, recebem refugiados traumatizados com a fragmentação das suas culturas. O medo pode ser uma saudade de convivências solidárias. Há dúvidas e dificuldades de dialogar. Um silêncio vazio fortalece a covardia ou a necessidade de ficar oculto para não ser massacrado pela opressão. Portanto, a paralisia da imaginação desfaz invenções e a perplexidade traz agonias. Os deuses não se mostram atentos.Talvez, nunca tenham firmado compromissos com suas criaturas. Arquitetam-se para não fugir da monotonia e do narcisismo.

Resta provocar, soltar ruídos, riscar espelhos. Gramsci alertou para as sutilezas das hegemonias. Não há dominantes sem a coerção. As relações de poder se modificam e acompanham o fazer histórico. As imagens são guardadas em celulares.Quem profetizou tal ousadia? Lutos e lutas carregam perguntas, denunciam desigualdades, buscam brechas para se livrarem das repetições do medo. Kafka narrou, como poucos, os acasos e as ameaças do inútil. A literatura sempre inquietou, foi negada por alguns, porém antecipou a narrativa de tragédias e de ressentimento tão atuais. Por detrás das portas, os acontecimentos se constroem e as tramas marcam incertezas. Temos medo de quê? Talvez, dos demônios que abandonaram os frágeis infernos.

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