No mundo dos descontroles, negócios, convivências

O ano finda-se. Trata-se de um rito de passagem, pois o tempo continua e a vida inquieta não cessa de procurar aventuras. Há os famosos balanços e restropectivas. Parecem espelhos do passado, pois os temas são os mesmos. O sucesso dos famosos, os desastres ecológicos,  a corrupção dos políticos, as renovações tecnológicas… Muita coisa para recordar, como se a virada do calendário anunciasse transgressões históricas que nos levassem ao paraíso ou ao juízo final.

Não custa deixar o sossego de lado e espalhar a brasa. De todo jeito, algo se aprende. As imagens enfeitiçam e nos vemos na fama e no fracasso dos outros. É isso. As permanências incomodam, perturbam os que acham que a mudança acontece sempre.Em todos os cantos e lados da cultura, os sinais das relações sociais avisam o que falta e o que sobra. Lá estão os chineses querendo tomar conta da grana que circula, tirando a paciência dos norte-americanos. Na Europa, se amargam crises, greves, lamentações.

No mundo da bola, a agitação é a mesma. Depois, da goleada do Barcelona em cima do Real, muitas teorias foram lançadas. O técnico derrotado caiu de um cavalo alto, junto com sua vaidade. Não adianta insistir. O futebol tem suas peripécias e belas invenções, malgrado os desfazares dos especialistas, preocupados em armar defesas e ganhar pontos. Nada caminha definido, sem magia. O espaço da surpresa dá graça à vida, rompe com os ruídos chatos das máquinas soberanas. Jogo é jogo, geometria é geometria.

Os escândalos são comuns. Ninguém fantasia a ausência de desmantelos, de choques de grupos loucos por acumular com as manobras do capitalismo. Denúncias atrapalham negócios ou os torna mais transparentes. O presidente da CBF vive cercado de acusações, sem contudo ser punido. Escapa, como poucos. Os tribunais não provam que seus poderes alcançam até o ciclo mais íntimo da Fifa. Seus santos o protegem, com uma habilidade incrível. Os milhões enchem as conversas, assanham a ira dos jornalistas, porém Ricardo Teixeira se mantém num feudo gigantesco.

Quem anda, numa de horror, é Bruno, o ex- ator principal do Flamengo. Entrou num labirinto formidável. Até seu ex-advogado é viciado em drogas. Foi condenado. Alerta para aqueles que se julgam donos de todas as situações. Seu constrangimento tem ameçado seu equilíbrio. Depressivo, apela para amigos, vendo seu dinheiro desfiar-se. Está incrédulo. Antes campeão, mito, com convocação quase certa para seleção nacional. Hoje, desprezado pela mídia, planejando o suicídio, envolvido por uma melancolia atroz.

As andanças de Ronaldo são outras.Mesmo que o seu Corinthians não tenha assombrado , como se esperava, ele segue firme. O seu carisma se adapta e suas perdas se tranformam em vitórias. É um empresário e ex-notável atacante. O Fenônemo sofre metamorfoses. Sobreviveu às intrigas, conviveu com travestis, é pai de mais um filho e seus negócios não morrem. Ficam as lembranças de seus belos avanços pela área. Consagrou-se, internacionalmente. Não fica a dever a Romário, Messi ou mesmo ao badalado Maradona. A sorte e o azare existem para se comporem com quem se arrisca nas travessias do tempo.

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2 Comments »

 
  • Flávia Campos disse:

    Prestar atenção naquilo que está sendo “dito” (seja nas falas, nas imagens, nos sentimentos, nas cicatrizes, nas convivências…) é uma das formas mais poderosas de estar presente no mundo,de apertar os laços com a humanidade, e, de se “arriscar nas travessias do tempo”!
    Parabéns Antonio.
    Abs
    Flávia

  • Flávia/
    Não podemos perder o senso crítico. Por isso, está atento ajuda, para não entrar na enganação.
    abs
    antonio

 

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