Medos, histórias, palavras

Não me iludo com as gravidades soltas e as vitrines vazias,

tenho medo de flutuar perdido, sem encanto e sem coragem.

Sei que minha história nem começou, cultivo as dúvidas existentes na imaginação

e apago o fogo para não frustrar as mentiras de Zeus e as astúcias de Ulisses,

mas molho os cabelos para desfazer a dor que contraria meu corpo ocupado.

O mundo lá fora testemunha incertezas, classifica sentimentos, pune culpados.

Há refugiados que morrem nas extravagâncias das explorações impunes,

não sabem que vida nunca está pronta, nem se estende por tempos eternos,

ela não chega, sempre parte, abandonando os olhares sem rumos e os futuros escorregadios.

Penso num instante que fugiu, contemplo espelhos que não possuo, risco as sinais de fim desesperado,

esqueço a última palavra que profanou o sagrado do templo solitário.

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1 Comment »

 
  • Nogueira Netto disse:

    Se a vida é maravilhosa
    A mortalidade priva
    A marca do tempo marca
    A contagem regressiva
    Ceifando a chama vital
    De uma consciência viva
    (Nogueira Netto)

 

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