O mundo das mercadorias, dos amores, dos consumos

Quem escreve a história não pode ficar desatento ao movimento das coisas. As pessoas relacionam-se, intensamente, mesmo usando disfarces, mas estão numa sociedade onde o valor de troca é comum. Portanto, há muito confusão, os individualismos multiplicam-se, pois a concorrência não vacila. Surgem as dúvidas que não se afastam do cotidiano. Na medida, que a velocidade imprime seu ritmo fica difícil pensar. As reflexões exigem pausas, meditações, silêncios. As lacunas são muitas. Resta optar por decisões rápidas. Os arrependimentos ganham espaços, junto com a sensação de desamparo. Há perdas de sentimentos ou exaltação a quem é calculista e objetivo.

Se Freud lançava suas teorias com lamentações e alertas não era por acaso. Apostou-se em utopias e revoluções, porém o capitalismo dita ordens que enfraquecem a solidariedade. Não existe quebra total de perspectivas de mudanças. Os labirintos mudam suas formas, como também os que resistem e procuram ações de rebeldia. Tudo se toca, nunca é demais repetir. Passeios no shopping revelam também opções afetivas. Dividimos para melhor compreender a complexidade da história, porém os amores não se distanciam das ondas turbulentas da economia. O comando dos meios de comunicação é constante e renovado.

A felicidade não deixa de ser lembrada. Hoje, há muitas preocupações intelectuais em definir por onde caminham os sentimentos. Não são, apenas, os psicanalistas, que retomam questões e tentam saídas. Os cientistas sociais, de uma maneira geral, mostram suas inquietudes. É preciso encontrar-se ou especular se há espaços de encontros.Nem todos têm privilégios. Há gente quem resume seus prazeres nas possibilidades de acumular e curtir luxos. Fabricam trincheiras, solidões doentias, sorrisos largos. Nada como sentir-se em vitrines, não se importando com as hipocrisias. As teses de Marx reforçam seus lugares, o fetiche da mercadoria conquista corpos e ambições.

Surgem os livros que vendem como se fossem alimentos de primeira necessidade. Há especialistas intencionados em criar fórmulas, suavizar amarguras, em ressaltar brilhos especiais. Num mundo em poucos cultivam a autonomia, as receitas se expandem, invadem bancas de revistas, programas de TVs, cerimônias religiosas. A fuga é palavra de ordem. Mora na droga, na coisificação, nas relações de interesses. Quem observa, criticamente, não se engana com as armadilhas. Outros preferem homologar sucessos, contemplar-se em espelhos, envolver-se escondidos com pesadelos noturnos. Não faltam mapas, nem tampouco fronteiras.

O desfile de novidades é o espetáculo permanente e acessível. Todos podem vê-los, com olhares desiguais. No mundo das mercadorias, igualdade não se afasta das promessas de sonhos. Os desmantelos são muitos, andam juntas às diversas práticas de violência. Nem por isso, as histórias abandonam sua narrativas mais antigas. Ha uma reafirmação de que as dores não se perderam e que as luzes não esclarecem os mistérios frequentes. Busca-se o amor, nos meios dos consumos, acostuma-se ao descartável, contudo os tempos conversa com a simultaneidade. Não estamos no Renascimento de Maquiavel e Cervantes. Temos outras ilusões. Será que são diferentes e estranhas? No jogo das perguntas e das respostas, a memória se estica e abraça os incomodados.

 

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