Você viveu numa ditadura?

 

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As construções históricas não se apagam de vez. Há sempre vestígios. A memória é inquieta e seletiva. Dança, faz acrobacias, se estica, conjuga o verbo esquecer e lembrar. Na vida cotidiana, a memória atua. Os livros contam episódios, as fotografias trazem acontecimentos, as pessoas conversam sobre a vida. Muitos se recordam de azares e fecham suas portas. Não é possível arquitetar tudo o que foi vivido. A complexidade do humano nos deixa atordoados, com as mentiras e as verdades. O que escolher? A solidariedade sobrevive? O movimento sacode a preguiça e a apatia.

O Brasil convive com autoritarismos constantes. O Estado Novo amedrontou muita gente e cantou a modernização. Vargas aparecia como ídolo, uma figura controvertida, cheia de discursos e manipulações. Continua sendo destacado, assim como Arraes, Brizola, Jânio e outros. Cada um tem seu admiradores. Há quem goste de populismos, exalte os trabalhadores, não anulam as lutas por melhores condições de vida. Há quem goste de censura, de controle, de rigidez moral. A falta de coragem justifica votos e omissões. Há quem é responsável e quem se diz estar em cima do muro?

Tudo isso se torna tema de debates. Não são relações do passado. A sociedade tropeça na escravidão mesmo nos tempos da modernidade. Os autoritarismo marcam presença, ocupam cenas familiares, criam juízos de valor, cercam desejos de liberdades. A última ditadura ainda está no horizonte. Promove irritações, porém existem os que morrem de saudades. Uma boa parte da população não sabe o que é ameça de tortura, polícia secreta, arrogância militar. A ordem se consolida como um limite para tudo. Há rebeldias que cortam eternidades e espalham críticas.

Não custa viajar pela história. Os fascismo não são recentes , nem a violência mora apenas na  contemporaneidade. As permanência também marcam as épocas, os amores mudam, as tristezas se reanimam, a história possui acrobacias. Portanto, contemple a memória,não fuja da ambiguidade. Nada como o diálogo para ritmar o fôlego. Ficar colecionando armas favorece às minoria. O grito de protesto merece sua vez. A política está envolvida com muitos interesses. Não à toa que as tensões esquentam. É preciso não eleger um silêncio absoluto.

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2 Comments »

 
  • cláudio ferrario disse:

    pergunto, caro amigo, até porque teu texto me instigou a tal: existe exercício mais difícil e complicado que o entender que somos diferentes? diz-se, viva a diferença. digo, viva a diferença. mas, e vivê-la, mesmo que não seja em sua total plenitude, em que parte deste caminho nos encontramos?

  • anuska salsa disse:

    A memória é algo precioso. Um texto muito reflexivo. Gostei do questionamento do seu amigo Cláudio. Ficarei atenta ao seu retorno. bjs!

 

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